31/08/2010

Pedido de conforto e apoio a um amigo.

Autor: Arlindo Parreira
A vida é cheia de Surpresas.
Que o mundo é uma aldeia já ouvi falar e até acreditava nisso. Mas, na sexta feira passada, tive a maior prova.
Fui visitar o meu compadre e sogro do meu filho, Luis, que estava internado para tratar de uma infecção de estômago. Entre as costumeiras conversas dos parentes e amigos, eis que ele me diz: -Arlindo, aqui do lado, está internado um senhor que é lá da sua região.
Ao ouvir dizer isto, a Cacilda foi na direção e abriu as cortinas que separam os leitos da enfermaria. Uma surpresa que nos emocionou muito. Alí, bem ao lado, estava o Sr. Virgilio Meleiro. Ele morou durante três ou quatro anos aqui e voltou para Portugal. Retornou ao Canadá para resolver assuntos de papelada e aproveitou para consultar um especialista. Infelizmente o médico diagnosticou um câncer de próstata e, imediatamente o internou para tratamento.
Virgilio E Arlindo no Canadá antes do regresso do Virgilio para Mirandela O destino foi levar este meu amigo ali para perto de nós e fez acontecer este encontro em um hospital com mais de 2000 leitos, que coincidência.
Voltei para fazer uma visita no domingo, antes da transferência para Portugal. Conversamos algumas horas. Foram momentos de comoção e de lembranças. Recordamos os tempos de rapaz, os amigos, em especial, meu cunhado Luis. Lembramos e rimos muito juntos de uma malhadeira que me vendeu, e que eu depois queimei na fogueira do galo.
Impressionou-me muito vê-lo aos 80 anos, fragilizado e só, com receio da viagem de volta e do futuro.
Neste domingo, dia 29/08, foi transferido para o Hospital de Mirandela, onde deverá continuar o tratamento. Escrevo este artigo para informar aos conterrâneos do regresso dele e da situação crítica de saúde.
Sabemos que é nestas horas que mais precisamos dos amigos e familiares. Fica o convite para que o visitem no hospital. Ficará feliz de rever amigos e parentes.
Um forte abraço.
Arlindo Parreira

28/08/2010

Cartões Postais de Castelo Branco

Autor: Valter Matos
É com enorme prazer e orgulho que autorizo a divulgação das fotos no blog ou no portal, pelos quais também eu dou os PARABÉNS!
Apesar de não ser Albicastrense, a aldeia já me diz muito, pois casei recentemente com uma das netas da D.Antónia Luzia, essa sim, Albicastrense desde sempre! Vou com alguma frequência à aldeia e agora com o "bichinho" da fotografia, não podia deixar de registar os belíssimos postais que Castelo Branco tem para oferecer!
Se necessitar das fotografias com melhor qualidade, é com todo o gosto que as disponibilizarei...
Com os melhores cumprimentos...
Valter Matos
(Vista para a Capela de N.S. da Vila Velha - Castelo Branco - Mogadouro)

(Capela de N.S. da Vila Velha - Castelo Branco - Mogadouro)

(Capela de N.S. da Vila Velha - Castelo Branco - Mogadouro)

(Vista da torre da Igreja de Ctlo. Branco - Mogadouro)

(Igreja de Castelo Branco - Mogadouro)
Para conhecer mais fotos do autor visite o blog: http://cambalhotafotografica.blogspot.com/

26/08/2010

Dário, a voz e a vez

Autor: Arlindo Parreira
No vídeo abaixo mais um registro de um momento impar: Maria Morena… Na voz de nosso fadista Dário. É imperdível. Diria mesmo, impecável!
Que viva o fado e nossos ilustres fadistas para sempre! No vídeo de julho de 2010: António, Dario , António S. E silêncio, porque se vai cantar o fado!

Vídeo: Arlindo Parreira

Agradecimento

Autor: Marina Craveiro
 
A minha idéia viajou,
Porque atenta reparou
No tempo da mocidade,
E ao Brasil foi parar.
Eu não estou a sonhar
E para o Luís vou mandar
Um abraço de saudade!
 
Com o passar do tempo,
Vou lembrando a mocidade,
Lembro do Luís Pardal,
Quando ele era criança,
Tenho isso na lembrança!
Menino obediente e também inteligente,
Querido por toda a gente!
 
