29/04/2010

Um “ranhadouro” albicastrense.

Autor:Alberto Paulo

Sobre o portal “Revisitando Castelo Branco”.

Há relativamente poucos anos, falarem-me em computadores era como se me falassem em bruxas. Não suportava estas novas tecnologias, embora compreendesse os seus benefícios. Só agora, depois de reformado, e porque gosto de escrever de vez em quando, e as máquinas de escrever à muito que passaram à história, pensei adquirir um computador.
Ainda bem que o fiz. Hoje, acho que tenho o mundo em casa.  E se tenho o mundo, também tenho a minha aldeia, CASTELO BRANCO que eu tanto amo, suas ruas, suas gentes, seus lugares, que eu faço questão de percorrer sempre que lá vou. Já fui ao Rebolal, Olgas, Pombinhas, Cascalheira, Boubedo, Carvalhal … Onde existe agora uma linda lagoa que eu aconselho a visitar.
Mas em casa tenho também o PORTAL DE CASTELO BRANCO, que eu me atrevo a chamar de PORTALMANIA ALBICASTRENCE.Isto porque quando me encontro com alguém que já não vejo à algum tempo, depois dos cumprimentos da praxe, lá vem a pergunta. Já foste ao portal de CASTELO BRANCO? Tem lá coisas novas.E lá ficamos nós a falar da nossa querida aldeia, isto é bom, é como se um ranhadouro reactivasse as brasas meio apagadas do forno. Assim a nossa memória vai sendo reactivada ao ver fotos lindas nas quatro estações do ano.
Ver fotos antigas como tem acontecido ultimamente, e espero que mais pessoas abram o seu baú e nos presenteiem com essas relíquias.
Ler crónicas e comentários como as do nossa amiga Sara e as do o amigo Isaías que numa delas deixaram muita gente com água na boca quando falaram nas merujas.
Do Arlindo, o nosso Regedor que nos esclareceu como eram passadas algumas noites de convívio, graças à falta de televisão e à morte súbita dos perus e pitas.São estas e tantas outras crónicas e comentários que enriquecem o PORTAL que trás unida toda uma comunidade espalhada pelo mundo.
É hora de agradecer ao poeta, escritor e fundador deste PORTAL. O nosso muito obrigado pelo tempo que nos tens dedicado.
Alberto Paulo
Desde 2007 a falar da nossa terra e a reunir amigos...No começo era só para matar as saudades do autor, mas aos poucos começaram a chegar os amigos.Os assuntos cresceram... as saudades aumentaram... e as novidades ficaram cada vez mais frequentes.E o portal começou de facto a reunir os amigos para falar da terra e matarem as saudades. Felizmente e com a participação de todos continua a crescer e a reunir mais e mais amigos...

Anjo da comunhão

Autor: Aida Freitas Ferreira
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Amigo, como prometido cá vai um “anjo”. Um bom exemplar, representativo desta celebração. A fotografia é da paróquia de Meirinhos. Foto do acervo do Exmo. Sr. Padre Norberto Borges com a seguinte inscrição “1977-05-13 – Meirinhos, Comunhão Solene (Antoninha)”.
Contudo, não encontrei nenhuma foto de Castelo Branco. Quem deve ter é a São Pires, a Rita Pires, a Srª Marina Craveiro, pois foram algumas das jovens que em tempos tomar este papel.
O início e o refrão da canção era mais ou menos assim:
“Vinde, vinde criancinhas!
Vois sois riqueza, força e luz!
Vós sois minhas e só minhas,
Comungai.Eu sou Jesus!”

