28/05/2009

Alheiras as melhores do mundo


A alheira é um enchido típico da culinária albicastrense. Os principais ingredientes são o pão, azeite, alho, colorau, carnes e gordura de aves, porco ou vaca.
O pão é o ingrediente mais importante, a base e suporte da massa do enchido.
A boa qualidade do pão garante a combinação homogênea dos ingredientes e o resultado diferenciado de sabores consistência e aparência externa das alheiras. O pão caseiro de farinha de trigo ou centeio é o detalhe e o ingrediente que faz as alheiras de Castelo Branco serem incomparáveis na qualidade e sabor.

Nossa aldeia produziu sempre cereais em quantidades consideráveis. Parte dessa produção era destinada á transformação em farinha para produção de pão e o excedente vendido ou trocado a escambo por outros produtos não produzidos na aldeia.

Com o tempo a gente de nossa terra especializou-se em fazer pão, DSC02280para abastecer sua população e das aldeias vizinhas. Esta atividade permitiu o sustento de várias famílias e até aos dias de hoje é uma das principais atividades econômicas de nossa aldeia. Nos anos 90 o empresário e empreendedor, Carlos Carreiro,( foto ao lado)  implantou uma padaria industrial na aldeia e passou a produzir em larga escala fornecendo o produto para as aldeias do concelho de Mogadouro e arredores.

Esta tradição, passou de geração em geração e fez do pão de Castelo Branco referência no distrito de Bragança. Ao escrever estas linhas minha memória vai trazendo imagens de algumas mulheres de nossa terra que fizeram ou ainda fazem o melhor pão do mundo. Mas este é uma crônica sobre alheiras não quero ser injusto com nenhuma delas, sem citar aqui os nomes. Prometo que vou escrever sobre o pão e então falar de algumas de que me lembro ainda. Mas preciso falar só de uma, a Sra. Noemia, deste pão que ela fazia deste eu tenho que falar, que delicia, que maravilha. Diria mesmo, pão dos céus... Esta semana mesmo falava com o Agripino aqui em Florianopolis de como é bom.

... voltando ás alheiras.

O pão deve ser de alguns dias para que o miolo e a côdea permitam o corte em lascas finas e crocantes. Depois de cortado em lascas o pão é ensopado com azeite e alho escaldantes e com o caldo do cozimento das carnes. Na sequencia Acrescentam-se as carnes já cozidas e desfiadas o colorão e faz-se então uma massa homogênea até dar o ponto certo.

Quem já comeu, destas alheiras sabe o que digo e pode provar o quanto são saborosas. A mais famosa de todas é a que a Guilermina filha da Tia Arminda faz. Diria mesmo, a melhor de todo Portugal, pelo menos das que eu já comi.

encal Segundo a tradição, este enchido foi criado nos tempos idos por cristãos novos que, secretamente, continuavam a guardar costumes da religião judaica, a fim de ludibriar toda a sociedade e a Inquisição, deixando claro com este costume que eram cristãos assumidos e bem integrados.
É sabido que o judaísmo proíbe o consumo da carne de porco, assim, alguns dos supostamente recém convertidos inventaram um chouriço onde discretamente, a carne de ave, substituía a carne de porco, tradicional entre os cristãos. Ainda é comum atualmente a semelhança destes tempos e que sejam usadas nas alheiras várias carnes alternativas ao porco, tais como vitela, coelho, peru e galinha.
Talvez não passe de uma idéia romântica popular, esta ligação da historia das alheiras, com os novos cristãos, e talvez nem existam fatos que possam determinar esta idéia. A necessidade de conservação das carnes dos diversos animais criados e para consumo próprio, parece uma explicação mais certa para o seu aparecimento e assim a origem ligada ao próprio ciclo de produção de fumeiros caseiros.

Para nós albicastrenses a alheira é consumida assada nas brasas da lareira colocada sobre a grelha pré-aquecida, em lume brando, acompanhada por batata cozida com um fio de azeite, e legumes da época variados, e como não pode faltar, “vinho do nacional”.
Por vezes, é também acompanhada por couve troncha, grelos de couve ou nabiça. É uma presença habitual nas ementas dos lares da terra e dos filhos dela por todo mundo.
Em consideração final: A mais famosa das alheiras é a oriunda de Mirandela, mas podemos dizer sem errar que a de Castelo Branco é a melhor do mundo. Digamos assim: as duas deixam a gastronomia da região de Trás-os-Montes mais rica de sabores e tradições.

27/05/2009

Reserva de Caça aos Ganbuzinos

Os ganbuzinos estão quase extintos. Sim isso é verdade. Foi realizada uma pesquisa que apresentou esta terrível estatística, ninguém mais vê este animal famoso há alguns anos, portanto concluiu-se que estão em fase de extinção. Precisamos fazer um abaixo assinado pedindo que seja regulamentado final da caça instituindo um período de defeso da espécie.

A Caça aos Gambuzinos: A famosa Caça aos Gambuzinos remonta aos tempos dos nossos "antepassados". Praticava-se por todas as aldeias do concelho, geralmente quando por apareciam os "novatos do Porto ou Lisboa".

Eram caçadas terríveis levadas a cabo por longos períodos nas noites de verão. Ocasiões especiais, estas grandes caçadas que envolviam toda a malta solteira das aldeias e quase sempre com resultados imprevisíveis!