Tantos anos eu passei
A fazer versos que guardei.
Nunca eu imaginava
Que o Arlindo os levava,
O Luís os publicava
E eu muito feliz ficava!
 
É neste monte agreste
Que vai crescendo a giesta,
Também a flor silvestre
Vai florindo neste campo,
Assim como a amizade
Vai crescendo na aldeia de Castelo Branco.
 
Eu quero retribuir
Toda esta amizade,
Ao Arlindo e ao Luís agradecer
Por os meus versos publicarem.
E da família Meleiro
Vai um abraço de saudade
Para a família Parreira
E também para a Pardal!
 
Que Deus lhes dei-a saúde,
A eles e toda a família
E que a vida lhes sorria.
Ficar-lhes-ei sempre agradecida,
Esta amiga que muito os estima
E que se chama Marina!
 
Marina da Graça Craveiro, 17 de Agosto de 2010

Festa do Imigrante 2010

Uma imagem vale por mil palavras. As fotografias que os Isaias mandou falam da animação da festa e dos festeiros.
Festa do Imigrante 2010
Fotos Isaias Cordeiro

Fotos Isaias Cordeiro

22/08/2010

Rancho de Castelo Branco

Autor: Luis Pardal
O tempo passa rápido, quem diria que daquele verão ficariam apenas as fotos para nos lembrar de algo tão bonito que nossa aldeia viveu.
Rancho Folclorico de Castelo Branco. Foto tirada na capela da Vila Velha. Na foto: Angela, Paulo Parreira, Sr.Alberto, Acurcio, Teresa, Peres, Ana Felizbela, Dário e António.
Uma animação especial tomou conta de nossa terra. Alfaiates e costureiras atarefados para produzir as roupas de linho e fazer os bordados para enfeitar os integrantes do rancho folclórico de Castelo Branco. O resultado foi muito bom. Estas roupas cortadas e costurados por muitas mãos deixaram os rapazes e raparigas de Castelo Branco mais bonitos e merecedores de prêmios nas muitas apresentações que fizeram.
Foram meses de trabalho, muitas noites de ensaio para preparar cantorias e danças. Tudo era novidade e o novo é sempre mais difícil de começar e levar adiante. Escolher os pares, os tocadores, os passos das danças, montar uma coletânea de cantigas para compor o repertório, enfim um trabalho imenso. Um burburinho nunca antes visto pelas ruas da aldeia. Nosso povo estava unido por um ideal e ganhou alma nova durante aqueles meses.
Rancho Folclorico de Castelo Branco. Foto tirada na lateral da capela de Santa Maria a Velha em Castelo Branco Mogadouro
Um entusiasmo diferente fez bater mais forte o coração de jovens e antigos. Ensaios nas adegas, na garagem do Joaquim Pomares, no lagar dos Mouras, nas salas da casa grande, e por tantos outros lugares com espaço para ensaiar as danças e treinar os dançarinos.
Foto do ensaio do rancho de Castelo Branco Mogadouro
Na porta dos ensaios uma multidão de curiosos nunca antes vista. Os que participavam mantinham segredo dos passos e coreografias, afinal precisava ser um espetáculo para surpreender e encantar a todos. Mas a curiosidade matava os demais. Ficavam na porta dos ensaios inquietos e ansiosos para ver e saber.
Ficar na porta tinha suas vantagens, o som das vozes, o arrastar dos passos e o toque das guitarras escapava pelas portas e janelas e assim todos aprendiam rapidamente as modinhas tocadas vezes sem fim durante os ensaios dos dançarinos.
Apresentação Rancho Folclorico de Castelo Branco em festival.
Nas várias apresentações que fizeram levaram a marca e o nome de nossa terra para muitos lugares e deixaram mais forte no peito, o orgulho de ser albicastrense.
Uma especial homenagem ao Professor Pedro, catalizador e idealizador desta novidade e no nome dele quero estender a todos os demais que com o trabalho incógnito e dedicado participaram de forma ativa nesta fantástica ação de nossas gentes.
Faço um convite para que ajudem a resgatar dos baús as memórias recentes de nossa aldeia, vamos evitar que se percam no pó. Enviem fatos e fotos, deste ou de outros acontecimentos por e-mail. Serão publicados e mantidos com as respectivas origens.
Para facilitar este trabalho de resgate de fotos e documentos o Arlindo deixou na aldeia alguns equipamentos com o sobrinho, neto do Francisco Carreiro. Ele pode ajudar a escanizar fotos ou textos.
Participem.
Um forte abraço albicastrense,
Luís Pardal

21/08/2010

Voltar às origens.