27/04/2010

UM AÇORIANO ALBICASTRENSE parte II

Autor: Luís Fontoura
Lagoa das Sete Cidades
O PRIMEIRO ENCONTRO
S. Miguel, onde nasci, é a maior ilha do Arquipélago dos Açores, composto por 9 ilhas de origem vulcânica, cada uma com características muito próprias.
Quando descobertas (1427?) por Gonçalo Velho Cabral ou Diogo de Silves, não se sabe bem, ambos marinheiros ao serviço do Infante Dom Henrique, eram completamente desertas, mais tarde por este mandadas povoar, inicialmente com animais e em 1439 por emigrantes vindos do Algarve, Alto Alentejo e Estremadura e também por Flamengos e Bretões provenientes do norte da Europa. Esta diversidade de origens manifesta-se ainda hoje na caracterização dos seus habitantes e bem assim nos seus usos e costumes. Daí também cada ilha ter uma pronúncia própria, sendo a mais conhecida a de S. Miguel, com muitas influencias algarvias e alentejanas mas sobretudo dos Bretões.
Fumarolas A sua origem vulcânica revela-se ainda hoje através de várias actividades bem visíveis nas Furnas com as suas fumarolas e nascentes de água quente.
caldeira em actividade
As ilhas são conhecidas pelas suas tranquilizantes e verdes paisagens sendo S. Miguel com suas lagoas encantadas um verdadeiro ex-líbris da região. O mar, com águas transparentes e tranquilas, rico em espécies, permite a prática de várias actividades náuticas. A sua gastronomia, confeccionada com os saborosos produtos da terra e do mar cria deliciosos pratos originais, tornando-a atractiva e muito apreciada. Tudo isto e o seu clima ameno levam a que o arquipélago seja anualmente visitado por milhares de turistas provenientes de todo o Mundo.
Lagoa do FogoAqui cresci e estudei até ao dia em que fui chamado para o serviço militar. Estávamos em Janeiro de 1969.
Nesse dia, senti uma profunda tristeza por deixar a ilha que me viu nascer e tudo o que ela para mim representava. Deixava pela primeira vez pais, irmãos, avós, amigos e todas as minhas referências.
Mas ao mesmo tempo uma curiosidade muito grande por estar finalmente a caminho da mítica Lisboa, que conhecia somente pelo que lia nos poucos jornais que chegavam à ilha com dias de atraso e da rádio que dificilmente se ouvia.
Chegado a Lisboa, uma longa viagem de comboio levou-me a Tavira para aí iniciar o curso de sargentos milicianos. Não foi difícil perceber que uma nova etapa na minha vida estava a começar, tempos duros viriam.
Pouco tempo depois recebia notícias do meu tio Guilherme. Convidava-me a passar uns dias com ele, era a primeira oportunidade para nos conhecermos. No Carnaval venho a Lisboa, num encontro que se fez na Praça das Cebolas, onde me foram esperar. Para o reconhecer, ficou combinado que meu tio levava um jornal debaixo do braço. Assim foi. Lá estavam ele e a tia Salete à minha espera. Foi um momento que ainda hoje recordo e guardo. Depois foi a vez de conhecer meus primos, Otília, Valdemira e Luís.
E levaram-me até Odivelas onde vivia meu tio António e suas filhas Matilde, Lucília e Fernanda.
Era o primeiro contacto com a família de cá, a família de Trás-os-Montes, a família de Castelo Branco de Mogadouro, a família da qual sempre ouvira falar toda a minha infância e que sempre desejei conhecer.
Fui recebido de braços abertos e acarinhado por todos. Rapidamente fizeram-me sentir que era da família. Rapidamente senti que estava em família.
Tão bem me sentia com todos que sempre que a tropa me permitia e sempre que possível lá vinha passar um fim-de-semana, retemperar forças, ora a casa de um ora a casa do outro, sempre acolhido com inexcedível carinho.
Nasceu assim uma bonita e profunda amizade com todos, que se mantém até hoje. Aos que entretanto partiram, a minha gratidão sem limites pelo muito que me deram. Recordo-os com profunda e comovida saudade.
Chegou a minha vez de participar nas guerras em África e em Janeiro de 1970 fui até Moçambique onde ao chegar a Lourenço Marques, hoje Maputo, esperavam-me meus primos Luís Carreiro e seu irmão Virgílio, filhos da tia Arminda e Tio Celestino.
Durante a minha permanência em África fui mantendo contacto com todos os que já conhecia e esse contacto fez crescer em mim um desejo ainda maior de visitar a aldeia.
Acabada a comissão de serviço regresso às minhas origens atlânticas, mas quis o destino que o encontro com a aldeia estivesse para muito breve.
Brevemente iria finalmente conhecer Castelo Branco de Mogadouro
Um abraço albicastrense temperado com um pouco do sal açoriano.
Luís Fontoura

Mantos de Flores, encostas com beleza!

Autor: Isaias Cordeiro
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DSC01123 CORES DA NATUREZA
Num regresso a casa e depois de tratados alguns dos assuntos que á Vila me levaram, na passagem por Zava apeteceu-me abrandar a marcha logo no inicio da descida para melhor apreciar a beleza que a Primavera nos proporciona em todos os campos aqui e ali salpicados das mais variadas flores silvestres num misto do verde – amarelo predominante.
Olhando para a serra até onde a nossa vista alcança vemos a paisagem que em nada se parece com a imagem de anos anteriores pois já nesta altura proliferavam incêndios sobretudo florestais. As chuvas vindas, contínuas e em quantidade quanto baste para dar vida a qualquer ribeiro ou riacho transformaram os solos em autênticos tapetes que a própria natureza se encarregou de tecer.
DSC01107Já na recta tive que parar! As modernices a isso nos obrigam já que não devemos conduzir cavaqueando ao telemóvel. Aí fui percorrendo com a vista pedaço a pedaço e fiquei surpreendido quando lá longe vi o que me parecia mais ser uma tela pintada por mãos hábeis do que a vista habitual de montes e vales.
Fui-me aproximando do local, conferi toda a beleza ali á minha frente, não hesitei em tirar umas fotos e partilha-las colocando-as á disposição dos leitores atentos.
Um amarelo totalmente silvestre, um verde sim que a mão do homem semeou e por ser em terrenos pertencentes a Vale de Porco que tem uma vasta comunidade tão bem recebida pelo País irmão levaram-me bem longe, Brasil! Porquê?
DSC01126 Imaginativa ou não e arco-íris naquela hora e tempo não era de certeza, pareceu-me ver a Bandeira do Brasil, estava lá mais abaixo ainda um pouco longe num rectângulo onde nem sequer faltam as oliveiras aqui simbolizadas pelo verde e amarelo. É verdade que não tem o disco azul ao centro mas tem Ordem no desenho e Progresso que são desejos de futuro melhor, estrelas cintilantes e a noite com uma pitada de Luar que mais parece o de Agosto.
Vale de Porco que por acaso é a aldeia onde a minha mãe nasceu tem como acima disse uma vasta comunidade no Brasil. Ela própria lá perdeu um irmão.
Ali se sentem felizes, trabalham, amam e são amados e merecem esta pequena referência dos que deste lado com eles partilham amizade. A Bandeira que retrato está visível por pouco tempo é certo, a natureza dar-lhe-á o seu término e encontra-se no meio da pequena recta depois do cruzamento no sentido de Castelo Branco.
A nossa Primavera fez jus em ofertar estas imagens aos conterrâneos de Vale de porco no Brasil.
Espero que lhes dê alento a todos e as imagens se para mais não valerem que perfumem ao menos o grande abraço que a todos envio.
Isaías Cordeiro

