05/07/2008

Cá te espero para os figos!

De: aida freitas ferreira [mailto:aida.olimpia@gmail.com]
Enviada em: sexta-feira, 4 de julho de 2008 22:58
Para: José Luis Pardal
Assunto: Cá te espero para os figos!

Amigo aqui vai a minha contribuição para esta coisa fantástica que criaste!

Vou continuar a escrever sempre lembrando a época. Cá te espero para os figos! Lembras-te, e eu sei que te lembras. Até sorrirás! Lembras-te da ida aos figos? E, pequenita como eu sempre fui. eras tu do teu metro e noventa que me chegavas aos figos! Isto porque o meu avó, o grande Zé António, dizia não subas à figueira que ainda cais. Quisera eu engarrar-me pela figueira acima mas o respeito pelo avó era grande. A verdade é que sempre que apanho fruta me lembro desta tarde. E dos figos vamos à fruta da época.

Cerejas! A ida às festas de S. Bernardino trouxe de volta o ritual da apanha das cerejas. Subir pelo cerejal (ou cerejeira, caso o prefiram)acima. Há coisas que não nos saem da alma. Com o nosso Santo elas pintam mas é pelo S.João que elas dão. E assim depois da prova na festa regressei pelo S.João e trouxe estas belas cerejas. São da cerejeira do Elísio, aquela nova que plantou no alto da vinha, a caminho das Olgas (não digo mais porque senão pró ano nem as provarei!!).

Ah! Lembro as idas às Olgas levar a merenda aos cegadores a cavalo na burra.
Mas isso ficará para o tempo da cegada. O sabor das sopas já me toca o estomâgo.

Daquela branca flor germina a fruta que, dos mais belos e variados tons de rosa e carmim nos fazem encher a boca de água.
Entre as vermelhas rosadas, mais ácidas, e as vermelhas escuras, as griottes, mais doces, é ávontade do freguês. (Do seu nome técnico, Rosaceae, nos traz a cor - rosa.
É bem verdade que a vontade do freguês tem sido tanta que no S. Bernardino nem as provei porque algum malvado tirou a prova da boca do dono. Comi que me fartei!
Ai, que grande dor de barriga (a sua maravilhosa propriedade laxativa e diurética). Da Serrinha vieram as rosadas! Foi o pai que as apanhou pela manhazinha (grande pai!). Fiz brincos de cereja a lembrar as brincadeiras de criança.

De regresso ao Porto vim carregada de frutos da terra. Fiz o tradicional doce de cereja. Receita da minha adorada mãe. Está divinal! E com as ginjas do vizinho Armindo fiz uma ginja que há-de estar de trás da orelha. daqui a uns meses a prova o dirá.

E algumas das maravilhosas "morello" congelei, pois ficam como na hora, porque no Verão farei belas tartes de cereja e bombons de cereja.
Não esqueci as mézinhas da tia Aida, a minha avó, e guardei os pinções da cereja para fazer chá. Juntamente com as barbas de milho é bom para os rins (aqui abro um pouco do meu "caderninho das mézinhas da avó") Agora ainda faltam as brancas! A celebre cereja branca, as Amarelles! Prá semana lá irei e da prova te darei.
Bem aventurados os romanos que nos trouxeram tão pequena maravilha.

Amigo, mas cá te espero para os figos! E não fiques triste.

Pois, quem sabe ainda sobre um frasquinho do doce de cereja à moda da Maria Elisa para ti! Entretanto, come umas acerolas, a magnifica cereja tropical. Até um dia destes!

Curiosidades: Cerejeira, sub-género Cerasus incluido no género Prunus (Rosaceae) A cerejeira é originária da Ásia, na cultura japonesa (chamada de Sakura no ki) tem o significado de Sakura= flor de cerejeira.

A cerejeira era associada ao samurai, de quem a vida era tão efémera quanto a da flor da cerejeira.

Aida Freitas Ferreira


Foto: Aida Freitas Ferreira
Foto: Aida Freitas Ferreira
Foto: Aida Freitas Ferreira

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