Autor: Arlindo Parreira
Oito anos passam rápido, parece que demoram no futuro, mas quando olhamos para trás vemos que já foram vividos. Assim foi comigo, passaram oito anos desde a última visita a Castelo Branco.
Voltei, como voltam as andorinhas, no começo do verão. Estava com o peito cheio de saudades e vontade de, rever os amigos,  atualizar os assuntos,  e recarregar as baterias que já andavam fracas há tanto tempo longe da água da solheira.
A sede era grande e  logo ao chegar apagou, com o calor do encontro e carinho de amigos e parentes. Nossa terra é sempre um lugar maravilhoso e acolhedor. Um bem hajam por tudo, que quero deixar nestas linhas para agradecer a todos, em meu nome e da Cacilda!
Desta vez, como bom paraquedista, levei na mochila entre o paraquedas e as demais munições, armas que me fariam manter vivas as imagens de nossa terra. Um “assalto” fotográfico eu diria. Preparei a visita com maquina fotográfica de grande calibre, scaners, cabos USB, pendrives... (ó tia Maria se não souber o que é isto, pergunte por aí que a garotada entende tudo). Estes equipamentos foram propositais para registrar minuto a minuto tudo o que pudesse das gentes, lugares, tradições de nossa terra. São horas de vídeo, milhares de fotos e imagens scanizadas. Tudo isto para manter minhas memórias vivas e evitar que se percam sem serem vistas por todos velhos e novos. Prometo regalar e fazer banquetes com estes tesouros, para as saborearmos ao longo do tempo.
Rever amigos é mais que viver, é poder viver tudo de novo. O que mais me emocionou nesta viagem foi o encontro com o Sr. Jose Rito a quem por apelido na aldeia chamávamos carinhosamente de “Ze Mautês”. Meu grande companheiro de trabalho que sempre me aturou nas minhas muitas palhaçadas.
Pois bem…
Lá estava ele sentado nas escadas na porta da casa, sozinho, pensativo a quem sabe a lembrar da vida e dos trabalhos. Ao vê-lo ali, sentei-me naturalmente do lado dele sem lhe dizer nada. Instantes depois ele ficou intrigado e perguntou-me:
- O senhor quer alguma coisa?
Ao que respondi:
- Eu não sou daqui... Ando a procura de um homem chamado Rito. O senhor sabe me dizer onde é que ele mora? Eu sou de Vilar do Rei e nao sei onde mora.
Ficou a olhar para mim, e sem entender fitou-me nos olhos e disse:
- Que Seja para muitos anos! … Se procura o Ze Rito, já o encontrou, sou eu!
Fiquei a olhar para ele alguns momentos. Mas ele não me re conheceu... Fiquei emocionado... E então disse:
- Sou o Arlindo!
Ao ouvir minhas palavras, levantou as mãos e encobriu o rosto por alguns  segundos, que me pareceram muito longos. Então, quando abriu a concha das mãos que encobriam o rosto, vi que estava a chorar. Abraçamos e pusemo-nos a rir um da cara do outro.
O meu grande amigo, Jose Rito, foi e será sempre um irmão de verdade  que sempre me deu bons conselhos. Meu companheiro de trabalhos e canseiras por muitos anos. Um homem forte de muita experiência. Valente nas ceifas e em qualquer outra lida. Sempre me ajudava para que eu pudesse acompanhar o restantes dos companheiros nos trabalhos que fazíamos juntos.
Tem coisas que não tem preço e são o valor maior da vida… Esta é uma delas!
Arlindo e Zé Rito o encontro de amigos de muitos anos.
Mas foram muitas emoções que eu vivi. Não me levem a mal de as contar aos poucos… Nem fiquem tristes por não nomear todos os que revi e as emoçoes que senti, logo aqui de cara. É bom reviver tudo aos pouquinhos, e voltar quantas vezes quiser nestas memórias, e sentir vezes sem conta, o que tive oportunidade de viver com todos os amigos nesta visita em Castelo Branco.
Do  meu trabalho de repórter, informo que vai demorar ainda algum tempo para publicar. São muitas fotos antigas, algumas de gente que até eu não conheço. Fiz anotações mas, ainda assim, é um tanto confuso. Mas tenho a ajuda de muitos, e nisso e ficou combinado de mandarem email com nomes e historias como a dos Estevais e do Doutor Virgilio, meu Professor, e tantas outras.
Um abraço e até breve a todos

Umas no cravo e outras na ferradura

Hora de trocar as ferraduras.