Em Portugal há mais idosos que jovens

Autor: Nuno Miguel Claro Da Silva

Todos sabem, que há mais Idosos do que jovens em Portugal, os dados o afirmam. Como nos mostra os do Instituto Nacional de Estatística, daqui a 50 anos, o país vai ter três idosos por cada jovem. Actualmente, há 116 idosos por cada 100 jovens. A tendência de envelhecimento regista-se um pouco por toda a Europa.

Se existem mais Idosos que jovens, se são mais dependentes (“o ser humano é duas vezes bebé ao nascer e ao morrer”), quem irá cuidar? quem paga as reformas? como pagar as suas necessidades? Com que dinheiro?

Conforto & Alegria uma empresa de serviços focada em pessoas. Fazemos com o coração e muita alegria.“Só paga o que puder”!Telf: 21.441.0453 e 93.952.4343

A Empresa Conforto e Alegria. surge de um olhar para os Portugueses em geral, e para os nossos familiares em particular, quantos de nós já colocou a questão como será quando os nossos pais envelhecerem? Como vou fazer com um ordenado de 1200 euros? Se as empresas de apoio ao domicilio privadas tem os preços acima da média? Uma interna é no mínimo 475 euros, em suma, como fazer: não se vai deixar o trabalho, deixamos os idosos em casa o dia todo? onde em nossa casa que é um T2, na casa deles que fica no norte, sul,..colocamo-los em lares que no mínimo são 1500 euros, ou vão para um lar onde se paga 600/700 euros, mas que são o inferno em vida…fazer mais um crédito para cuidar do meu pai/mãe/avó /avô/tio(a)/irmão(a), e quem paga?

Face a este problema bem visível, foi fundada a empresa CONFORTO E ALEGRIA. Uma empresa de serviços com apoio a idosos e família (englobando crianças, grávidas, deficientes, entre outros), com duas lojas uma em Lisboa Oeiras (Av. Das minas Gerais, 6B – 2780-024 Oeiras) Telf: 214410453 e 939524343, e outra no Porto. Com o lema “só paga o que puder”, para apoiar Idosos e Família, 24h por dia, 365 dias por ano…

Os serviços a que nos propomos são múltiplos e variados tais como:

SERVIÇOS DOMICILIÁRIOS:

  1. Necessidades pessoais:
  2. Higiene e conforto pessoal;
  3. Tarefas domésticas (Limpeza, tratamento de roupas, arrumações, cozinhar, entre outros…),
  4. Apoio nas refeições;
  5. Apoio na toma da medicação;

NECESSIDADES GERAIS:

  1. Tratamento de roupas;
  2. Lavandaria;
  3. Pequenas reparações domésticas;
  4. Adaptação ao lar;
  5. Pagamento de contas;
  6. Aquisição de compras;
  7. Acompanhamento ao exterior;
  8. Costura;
  9. Meios de transporte;
  10. Outros serviços a acordar.
  11.  

ASSISTENCIA DE ENFERMAGEM:

  1. Encaminhamento médico;
  2. Pensos;
  3. Injectáveis;
  4. Entubações;

FISIOTERAPIA:

  1. Reabilitação;
  2. Massagens.

Conforto & Alegria uma empresa de serviços focada em pessoas. Fazemos com o coração e muita alegria.“Só paga o que puder”!Telf: 21.441.0453 e 93.952.4343

25/04/2010

Longe dos olhos mas perto do coração

Gravura da Casa Grande gentilmente enviada por Jose Pimentel ou Zé Sanches como todos conhecemos.
Uma gravura do Zé Sanches e, um poema do Alberto Paulo, são mais que suficientes para dizer que Castelo Branco só está longe dos olhos mas perto do coração.

