09/06/2011

SANTA MARIA DE CASTELO BRANCO 3 – Idade Negra!

Autor: Manuel Augusto Carlos

Muito difícil é, no que a S. M.ª de Castelo Branco respeita, escrever sobre esta época. Parte da documentação é cópia de conveniência (apócrifa) mas podemos sempre espremê-la e aproveitar algum sumo, depois… o nosso acervo paroquial está em parte (in)certa… o que aumenta o nosso desespero. Sem o nosso tombo histórico a nossa memória colectiva “Alzeimar-se-á” mais dia, menos dia. Era a isto que me referia aquando do movimento pela reabilitação da nossa escola, um cantinho de 2 metros quadrados chegavam para albergaria os ditos documentos se alguém souber deles. Em todo o caso avancemos.

O grande milagre do Cristianismo, na minha opinião, foi converter os Romanos ao catolicismo. Estes, por sua vez, converteram os vindouros ensinaram a doutrina católica aos Suevos e aos Godos fundadores de Portugal e dos reinos-parentes de Espanha respectivamente. S. Bento, fundador da ordem beneditina é romano. Bem mais tarde outro descendente de romanos, S. Bernardo, funda a tão na moda Ordem Cistercense a que os primeiros reis portugueses muitas benesses doaram, também descendem da famosa Loba: S. Martinho de Dume (Braga), Idácio de Chaves, Agostinho da Argélia, Jerónimo não-sei-dos-quantos, etc.… esta “evangelização” foi uma forma inteligente de aceitar a “Presúria” (a corneta deve ser mito) dos bárbaros, intervindo nela, beneficiando e, deste modo, mesclaram-se com as populações autóctones numa só fé: leiam as suas crónicas e imaginam o banho de sangue entre visigodos, cristãos, muçulmanos, judeus para perceberem a habilidade destes bispos até ao momento em que convertem os Suevos.

Com a queda de Roma surge, então, os grandes fluxos de migrações e quase ao mesmo tempo que o Cristianismo se enraíza na nossa Península nasce uma outra religião lá bem longe no mar vermelho, o Islamismo, que como por milagre rapidamente se espalha a todo o norte de África convertendo as numerosas tribos denominadas de “Imazighans” ou “berberes” e são estes, liderados por príncipes islâmicos que entram na Península e fundam um reino culturalmente riquíssimo entre Toledo, Córdova e Sevilha. Mas estas tribos aos olhos dos chefes árabes eram cidadãos de 2.º ou 3.ª classe e isso foi suficiente para se dividirem permitindo que as tribos neo-germânicas os expulsassem da Península. A presença mourisca na nossa terra foi volátil e de pouca dura principalmente acima do Douro sem qualquer edificação de base mesmo em Alfândega da Fé não passou de acampamentos, povoação móvel de árabes ou acampamento mourisco. É mais o imaginário colectivo das populações e não podemos confundir presença com edificação árabe, tanto mais que o norte do Douro tinha influência visigótica. Para sul a história é outra pois o reino Andaluz estava colado em termos logísticos.

Assim… os mouros no distrito de Bragança é um mito, refiro-me como autoridade ou fundadores do que quer que seja. Concordo com alguns grupos de mouros que fugiram por motivos étnicos e sociais de outros grupos rivais e por cá ficaram e ajudaram ao repovoamento e ao amanho das terras da jovem nação. Como disse, mouros no norte minhoto e transmontano em escaramuças com os nativos é um imaginário colectivo das populações que tem o seu auge nas belas narrativas das lendas de Mouras encantadas. No fundo aqui podemos aplicar o velho adágio: anda mouro… mas só na costa!

O Albicastrense e ilustre Missionário Padre Maria Lopes defendeu a tese de que Santa Maria de Castelo Branco tinha sido palco de algumas escaramuças com os Almorávidas pois a terra era povoada e rica devido ao antigo castro estrategicamente situado. Apontava que o topónimo PREIJAL ou PREJAL era a corrupção do étimo ou da palavra PELEJAR (lutar; combater) documentado nos inícios do séc. XIII, também aparece em autos paroquiais “Peijal” assim grafado, local conhecido, também, pelo topónimo “Cabeço dos Mouros” que é precisamente o lugar do Orago a Santa Maria a Velha de Castelo Branco e muito provavelmente um anterior culto pagão.

Em relação ao topónimo “Lagar dos Mouros” em Quinta das Quebradas (não confundir) tem a ver com uma espécie de dólmen pré-castrejo ou um vestígio do pós-neolítico.

Mas há mais… autores da nossa diocese, alguns acérrimos defensores da forte presença mourisca pelos muitos topónimos de origem árabe que passo a enumerar para outras ilações que vos aprouverem mais justas e adequadas pois são tempos muito escuros e a certeza é demasiada dúbia.

Citando as Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança e a G. E. de Portugal e do Brasil bem como autos paroquiais e cartas de doação que passo a citar: o primeiro povoamento luso-romano-germânico em Castelo Branco e noutros locais deve ter sido destruído no fim do séc. X pelos árabes de Almansor que por este corredor da “extrema-dura” fizeram as suas correrias.

O domínio dos mouros na região pertencente ao distrito de Bragança ( …carta de doação ao primeiro alcaide de Bragança por este a ter libertado dos árabes) deve ser de curta duração se bem que o onomástico acusa aqui a sua permanência como:

“Alfaião” em Mogadouro e Zava, “Atalaia” em Lagoaça e “Almansor” no termo de Tinhela, “Adares” em Alfândega (de Adar ou Aduar, povoação móvel de árabes ou acampamento mourisco, também referido em Frei Luís de Sousa); e que dizer de “Almofada”(assim grafado nalgumas cartas militares) que poderá ser também “Almofala” topónimo interessante em Mogadouro, do árabe “Almikhadda” – uma espécie de saco estofado para diversos fins… não surpreende para alguns historiadores este topónimo pois muitos apontam que Mogadouro vem do árabe “Maca duron” bem como Alfândega-da-fé… são estas as poucas informações.

Vale de Cambra, 7 de Junho de 2011.

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