31/05/2008

Procissão São Bernardino

Fotos: Luis Pardal - Tiradas em 1997 e 2000

São Bernardino de Siena

Pregador e promotor do culto do Nome de Jesus, São Bernardino de Siena nasceu a 8 de Setembro de 1380, em Massa Marítima, uma cidade que então pertencia a Siena, na nobre família Albizzeschi, e morreu a 20 de Maio de 1444, em Áquila.

Órfão aos seis anos de idade, foi educado com grandes cuidados por umas tias muito piedosas. Depois de cursar Direito Civil e Canónico, entrou em 1397 para a Confraternidade de Nossa Senhora, agregada ao hospital de Santa Maria della Scala, e quando, passados três anos, a peste invadiu a cidade deixou a sua vida de reclusão e oração para prestar assistência aos doentes juntamente com outros dez companheiros.

A sua saúde ficou para sempre abalada por este período de grande trabalho. Aos 22 anos desfez-se de todo o seu património, dando-o aos pobres, e recebeu o hábito de Frade Menor nos Franciscanos no Convento de S. Francisco de Siena para passado pouco tempo se retirar para o Convento dos Observantes de Columbaio, nos arredores da cidade.

Professou em 1403 e foi ordenado sacerdote em 1404. Em 1406, pregando em Alexandria, no Piemonte, São Vicente de Ferrer previu que o seu manto desceria sobre uma das pessoas que o ouviam e que essa pessoa teria a tarefa de evangelizar o resto da Itália, podendo então São Vicente voltar a França e a Espanha. Esta previsão realizou-se doze anos mais tarde, em 1417, quando Bernardino recebeu a graça da eloquência e começou a sua vida de missionário em Milão, passando depois a muitas outras cidades italianas.

Pregando muitas vezes nos mercados, a sua assistência chegava a ter 30 000 pessoas e a sua influência cresceu nas muitas cidades para onde os devotos o seguiam aos milhares. O futuro Papa Pio II, que era um seu fervoroso ouvinte, dizia que São Bernardino pregava como um segundo São Paulo, enquanto que o biógrafo Vespasiano da Bisticci comentava que os seus sermões limpavam a Itália de todos os pecados. Influenciadas pelos ataques de São Bernardino aos vícios e aos pecados, muitas cidades italianas decretaram leis segundo os seus ensinamentos, as Riformazioni di frate Bernardino .

Sendo a usura uma das práticas mais atacadas pelo santo, este fundou muitas sociedades beneficentes de empréstimos, conhecidas como as Monti di Pietà . Inspirado nos ideais franciscanos, São Bernardino atravessou a pé a Itália várias vezes para levar a paz, sobretudo entre Guelfos e Gibelinos.

Em toda a parte demovia as facções desavindas em guerra e pregava-lhes a devoção pelo Santo Nome de Cristo, muitas vezes usando um quadro com as Suas iniciais escritas, I.H.S, que depois era venerado pelos devotos. Este costume do quadro foi introduzido pela primeira vez em Volterra, em 1424, e fez muito sucesso. São Bernardino aconselhou um carpinteiro de Bolonha que tinha perdido os seus bens ao jogo a construir os quadros e este fez uma pequena fortuna em pouco tempo.

A popularidade de São Bernardino granjeou-lhe, no entanto, inimigos que o perseguiram. Foi acusado de heresia pelo dominicano Manfredo de Vercelli que São Bernardino tinha anteriormente criticado pelos seus falsos sermões sobre o Anticristo. Em causa estavam os quadros com as iniciais de Cristo, considerados profanos e uma nova forma de idolatria. Obrigado a apresentar-se perante o Papa Martinho V, em 1427, este proibiu-o de pregar e de exibir os quadros até que a sua conduta fosse examinada.

São Bernardino entregou todos os seus sermões escritos a uma comissão que instruiu o julgamento que teve lugar em São Pedro de Roma, em 8 de Junho, perante o Papa. O defensor São João Capristano, seu confrade da Observância, não teve muito trabalho em demonstrar a fraqueza das acusações e o Papa não só aprovou os ensinamentos de São Bernardino, como lhe pediu para pregar em Roma e aprovou a sua eleição para Bispo de Siena. Tanto esta nomeação como as das Sés de Ferrara e Urbino foram recusadas por São Bernardino que dizia que toda a Itália era a sua diocese.

Com a nomeação de Eugénio IV, novas acusações lhe foram feitas mas uma Bula de 1432 anulou definitivamente as calúnias. A justiça feita sobre os ensinamentos de São Bernardino foi perpetuada pela concessão aos Frades Menores da festa do Triunfo do Santo Nome, em 1530, que foi posteriormente estendida à Igreja Universal em 1722.