RECORDAÇÕES
I
Eram tempos já passados,
Eu era ainda criança,
Lembro charruas, arados,
E sementeiras de esperança.
II
Lembro ranchos a ceifar,
Gente amanhando a horta,
Criancinhas a nadar,
Lá prós lados da retorta.
III
Lembro do ferrador,
Do trolha, do albardeiro,
Com a serra o serrador,
Com o martelo o latoeiro.
IV
Do Inverno lembro a neve,
Dos suínos a matança,
Da taberna o que se bebe,
Sob o olhar duma criança.
V
Lembro da minha rua,
Nas noites de escuridão,
A luz de então era a lua,
Ou o fiel lampião.
VI
Lembro de ir à escola,
Depois do sino tocar,
À tiracolo a sacola,
E os livros para estudar.
VII
Lembro da Sra. Luzia,
Da Sra. Elisa Praça,
Que com a sua alegria,
Contamina quem passa.
VIII
Lembro da missa do galo,
Da fogueira do Natal,
Do Menino, de beijá-lo,
Junto à pia baptismal,
IX
Vou reter na minha mente,
Recordações de criança,
Quem não recorda não sente,
Que o mundo é de esperança.
X
Nasci em Castelo Branco,
Há meio século e tanto,
Sou trasmontano de gema.
À minha aldeia futura,
Eu dedico com ternura,
Este simples poema.
Poema da autoria de : Alberto Paulo
Mais poemas do autor no Portal de Castelo Branco

21/04/2010

Um diário de bordo rico de talento.


“O essencial é invisivel aos olhos… “
Detalhes são muito importantes. Por vezes estão bem na frente dos olhos e não os vemos. Foi assim comigo. De tanto receber os artigos e as crônicas da Aida, deixei passar e não fui visitar o blog dela. Hoje finalmente abri o link e fiquei pasmo e surpreso com o talento.
Uma descoberta que quero partilhar com todos. Recomendo que visitem! Vão descobrir o porquê de minhas palavras e, sobretudo um talento nato que precisamos conhecer melhor e admirar.
Aida, parabéns, e obrigado!
Visitem!
Pagina de abertura do site da Aida. Uma visita que vale fazer!!!
os retratos ...
De entre os muitos esquiços hoje procurei alguns retratos.
Os materiais usados são variados dependendo às vezes do lugar e da ocasião que os motivam. Os modelos, voluntários ou não, foram a minha mãe, o meu afilhado, eu, o meu irmão, o meu avô, a minha amiga marta e os gémeos.
As técnicas vão do grafite, ao carvão, ao lápis conté, à caneta e à guache seca.


 




De entre os muitos retratos que vou esboçando escolhi alguns para colocar nesta postagem.
Publicada por Aida Freitas Ferreira em 08:47 0 comentários

Olhares por Castelo Branco

Foto: Aida Freitas Ferreira
imagens

20/04/2010

Site para conhecer e visitar

Autor: Guilherme Sanches
Este espaço virtual, que me surgiu criar com algum carácter de urgência, em boa verdade para aproveitar o nome (ainda) disponível e ligá-lo à nossa Associação na blogosfera, pretende ser um ponto de encontro onde se fale de cogumelos, em toda a sua abrangência.Estejam portanto à-vontade, participem, participem sem se sentirem constrangidos por manifestar alguma ignorância, pois não vão estar sozinhos, eu também já cá estou. Curiosidade e interesse, são mais do que suficientes para justificar a sua presença.Todos os aspectos de carácter mais científico, espero que outros mico-companheiros de boa vontade aqui venham colaborar e dar um apoio qualitativo a este espaço que é de todos e está desde já à vossa disposição. Guilherme S. ( Clique na Imagem para seguir Link)
Observação: Este artigo foi autorizado pelo autor: Guilherme Sanches e foi publicado integralmente conforme original do blog: http://pantorra.blogspot.com

 


É assim - Parte I

Sexta-feira, 18 de Abril de 2008

Pantorra, saída de Primavera, Mogadouro.
Junto à ribeira de Vale de Porco, pelos lameiros ainda molhados pela chuva da noite, passa-se tudo a pente fino, de erva em erva, à procura de um cogumelo que valha a pena. Há sempre um coordenador que sabe tudo, o nome vulgar, o nome científico, a variedade, a cor, o sabor, o cheiro, etc, etc e ainda mais etc.
É uma delícia ouvi-los.
E se não houver cogumelos, há grilos ou vacas-loiras, orquídeas ou junquilhos, ou outras flores que são verdadeiros colírios para os nossos olhos.
É assim o contacto genuíno com a natureza "de certo", "de-certo" ou simplesmente "decerto", tanto se me dá.
Publicada por Guilherme S. em 4/18/2008 12:34:00 PM

É assim - Parte II

Depois, num espaço que há 50 anos foi uma antiga escola da Barragem de Bemposta, que o Manuel admiravelmente reconstruiu e reconverteu em casa de habitação/turismo, e que generosamente disponibiliza, ali mesmo nas bordas do Planalto Mirandês a mirar Espanha, reúnem-se os cogumelos comestíveis colectados, que são escolhidos, separados, lavados, cortados... (não perca o próximo episódio)
Publicada por Guilherme S. em 4/18/2008 02:52:00 PM

É assim - Parte III


... enquanto os voluntariosos companheiros e companheiras de lides, escolhem e preparam outras especialidades entretanto também apanhadas - Espargos selvagens e Norças (ou serão Norsas?), que muitos estranham que a gente coma, por serem consideradas venenosas (atenção, não tentem imitar este número em vossas casas, isto é feito por profissionais altamente qualificados e treinados!).
O melhor (digo eu) vem depois - o produto acabado. Os ovos mexidos com as ditas norsas, as batatas guisadas com cogumelos, a tarte de cogumelos com base de farinha integral e top de creme gratinado, o pão de urtigas, as alheiras, chouriços, chouriças e os queijos locais diversos, para além de um infindável rol de petiscos previamente preparados e apresentados a desfilar na passarelle gastronómica a caminho dos nossos esfomeados estômagos.
É assim a parte social da Pantorra.
Mogadouro, saída de Primavera, 12 de Abril de 2008.
Publicada por Guilherme S. em 4/18/2008 03:09:00 PM