Tarde soalheira

Autor: Arlindo Parreira
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17/08/2010

Cartão Postal de Castelo Branco

Autor: Arlindo Parreira
Os olhos guardam por pouco tempo as imagens e rapidamente as esquecem e  substituem por outras mais recentes, mas o coração é fantástico, nele as recordações ficam guardadas para sempre em visões que o tempo não apaga.  [AS]
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Pelas fragas das pombinhas

Autor: Arlindo Parreira
Meus amigos, minhas férias foram reveladoras. Pude visitar lugares e situações que ha muito tempo não via.
Tempos atrás o Luís escreveu um artigo que me deixou curioso de vontade de voltar ás pombinhas. Assim para matar saudades ficam as fotos que por lá tirei.
Para reler o artigo, clique aqui
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Um lugar encantador.

15/08/2010

Cursos que melhoram a qualidade de vida do idoso e da sua família

Autor: Nuno Silva                         
conforto e alegriaA empresa Conforto e Alegria Apoio a Idosos e Família, inicia uma nova actividade que será uma grande ajuda para as famílias e pessoas que precisam cuidar de idosos dependentes e não só.
Neste curso são apresentadas de forma simples orientações teóricas e praticas básicas para familiares que precisam cuidar dos idosos, no sentido de melhorar a qualidade de vida e o convívio na sua casa..
O curso é totalmente pratico tem a duração de 12h em média que podem ser distribuídas num período de uma semana.
Durante este período a família recebe orientações dos cuidados que deve ter e como deve fazer para cada uma das situações apresentadas. Cada situação exige um cuidado especial e é por isso que orientamos cada família da forma correcta para a respectiva situação em causa.
Um curso adaptado para cada família e situação.
Para mais informações contacte-nos:
Conforto e Alegria Apoio a Idosos e Família
Rua Martinho da Assunção nº 40- Porto-Salvo - Oeiras
Enfª Maria José Santos Claro
Enfª Maria Angélica Pinto Rua
Telefone: 218049598
E-mail: apoio.ao.domicilio24h@gmail.com
E-mail: contacto@confortoealegria.com

S. Martinho

Autor: Marina da Graça Craveiro
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Partida

Autor: Marina da Graça Craveiro

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Dia do pai

Autor: Marina da Graça Craveiro
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Aniversário de Casados

Autor: Marina da Graça Craveiro

Clique para aumentar

Poesia popular

Autor: Marina da Graça Craveiro
Clique na imagem para aumentar
Clique na imagem para aumentar

Bom dia da amizade

Autor: Marina da Graça Craveiro
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08/08/2010

A cantar…

Autor: Arlindo Parreira
Mais alguns vídeos de momentos de alegria.



Bons momentos são para guardar para sempre e como um bom vinho fica melhor com a idade, assim também o tempo os faz ficar mais intensos e saborosos na memória de quem os viveu.
Aos amigos e cantoras, a melhor lembrança.
Arlindo Parreira

Nossa poetiza Marina Craveiro

Autor: Luis Pardal
É uma agradavel surpresa descobrir mais uma poetiza  de nossa terra, Marina Craveiro. Seus versos aumentarão o rol de autores de Castelo Branco e mais uma vez fica clara a vocação de nossa aldeia como um berço de poetas e autores de primeira água.
Sensibilizou o carinho a estima com que ela brindou em versos a acolhida  da Revisita a Castelo Branco.do nossos queridos Arlindo e Cacilda.
O Arlindo enviou este e outros poemas que serão publicados no site e portal a partir de hoje em uma seção com o nome da Autora.
Senhoras e senhores, Arlindo Parreira, apresenta a estreia de nossa poetiza Marina Craveiro:
Chegaram a castelo Branco
Arlindo e Cacilda
Vieram  visitar
Os amigos e família
Vieram do  Canada
Para a sua terra Natal
Eles estão longe daqui
Por vezes da-lhe saudade

Eles são filhos da terra
Aqui nasceram e criaram
Partiram para o estranjeiro
E daqui se ausentaram

Procurar vida melhor
Era essa a intenção
Para darem bem estar aos filhos
Até  uma formação

É um casal muito querido
Toda gente lhe quer bem
Apesar de estarem longe
Não se esquecem de ninguém

Deus esteve do seu lado
Ajudou-os a ter sucesso
Mas quando bate a saudade
A sua terra regressam

Deixaram lá os seus filhos
E também já os seus netos
Tem que ir depressa embora
Que eles precisam de afectos.