Nos últimos tempos esta actividade cinegética caíu em desuso. Ou porque os ditos bicharocos estão em vias de extinção ou porque os jovens nascidos nas cidades com maior acesso à informação, já não acreditam nestas demandas!

Animais velozes os Gambuzinos, passam desapercebidos no meio da flora mediterrânea devido a sua fantástica capacidade de camuflagem. Até os fotógrafos mais experientes pecam por não conseguirem fotografar um único exemplar para amostra! É quase como o lince da Malcata, alguém viu? Não, Então é isso mesmo!!! Só se ouve falar!!

Mas aos que já não acreditam na existência de "gambuzinos", eu vou desafio a contar aqui uma história, verídica, que prove que os "bichos" ainda existem, escondidos por esses montes e matagais afora!

Vou lhes contar uma história verídica que aconteceu comigo:

"... Era uma noite de Verão como muitas outras, quente e abafada! No praça, perto do café do Fernando, um grupo de jovens rapazes convencia o alfacinha a participar (não posso falar o nome do moço em férias na aldeia para não constranger) numa caçada aos Gambuzinos:

- Se tivermos sorte e apanharmos pelo menos um, é um grande petisco, fazemos um belo fado! - afirmava um dos presentes.

- A carne do bicho é mais tenra e saborosa que a das lebres! Garanto que nunca comeste nada igual! - dizia outro.

- Mas o mais valioso é a pele que é lindíssima! Dá até para fazer uma gola de samarra! Podemos vende-la, o ti Colega paga uns quinhentos paus por ela!!!- acrescentava outro!

O rapaz foi entrando no engodo, habituado aos petiscos das tascas lisboetas, demonstrava alguma curiosidade, mas não se mostrava muito convencido a participar daquela empreitada!

O Fernando do café que era caçador de carteirinha vendo que a caçada não tomava forma foi logo dizendo:

- Estais todos tontos! Ainda não é época dos gambuzinos! - respondeu, atrás do balcão do café topando logo a trama que se estavam a preparar. E ainda falou: - Os bichos ainda não apareceram por estas bandas, este ano!

O Zé que estava sentado na porta do café veio na porta e falou: - Nada disso, hoje de manha mesmo, quando fui á ribeira de cavalos para olhar as ovelhas, vi uns três ou quatro a pular no pinhal que fica por cima da capela da vila velha, e olhem que estão gordos este ano... Estavam a acasalar assim é melhor de pega-los.

- Bem, então sendo assim, vamos lá a tentar apanhar um desses bicharocos! – Disse o o Fernando, vendo que o alfacinha já estava convencido.

Tirou dois sacos de dentro do balcão e deu para um dos rapazes que estavam ali perto. Puxou um apito desses que os árbitros de futebol usam e mandou levarem.

Foram para a fontainha. Ao passar junto da casa do Sr Lino, tinha uns galhos de olmo ali à mão de semear, disseram para o alfacinha: -Agarra dois galhos faz uma cruz e Poe na boca do saco para ficar aberta enquanto seguras e já pega mais um galho para bater no bicho quando entrar no saco.

O rapaz obedeceu prontamente e carregou os galhos nas mãos!

Da praça á regada é escusado dizer que foram contando outras caçadas, com resultados animadores, para entusiasmar o "pato". Um dos rapazes, que era o que fazia maior questão no sucesso do empreendimento! Chegou até a colher um raminho de tomilho e manjericão de um vaso da casa que ficava ao lado do tanque da praça, dizendo que eram ervas de cheiro, próprias para atrair o bicho!

Chegados á regada, logo se organizaram as tropas. O alfacinha, como convidado de honra, ficou no lugar principal - junto ao tronco de olmo, com o saco aberto numa das mãos, o galho na outra e com o apito na boca! A malta espalhaou-se pelos vários caminhos, tentando encurralar os bichos que a esta hora andavam a pastar pela regada perto dos freichos e olmos!

Quando todos estavam a postos foi dado o sinal para o começo da caçada! O alfacinha começou a soprar no apito e a bater ritmadamente no saco!

A cambada foi dando as voltas necessárias, e saindo de mansinho da regada. Indo aos poucos cada um para o café onde os outros já esperavam com uma sagres na mão. Ficaram pra mais de hora e meia a rir da cena ao longe! Claro que passado esse tempo, o alfacinha apercebeu-se que estava sozinho e começou a chamar os rapazes, acabando por descubrir sozinho que caira na conta dos gambuzinos.

Nos dia seguinte no café não falou a nenhum dos membros do grupo! E até ficou zangado com o primo que tambem participou do engodo!

Mas garanto que é real existência dos gambuzinos. Eu até posso jurar.Nessa noite infelizmente, não vimos nenhum mas, se o até os experientes caçadores e observadores, os viram no pinhal, é porque eles estavam lá! Eu creio piamente!!!

Aqui está a prova da existência do famoso bicho!

Se ficares a olhar a figura durante algum tempo a olhar para a gravura, com grande concentração, verás um ou dois gambuzinos a pastar no lameiro!

Mas atenção, olha bem nao pestanejes, que eles são muito rápidos e tímidos! Boa Sorte!

De Castelo Branco

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