Sonhos "de" Cogumelos



Não sei os sonhos são um doce conventual ou prisional, mas são seguramente originários de alguém que tinha todo o tempo do mundo.
Para mim, fazer sonhos é um pesadelo. Mas mesmo assim, gosto
Esta receita tem duas variantes, muito próximas mas significativamente diferentes
RECEITA 1
Ingredientes:
Cogumelos Agaricus (vaiedade "supermecadus") frescos
Cogumelos Boletus Edulis fatiados, secos
Açúcar
1 Laranja
Farinha
Ovos
Azeite
1 limão
Vinagre balsâmico
Faz-se assim - de véspera, cortam-se os "champignons" e a laranja em fatias de 3 a 4mm (foto 1). Numa taça (malga, tigela) vão-se colocando arrumada e sequencialmente camadas de - açúcar, laranja, cogumelos, açúcar, cogumelos, laranja, fechando com com laranja coberta de açúcar. Sela-se com plástico aderente de cozinha e guarda-se até ao dia seguinte (foto 2).
No dia seguinte, hidratam-se as fatias dos Boletos, coa-se a água, que é bastante aromática, e usa-se para fazer a massa dos sonhos (se não souberem como se faz a massa dos sonhos, perguntem à Tia Lai, mas é fácil - a tal água, um belo fio de azeite e um pouco de sal, a ferver numa panela, a que se junta de uma vez só a farinha; mexe-se energicamente, retira-se e deixa-se amornar; vão-se juntando um a um os ovos - proporcionalmente, 12 por kilo de farinha - que se misturam com a massa à mão; depois de bem misturados e a massa bem mexida, está pronta a fritar)
Deita-se a massa aproximadamente do tamanho de uma noz numa caçarola com bastante óleo pouco quente, e deixa-se fritar lentamente (é aqui que os sonhos se transformam em pesadelos). até crescer bastante e se transformar em sonhos douradinhos Se a massa estiver bem feita, nem sequer é preciso virá-los, eles encarregam-se disso.
Entretanto, durante a noite o açúcar extraiu os sumos da laranja e dos cogumelos, cujas fatias endureceram e se desidrataram, ficando a taça com um xarope misturado (foto 3). É um xarope naturalmente doce, com sabor a cogumelo realçado pelo aroma e sabor da laranja. Coa-se tudo (foto 4) para retirar pequenas partículas que se separaram, e deita-se o xarope com as fatias dos cogumelos numa sertã a quase caramelizar lentamente.
Como o sabor dos cogumelos com o xarope (apesar da laranja) pode ser ainda um pouco enjoativo, vamos vamos avivá-lo juntando-lhe traço de vinagre balsâmico e quase no fim duas ou três cascas de limão muito finas e mais umas gotas de sumo de limão.
Pode-se juntar também ou "em vez de", uma folha de menta ou de hortelã, mas é um risco pois por serem muito aromáticas podem desvirtuar por completo o gosto dos cogumelos.
A apresentação (imagem grande) é ao gosto de cada um - com o molho já vertido sobre os sonhos, ou numa taça separada.
RECEITA 2
É quase igual à anterior, para o caso de não terem ou não querer usar Boletos.
De véspera faz-se tudo igual, mas escolhem-se os cogumelos mais pequeninos (ainda fechados) que não se fatiam, colocam-se inteiros ou partidos a meio, no açúcar.
Estes cogumelos são separados, escorridos e polvilhados com açúcar para não escorregarem, e os sonhos são feitos com coração de cogumelo - colher, massa, cogumelo, massa, colher (foto 6), ao estilo de pastel ou bolinho de bacalhau - e fritos como os anteriores.
A grande diferença, está no resultado final - como pérolas em ostras, o abrir dos sonhos revela um cogumelo doce no seu interior.
Ambas as receitas são originais e até hoje, têm tido a aprovação unânime de todos, incluindo os que dizem que não gostam de cogumelos (cá para mim eles têm é medo!...)
Experimentem e disfrutem.
Publicada por Guilherme S. em 4/21/2008 12:36:00 PM