Marina Craveiro

Chegadas e partidas

Autor: Marina Craveiro
Enquanto cá estiveram
O Arlindo não descansou
Fartou-se de  Trabalhar
Tanta fotografia que tirou

O Arlindo demonstrou
Por nós muito valor
E para matar saudades
E só ligar o computador

Chegaram com alegria
Abraçando toda gente
Partem com muintas saudade
Levando todos na mente

A  vossa terra Natal
Levais-a no coração
O tempo passou depressa
Está na hora do avião

O tempo passa a correr
Há que gozar um bocado
Logo voltareis com os netos
A reviver o passado

Um abraço da Marina
Que vos dezeja felicidades
E que a vida vos sorria
Para um dia cá voltares

Agora vou terminar
Muintos beijos desta amiga
Que nunca vai esquecer
A minha querida Cacilda

Marina Craveiro: 11/7/2010

07/08/2010

O garoto da água.

Autor: Isaias CordeiroDSC01144  
O verão estava no seu esplendor. O sol queimava e o ar era quase irrespirável em todo o lado, mantinha-se a máxima de nove meses de inverno e três de inferno.
As ceifas estavam quase terminadas, aqui e ali os “ Rilheiros” esperavam pelos carros de bois que já de madrugada chiavam por todo o lado originando o som característico bem refinado capaz de destruir os tímpanos mais afinados.
Nas eiras novas as medas de muitas ou poucas pousadas cresciam a bom ritmo outras exibiam já o seu cone de encerramento prontas para a fase seguinte. No corredor deixado para facilitar o trabalho já o velhinho Ferguson movia a não menos idosa Tramagal. Muita gente em redor cada um desempenhando uma função, umas melhores outras nem por isso mas que no fundo todas se complementavam tornando possível levar para a tulha o fruto do ano de trabalho, o tão precioso trigo e centeio.
DSC01864Nos Adis, na eira particular da Casa Grande, moinho e até na cortinha do senhor Manuel Rodrigues onde já motor e malhadeira esperavam o término da acarreja e dar inicio á debulha do pão. Quase sempre num ritual de entreajuda, com muito trabalho, suor, sacrifício mas também com alegria e camaradagem bem vincada principalmente quando se comia o bacalhau frito, as sardinhas albardadas, as pataniscas, azeitonas queijo duro sempre bem regadas com o bom vinho desta terra que á data havia com muita fartura. Nem cosco ou moinha retirava apetite e não faltava uma boa pitada de humor.
O personagem deste artigo participou como quase todos o faziam nestas colheitas anos a fio mas curiosamente no ano a que este relato se refere não o fez com a assiduidade habitual.
Terminadas as ceifas na nossa terra quase sempre se organizava um grupo de homens sempre designados por “segadores” que seguia para os lados de Miranda onde por norma as ceifas se faziam um pouco mais tarde. Alguns deles tinham já patrão certo e estes com muito trigo para ceifar e pouco pessoal havia sempre trabalho para muita gente, quanto maior fosse o grupo melhor.
Num desses dias o Senhor Amadeu abordou o garoto e perguntou, queres ir comigo? Vamos segar para Duas igrejas e são mais ou menos quinze dias. Vão também o Zé Çãncio o Ti Fidalgo e o Mudo (Moises).Havia mais um que hoje se desconhece.
O garoto não se fez rogado e sem consultar a família deu um sim bem vinculativo desconhecendo por completo o que o ia esperar. Ceifar já ele o fazia pois tinha já justo e ceifado dezasseis alqueires de semente algures ao cimo da Rodela nesse mesmo ano. No entanto e sendo o mesmo cereal era bem mais forte no planalto Mirandês.
Chegado a casa, dado conhecimento á família e obtida autorização era hora de preparar a sarapilheira e nela colocar alguma roupa a foice e uns dedais. Cerca das dezasseis horas do dia seguinte lá estava a equipa a apanhar a carreira do Cabanelas essa que fazia o trajecto Barca Dalva- Miranda do Douro. Pelo caminho iam contando ao garoto que para ali é que havia trigo forte e alto e em certas poças quando dobrados não se via ninguém a segar.