São Bernardino acompanhou o imperador Sigismundo para a sua coroação em Roma, retirando-se depois para Capriola para se dedicar à escrita de Sermões. Teve de deixar os seus trabalhos missionários em 1438 quando foi eleito Vigário-Geral dos Observantes em toda a Itália. Embora não tivesse sido o fundador dos Observantes, São Bernardino foi o principal apoiante deste movimento de reforma da Ordem Franciscana e um dos seus mais fervorosos difusores, sendo responsável pelo grande aumento do número dos seus membros. Fundou ainda, ou reformou, cerca de 300 conventos de frades em Itália e enviou missionários a diferentes pontos do Oriente.

Foi o principal responsável pela presença no Concílio de Florença de muitos embaixadores das diferentes nações divididas pelo Cisma. Retomando a sua vocação missionária, em 1444, desloca-se para evangelizar Nápoles apesar da sua saúde debilitada. Sucumbe à febre e volta moribundo a Áquila, onde morreu na véspera de Ascensão, a 20 de Maio. Não tendo sido permitido que o seu corpo saísse de Siena, foi enterrado na igreja dos Franciscanos Conventuais (oponentes aos Observantes) depois de um funeral com grandes honras.

Os muitos milagres que se seguiram à sua morte contribuíram para a sua canonização, a 24 de Maio de 1450, por Nicolau V. O corpo de São Bernardino foi trasladado para a nova igreja dos Observantes de Áquila, especialmente construída para o efeito, que foi destruída no terramoto de 1703.

A primeira igreja que continha um templo caríssimo oferecido por Luís XI de França foi substituída por um outro edifício onde ainda hoje as relíquias de São Bernardino são veneradas. Em Portugal, a Observância Franciscana beneficiou de uma grande devoção ao santo, também sentida por D. Manuel I e D. João III que, nos retábulos encomendados para os seus conventos, mandavam inserir sempre a figura de S. Bernardo de Siena.


Artigo extraido de: São Bernardino de Siena. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2008. [Consult. 2008-06-02]. Disponível na www: .

19/05/2008

Paisagens

Fotos: Artur Claro


Aos laços...

Já lá chegaram os tordos,
E a azeitona já pintou,
O verão deixou o outono
Nas vinhas que vindimou.


As gentes de minha terra
Com fogo mantas e lençol
Espantam o frio da serra
E as tardes curtas se sol

Fecho da Moagem

Fotos: Abilio Freitas

12/05/2008

Coisas pitorescas...

Fotos: Abilio Freitas
Meus Comentários:
Fiquei surpreso por não ver os olmos a circundar o Chafariz e o próprio tanque. Na minha imagem de memória eles ainda estão por todos os lugares acompanhando as ribeiras, circundando os lameiros os fechos.

É triste ver o que a civilização moderna junto com o acidente de Chernobyl e radiação fizeram com estes personagens de nossa geografia. Sinal dos tempos diriam os antigos, mas quero crer que na verdade são sinais de nosso destino neste mundo globalizado.

Estas imagens no entanto fizeram-me rir pelas coisas pitorescas retratadas, dando sinais de que o tempo e a civilização ainda não acabaram de vez com detalhes tão importantes das pequenas grandes coisas de nossa terra.

Marco da Igreja

Fotos: Abilio Freitas

Em tempos idos o bairrismo de nossa terra era um dos aspectos mais curioso e fabuloso de se ver. Eram os das eiras, da praça, da igreja, da escola, ou os do carrascal, a desafiar uns aos outros sempre.

Cada um de nós tinha, alem do nome e do apelido, a indicação de onde morava. No nosso entendimento, o local fazia uma referencia pessoal e um atributo extra, na personalidade ou na escala de importância que cada um de nós tinha para a malta. Ser das eiras, do vale, da praça ou do carrascal, era questão de honra e de orgulho na hora de desafiar ou de buscar aliados para uma batalha.
Tempos áureos que já se foram. Nosso povo tinha mais gente. As crianças e jovens enchiam a praça ou o largo da Casa Grande a jogar ao fito, ao pião, á bilharda, ao tiroliro ou simplesmente a caçar gambozinos.
Impressionante a vida e a pujança de nossa terra se olharmos a realidade atual.
Não que tudo fossem flores, mas eram vida e renovação. Quantos jogos de bola fizemos, os das eiras contra os do vale, ou os da praça contra os das eiras. Esta rivalidade velada, incendiava e dava um tempero a mais nas rodas de tiro-liro, de bola ou de outras brincadeiras.
Os encontros podiam acontecer onde quer que fosse, no campo da eiras novas, na regada, no lameiro do chafariz ou canilhão mas, independente do lugar onde aconteciam, os desafios originados nesta rivalidade eram o mote para um jogo mais animado e encorajador. Esta foto do marco da Igreja fez-me lembrar de outra rivalidade, porem feminina, que movimentava a vaidade bairrista das moças solteiras.
No São João, faziam em cada marco da aldeia uma cascata. Era um movimento nervoso, alegre e cheio de intenções este das solteiras que moravam perto do marco da praça, do marco do vale ou do marco da Igreja, fazerem a cascata e competirem entre si. Nessa época as de cada marco uniam-se para decorar e enfeitar a cascata que depois á noite ajuntava o povo para a fogueira e as cantigas de roda ou baile.
São João, fogueira de margaças acesa, bastavam alguns saltos para não ter mais dor de cabeça o ano inteiro. Remédio santo... Bons tempos estes em que a farmácia não era tão cara nem tão complicada de prescrever ou diagnosticar as doenças.
Quantos namoros nasceram á volta das fogueiras de São João nos marcos, enfim nas voltas de nossa terra.