Tempo de podar e lavrar as vinhas

Autor: Luis Pardal.
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Lembro com muita saudade desta época, e dos trabalhos de podar,  lavrar e, arredar as vinhas. Cresci á volta das parreiras. Meu pai dizia que fui encomendado debaixo de uma na nossa vinha da rodela. Não duvido disso.
Alem dele, meu avó Antonio plantou vinhas nas figueirinhas, vale de viado, prado de carriçais, e no boboedo. Em todas tinha uvas de boas e variadas castas. Na nossa casa sempre tivemos vinho muito bom.
Nossa região e distrito, está sujeita  a geadas fortes todos os anos que põem em risco as rebentações temporãs. Assim meu avó e pai e a maioria dos conterraneos só podavam as vinhas pelos fins de fevereiro ou começo Março.
Depois da poda, era hora da lavra. Meu pai sempre fez estes trabalhos  com uma junta de machos, não gostava da lentidão dos bois ou vacas. Era enérgico e gostava de fazer as coisas de forma rápida e eficaz. Como sabem na lavra das vinhas tinham que ser postos em um jugo mais estreito para poder entrar nos valados e chegar com a charrua o mais perto possível das cepas.
Os valados eram estreitos e lavrados por inteiro de ponta a ponta. Por melhor que fosse o lavrador sempre sobrava trabalho para fazer á mão com os ganchos ou sachos. A charrua e o arado não iam muito perto das parreiras pois tinha risco de as arrancar ou danificar os rebentos. Nisto sempre ficava uma boa porção de terra entre as parreiras que obrigava a cavar para tirar a erva. Este trabalho era feito nos ganchos para arredar a terra, tirar ervas daninhas, e deixar as cepas arejadas e livres de plantas que pudessem disputar a água e mantimentos.
Era lida para alguns dias. Normalmente as férias da páscoa caiam sempre nesta época e eu voltava todos os anos para o seminário com as mãos cheias de calos que me faziam lembrar durante um bom tempo dos dias na aldeia a arredar as parreiras. Minha mãe dizia que era para me agarrar com mais ganas aos livros a estudar. Um santo remédio…
Apesar do trabalho duro, sempre lembrava e, lembro ainda, com muitas saudades, das merendas que comiamos juntos, sentados á sombra de alguma oliveira. Minha mãe dizia que a hora de comer era sagrada. Uma toalha estendida no chão e todos sentados à volta dela.
No farnel da merenda quase sempre havia um pouco do fular que sobrara da páscoa, pão, azeitonas, presunto, queijo, alguma chouriça e alem disso nunca podia faltar uma cantara de barro com água fresca colhida de alguma fontaela localizada perto da vinha. Para os adultos sempre tinha a “bota” do vinho, que refrescava a goela e enchia com novo alento e força os ânimos para continuar os trabalhos.
A poda tem seus segredos e arte. Poucos tinham na mão e nos olhos o dom de saber ver com propriedade por onde começar e como fazer.
folhas das parreiras Lembro com saudades destes gestos feitos vezes sem fim,  do inicio ao fim do dia pelo meu pai e avo. Estes podadores ficavam parados a olhar a parreira em silêncio no mesmo jeito de quem estuda um mapa. Olhos espertos e atentos olhavam primeiro para a vide e a estudavam para entender como foi a rebentação e desenvolvimento do ano anterior. A grossura e a saúde das vara diziam quais seriam ou não mantidas e em quais valia a pena apostar para uma boa frutificação.
Depois desta análise experiente era a hora do corte das vides. A tesoura de poda era guardada como um tesouro de um ano para o outro e por mais que eu tentasse não me deixavam chegar perto dela para brincar por nada deste mundo. Tinha que estar bem afiada para cortar bem, com um "golpe" só, sem deixar rebarbas. Por isso a mantinham fora do meu alcance.
parreias a chorar Sempre me impressionou muito o choro das parreiras. Meu pai dizia que elas choravam por lhes cortarem os braços mas que era um choro de alegria pois não teriam uvas se não as podássemos. Confesso que algumas vezes eu cheguei a beber da seiva que corria solta das vides cortadas, para ver que gosto tinha. Um gosto adocicado com sabor de terra e vide que em nada lembrava o vinho. Fiquei decepcionado. Na verdade tinha gosto de lágrimas, lagrimas de parreira.
folha_nova_02 Mas a poda continuava e ela é na verdade o tratamento da vara que vai dar a próxima rebentação. Lembro que tanto meu pai como meu avó deixavam pelo menos dois "ôlhos"  ou mais dependendo do estado da videira, e que por vezes tabem se deixavam alem da vara o cepo, ou serroteavam parte da cepa para fazer com que ela rejuvenescesse.
As demais vides eram cortadas rentes para fazer a limpeza da base. No fim do dia recolhiam-nas em molhos e eram amarradas com vencilhos de centeio e amontoados em um canto da vinha para secarem e depois serem levadas para casa e servirem de lenha para o forno ou aquecer a lareira. Na aldeia nada se perdia tudo tinha um uso ou serventia.
Mas o que mais gostava de ver e ouvir eram as sentenças que tanto meu pai quanto meu avo gostavam de dar do serviço da poda alheia. Sabem do que falo: Ao andar pelos caminhos que passam perto das vinhas pode-se observar o trabalho feito. Quem passava sempre ficava a reparar se a poda estava ou não bem feita. Quem sabe, nota o bom serviço e antevê o resultado para bem ou para mal. E como eles diziam: “Ele há lá podadores e os outros que se dizem, mas na verdade só cortam uma vides, e o pior de tudo é que acreditam que mesmo assim podem esperar que o ano seja propício.”
Tempos bons que foram embora. Nos anos 60 a vinha constituía depois da cultura do centeio e trigo a maior das extensões cultivadas. Nesta década ocorreu o grande surto emigratório que despovoou nossas aldeias.
Assim as vinhas de valados estreitos ficaram cada vez mais difíceis de manter pela falta de mão de obra que as cultivasse. A lavra com as vacas, machos ou mulas feitas de forma artesanal e muitas voltas que a terra levava eram feitas no arado charrua, nos ganchos e sacho por muitos jornaleiros que com isso ganhavam a vida, o pão e o vinho. Um dia inteiro para ganhar alguns escudos. Para os mais novos, o equivalente a aproximadamente dez cêntimos.
Assim chegamos aos anos 80 e a falta de mão de obra ficou cada vez mais notada. Começa então um arranque parcial: valado sim, valada não para que se pudessem lavrar as vinhas com os tractores. A partir de 1986, chegaram os subsídios da CEE para arranque da vinha. De forma desenfreada estes fundos e os donos afoitos ao dinheiro enganador, agiram sem perdão e sem remorsos, piores que a mais destruidora das molestias e liquidaram a tradição de séculos, e as vinhas uma após outra, foram sendo quase todas arrancadas e extintas.
As cepas que antes se enchiam de cachos maduros de malvasia, verdelho, ou touriga agora serviam de lenha nas lareiras. Quero crer que é por isso que as pareiras choravam e choram por tanto desleixo e insensibilidade.
A paisagem mudou quando foram retiradas as enormes manchas de verde, o vazio dos campos deixou a paisagem mais árida. O pior é que não voltaremos a ver o verde das parreiras, nem o vinho excelente que sabemos que estas terras davam.