Cerca de duas horas depois estávamos em Duas igrejas terra onde o Amadeu era sobejamente conhecido e dispunha de patrão por serviço prestado em anos anteriores. Saímos e uns metros á frente um velhote bem castiço vem ter com o Amadeu, cumprimentou-o e disse vamos andando para casa! Assim foi, não ficava muito longe da paragem, abriu a porta e disse para se sentarem. O Amadeu que a partir daquele momento já tratava o velhote por patrão dada a confiança e pelo jeito em tom de brincadeira que usava na lide com as pessoas dizia-lhe que eram poucos mas lá na terra não tinha mais gente para ir segar.
Até aqui nada de anormal, possivelmente o velhote nem sequer tinha reparado num pormenor só que uma outra porta foi aberta da qual saiu a velhota dona da casa cumprimentou o Amadeu e ao olhar para o rapaz em tom de admiração disse bem alto “”Oh Amadeu trazes o garoto para a água? Podia até ter ficado atrapalhado mas não, como sempre o fazia na brincadeira respondeu. A patroa não se preocupe só paga o que ele merecer e a propósito, onde vamos começar amanhã? A velhota olhou para o marido e como este não disse nada respondeu ela, na Cortinha Grande Amadeu, já sabes onde é não sabes? Sim aquela que tem uma grande poça não é? Sim, sim. Olhou para o garoto de soslaio e entre dentes disse-lhe, tiveste azar para começar, se tiver o pão como o ano passado é muito mais alto do que nós.
O patrão tirou o relógio do bolso, deu uma espreitadela e disse, será melhor comer alguma coisa e depois descansar. Assim foi, pôs na mesa um pão, presunto ,bacalhau a cortar da peça e um grande jarro de vinho, sim porque todos bebiam incluindo os patrões. A patroa entregou umas mantas e disse ao Amadeu para irem dormir á curralada. Na manhã seguinte ,bem cedo já todos estavam na dita cortinha incluindo o patrão. Ao ser de dia iniciaram a ceifa. O garoto foi colocado no meio e as ordens do mais velho eram, uma foiçada aqui outra ali para ajudar o garoto.
Já o sol ia alto quando ao longe o Amadeu viu uma mulher sentada no burro com os alforges. Rápido a conheceu e disse, é rapazes vem ali a patroa nova, a filha do casal
que no dia anterior não se mostrou. Trazia o almoço e á medida que se aproximava já todos a olhavam com curiosidade. O avo mandou pôr a burra na ponta da assucada e o Amadeu foi ajudar a menina a descer numa brincadeira inofensiva dizendo, desça, desça, pode pôr o pé no meu estribo. Até o avo se ria. Já no chão a neta perguntou ao avo, quantos cá tem? Lá do alto via pão a cair e não via lá nenhum segador. Explicada questão, comido o almoço o dia continuou na sua rotina normal.
Assim se passaram quase quinze longos dias de trabalho difícil, normal para os mais velhos mas quase incomportáveis para o garoto que só com muita ajuda do resto da equipa foi possível resistir. No último dia de trabalho foram fazer as contas, mais uma questão tinha de ser resolvida. A geira do garoto! Na mesma mesa onde á chegada comemos conferiam-se os dias de trabalho e pequenos pormenores.
O patrão perguntou, Amadeu quanto devemos pagar ao garoto? Olhe, para lhe ser franco não sei apenas posso dizer que ele se esforçou para fazer o melhor que podia honrando-nos a todos. Se eu lhe pagasse a geira igual á vossa ficavam zangados? Em defesa do garoto responderam, não nos importamos e também não íamos receber mais por isso .Todos ficaram contentes, premiaram o esforço e o espírito de sacrifício. Dos intervenientes só o Moisés e o personagem estão vivos. É certo que o garoto lhes estará grato para o resto da vida. Aos que já não estão entre nós paz á sua alma e um até breve.
OBS: O episódio supra foi passado com a família de José Francisco Matos (Também este já falecido) filho do casal referido neste texto. Esta família tem continuidade. A sua neta de nome Fernanda é casada com um rapaz de nome Raul pessoas com quem tive muitas transacções comerciais enquanto responsável pela empresa onde trabalhei. A eles também um cumprimento especial.
Isaías Cordeiro

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