Sinos e Torre da Igreja

Fotos: Abilio Freitas
Ao toque dos Sinos.
A aldeia acorda lentamente. Algumas lareiras já estão acesas e os chupões espalham no ar frio da manha, um bafo quente e esbranquiçado que se eleva acima dos telhados.

Aos poucos a vida retoma o curso. A luz pálida da aurora treme no brilho branco metálico, dos telhados com geada. No céu as estrelas começam a desaparecer cansadas da longa e fria noite. O sol a espreguiçar os braços nos cabeços da aldeia, alonga o corpo por todos ribeiros e caminhos e firma o dia. A luz muda a cada segundo.

Uma trilha sonora começa a crescer por todos os cantos da aldeia. Galos cantam ao desafio, e são seguidos pelo cacarejar das galinhas que ficam a reclamar aborrecidas, com tanta vontade de cantar a esta hora do dia dos seus parceiros. Ouvem-se os burros, as vacas, as mulas, os machos, enfim todos os outros animais, a pedir o tratamento antecipado antes que mais um dia de trabalho comece.

Os sons crescem na mesma velocidade do fim da noite. Até os cães que sabem que ainda não é hora de ir para o gado vão bocejando alertados com tanto rebuliço.

O sino toca as Avé Marias. Três toques... pausa... três toques... pausa...três toques! Os que ainda resistiam sentem-se agora convocados para o recomeço da vida.

As mulheres já saíram da cama faz algum tempo. Com a lareira acesa vão pondo a mesa para o pequeno almoço. As labaredas das giestas secas a estalar na lenha de freixo começam a aquecer a casa e empurram o frio lá para fora.

Hora de acordar os filhos, de chamar o marido, de apressar a todos...

Uma grelha aquece no braseiro da lareira enquanto espera as fatias de pão para torrar. Aos poucos os donos da casa vão chegando e, um a um sentam á roda do borralho. Filho vai lavar essa cara diz a mãe para o mais novo, que com medo da água fria, tenta sem sucesso, passar o inverno sem lavar o rosto.

Antecipando a cada um que chega e senta ouve-se o barulho dos passos e o arrastar dos bancos da cozinha. Não conversam entre si, falam por sinais e monólogos, nesta mímica rotineira do dia a dia, sabem de cor a função e não precisam usar palavras.

As torradas a assar espalham no ar um gosto bom que se mistura com o aroma do café e do leite fervido. Na seqüência assam umas alheiras que vão para a mesa a juntar-se ao queijo de ovelha, azeitonas, fatias de presunto e salpicão. O frio e o trabalho pesado exigem, aos que vão ao trabalho no campo, um reforço no estomago, saco vazio não se tem de pé. Com os corpos quentes e mais acordados sentam-se todos na mesa. Comem enquanto espantam o sono de vez.
O corpo, reage ao alimento e finalmente toma as rédeas do sono para recomeçar a vida. Fazem os planos, distribuem tarefas e funções, acertam detalhes. Para arrematar o pai e a mãe reclamam da geada que pode queimar a amêndoa e um a um vão deixando a cozinha com a certeza de que a vida continua e precisa ser vivida.

Tanque do Chafariz

Fotos: Abilio Freitas

Cemitério

Fotos: Abilio Freitas

Capela de Santo António

Fotos: Abilio Freitas

Praça

Fotos: Abilio Freitas

Tanques da Praça e do Vale

Fotos: Abilio Freitas

Escola Primária

Fotos: Abilio Freitas

Fonte do Vale

Tantas vezes a cântara vai à fonte que lá deixa a asa.
Este ditado antigo vai sendo esquecido e perdendo o sentido. A fonte do vale faz muito tempo deixou de servir e de quebrar as asas. As cântaras de barro faz tempo perderam as asas ou foram esquecidas nas adegas e quintais, ou como quero crer, boa parte delas já passou a servir de vaso para flores.

Alegrou-me ver o trabalho de revitalização que fizeram na fonte.
Na minha memória lembro deste local como sendo sujo e insalubre.
Parabéns para o Presidente da junta que tomou esta iniciativa e também para os conterrâneos que começam a valorizar nosso patrimônio histórico.


Fotos: Abilio Freitas

10/05/2008

Fotos Carlos Almeida


O Carlos Almeida enviou estas fotos. São imagens das pessoas e dos lugares do coração dele. Parabens e obrigado Carlos por nos brindares com a tua participação.

Artigos interessantes

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...