Os bancos de pedra do Vale

Autor: Aida Freitas Ferreira
casa moura ferreira
Amigos albicastrenses.
Nas fotos do acervo dos meus avós encontrei este exemplar que mais uma vez faz jus ao bancos de pedra, que tradicionalmente, eram colocados junto às portas das casas para "convidar " ao convívio entre vizinhos e os que passavam pela rua.
O Vale é para mim,  uma zona muito querida, aí moraram os meus avós e mora grande parte da minha família e, consequentemente aí passava grande parte do meu tempo.
Adorável banco de pedra este junto à casa das Mouras, ou do Sr. Alberto Ferreira (de quem recordo as brincadeiras e os acordes do bandolim).
Posso dizer que esta casa é hoje e há muitos anos ligeiramente diferente, sim ligeiramento pois apenas as paredes de albenaria das escadas foram cobertas e pintadas, bem como a varanda recebeu umas grandes novase mais seguras para as crianças. Os degraus parecem-me os mesmos. As pessoas, algumas são ainda as mesmas.
Aquele que todos, de certeza, lembram é o Sr. Acácio Costa, que viveu quase até aos cem anos. Engraçado é que nesta foto ele já era bem velhinho, aí uns Setenta anos, e já apresentava aquele ar calmo e meigo que sempre o caracterizou.

18/04/2010

Prole dos Frontouras

Autor: Luis Fontoura
Castelo Branco - primas
Envio-te Luís, esta relíquia que nós albicastrenses dos Açores  guardamos desde o inicio dos anos 50.
Convidamos minha prima Cacilda Carreiro que julgo estar nesta foto a desvendar todos os outros?.
Até sempre
Aquele abraço albicastrense temperado com sal açoriano
Luis Fontoura

17/04/2010

Instantâneo…

A senhora Carminda a caminho da ribeira com cesto á cabeça ( Alheia a tudo a vaquinha leiteira faz pela vida)
A senhora Carminda a caminho da ribeira com cesto á cabeça ( Alheia a tudo a vaquinha leiteira faz pela vida)
Fotos gentilmente cedidas por Carminda Freitas.

OS LAVADOUROS DA NOSSA RIBEIRA.

Autor: Isaias Cordeiro
Cortinha do senhor Virgílio Neto encostada a parte de cima da ponte nova. Na foto: (da esquerda para a direita) . A criança é a Carmo filha da senhora Carminda Freitas a seguir a senhora Isaura Ribeiro. Desconhecemos quem são os restantes.No dia da matança do porco e após o almoço as mulheres quiseram ir á ribeira lavar as tripas. Atendido o pedido e por não ser possível ir mais próximo fomos até a curva do Baboedo por cima na nora.
Aspecto da ribeira no fim do verão.A ribeira em nada se parecia com as fotos que ali tirara no dia 25 de Setembro de 2009.
De um pequeno charco nessa data até a um caudal que impressionava lá se arranjou um lavadouro, mal engendrado é certo mas o quanto baste para de imediato me vir á ideia o que seria engraçado uma reconstituição desta tarefa no seu todo feminina e quão bela que era!
Lancei então um desafio às duas mulheres presentes e como se compreende a resposta foi um não já que água estava muito gelada. Deixaram para mais tarde esse assunto mas prometendo dele fazer parte num futuro muito próximo em tempo mais moderado e de preferência lá mais para o fim da primavera.
Ponte velha vendo muita água passar Sobre esse evento não deixei de conversar com algumas pessoas entre as quais aquela que sempre se disponibilizou e a quem muito agradeço e envio os meus cumprimentos.
Num destes dias junto á igreja numa amena cavaqueira com um amigo e meu irmão fui surpreendido por essa pessoa, trazia na mão um envelope e dizia com alegria “olhe Isaías, tenho aqui uma coisa que vai gostar, é sobre aquilo que queria reconstituir! Era a senhora Carminda Freitas também ela dedicada a esta causa Albicastrense! Ama esta terra, adora falar da sua experiência dos usos e costumes das tradições, etc.
A senhora Carminda a caminho da ribeira com cesto á cabeça ( Alheia a tudo a vaquinha leiteira faz pela vida) 
A senhora Carminda a caminho da ribeira com cesto á cabeça ( Alheia a tudo a vaquinha leiteira faz pela vida)No envelope duas fotografias datadas de 24 de Abril de 1972 e não sendo elas tão antigas quanto isso dão-nos bem a ideia das alterações no que concerne ao assunto em questão. Estas fotos depressa avivaram a minha mente transportando-me ao passado e quase dispenso a reconstituição. Nelas me revejo também !
Por ali já a minha mãe lavara desde muitos anos atrás . Da Fontaínha ao Canilhão, entre a Ponte Velha e a Ponte Nova e no local que a fotografia mostra, agora bem diferente. Não tem a lameira nem outro local para corar a roupa nem tão pouco é possível colocar os lavadouros. Já ninguém os coloca nem os marca com sendo seus e não há lugar para colocar os cestos de vimes. Não são precisos é verdade, porque aqui e ali os tanques de cimento ás nossas portas davam sinal que se pensava de uma era moderna mas também depressa ultrapassados pelas novas máquinas de lavar que o homem foi inventando.
Os pidornos e carrasqueiras deixaram-se vencer, não são mais necessários para secar roupa, os lavadouros da ribeira, a lameira da córa as cantorias das lavadeiras desapareceram, os pidornos e os carrascos já há muito foram abatidos.
Lembro bem a ribeira sobretudo entre as pontes, os lavadouros de um lado e do outro espalhados e alguns quase encostados aos suportes da ponte velha e até dos pequenos peixes que de quando em vez e depois da espuma do sabão desaparecer nos visitavam como se de brincadeira se tratasse ou um desafio há nossa tentação.
O olmo enorme quase junto há ponte velha, habitação própria de pardais e outros pássaros que nele criavam e viviam todos coabitando num local fresco e de vida sadia.
Não faltava junto ao tronco um pouco palha de centeio onde descansavam os que por ali passavam. Eu próprio ali estive muitas vezes, anos a fio vendo a minha mãe a lavar roupa de muitas casas abastadas da nossa freguesia. Ali partilhamos o pão e o queijo da merenda que as patroas punham no cesto de vimes e quantas vezes ouvi a minha avó Etelvina chamar pela minha mãe dizendo “Oh Idalina vem buscar esta bola para os garotos”.Fazia-o um pouco á revelia do meu avô porque dele tinha medo .Seguia o seu caminho tocando o burro carregado com uma fornada de pão para venda em Vilar de Rei. A verdade é que também eu tinha medo já que por vezes cheguei a ver a minha avó entregar a bola e o meu avô na ponte nova montado no burro, presenciando esta operação. Nada dizia, seguia tranquilamente a caminho do Baboêdo.
Foto tirada por cima da ponte local dos lavadouros. Muitas crianças se juntavam por ali, brincavam, espreitavam o S. João pelas grades e os mais velhos e devotos obsequiavam-no com flores silvestres. Tempos difíceis que esta alegria faziam esquecer. Manter vivas todas estas lembranças é estarmos bem com todos e com nós próprios transpondo-nos ao passado!
Um abraço Albicastrense
Isaias Cordeiro
Fotos gentilmente cedidas por Carminda Freitas.

Uma revisita ao domingo de Aleluia

Autor: Aida Freitas Ferreira
marco da igreja
O passar da meia-noite de ontem deixara água na boca e assim desci a rua em direcção ao adro da igreja na intenção de repenicar os sinos. A vontade ou a saudade por uma água da Soalheira, levou-me a bebericar no marco.
Dobrei a quina da igreja. Já fazia silêncio a calçada pois momentos antes tinha terminado a missa.
porta da igrejacorrente do balado do sinoesquina da igreja
Subi as escadas em passo de corrida. A passagem pelo badalo do sino chamou à memória tempos em que era retirado para evitar o toque constante .
grade no telhado da igrejaportao do sagrado da igreja
O sagrado da igreja. O portão e a grade do sagrado que protegem o acesso ao par de sinos.
Sino da Igreja matriz de Castelo Branco Mogadouro2º Sino da Igreja matriz de Castelo Branco Mogadouro
Por entre os sinos, se avista a Faceira e as Figueirinhas.
Domingo de Aleluia… do campanário da igreja Vista para a Soalheira.

vista da solheira com grades do campanario
Por entre os sinos se avista a Faceira e as Figueirinhas e quase todos os telhados e casas da parte baixa e central da aldeia.
vista dos telhados do campanário virada para a faceira
vista do campanário com o fundo para a faceira
Toquei o sino! A tradição está mantida.
As ruas ao redor da igreja continuam sem gente. O almoço de Páscoa é mais demorado pelos rituais.

casa do sr Raul Afonsoescadas do campanário
Sento-me nas escadas no campanário e guardo a visão das escadas matreiras que resvalam pelo esmerilado provocado pelo seu uso e natural desgaste.
vista das casas da frente da igreja
Pela rua da Igreja vou até ao Largo da Praça. Aí daqui a pouco encontrarei a gente da terra.

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