30/09/2010

O sagrado e o profano!

Autor: Dulce Pombo
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Sabia que a Páscoa estava para chegar, quando já não se ouvia o tocar das Trindades, o som diário que terminava as brincadeiras de todas as crianças de uma aldeia transmontana.
O som dos sinos era trocado pelas matracas que anunciava aos fiéis, a hora dos actos litúrgicos. O Sr. Padre escolhia um jovem que percorria as ruas da aldeia, fazendo soar esse objecto feito de madeira e arame grosso que emitia um som cavo e ritmado, com pancadas secas fazendo lembrar a semana da Paixão.
Os altares da igreja eram desnudados e as flores retiradas. Crucifixos e imagens eram cobertos com panos roxos.
O forno da aldeia era o meu refúgio na noite de sábado, antes do dia de Páscoa. Era lá que tudo se passava e onde me sentia segura e quentinha. Na infância recolhi todas as sensações, olfactos e paladares desta quadra, sentada num canto que não interrompesse a lida das mulheres que relembravam as receitas do ano anterior. Não levavam livros de receitas nem tinham sites de internet para recordar as doses de açúcar, farinha manteiga ovos e afins…
Naquela noite partiam-se os ovos num alguidar de esmalte de cor azul com pintas brancas. Um batedor de arame misturava o açúcar aos ovos e a pouco a pouco a farinha peneirada que era batida aos restantes ingredientes durante longo tempo. Preparava-se o Pão-de-ló para o dia de Páscoa. A mim, cabia-me “rapar” o alguidar com o dedo indicador, fazendo a delícia das delícias do dia inteiro! Na masseira do pão, também se envolviam ovos na massa, se misturava o azeite morno e a manteiga.
Enquanto a massa levedava, mãos “ curjidosas” cortavam as carnes ( chouriças, salpicões, presunto e nacos de carne gorda), que iriam rechear o famoso Folar de Páscoa. Seria o grande ornamento no dia da visita Pascal.
Acendia-se o forno e a minha avó, virava a lenha que ambas havíamos apanhado no monte em dias anteriores. A lenha estalava e pouco depois era varrido o forno e com uma pá, as mulheres iam ajeitando lá dentro os folares assentes em pratos de barro, o Pão-de-Ló e as Súplicas .
Era então que “tudo” começava a acontecer nas ruas da minha aldeia. Alguém me colocava um banquinho de madeira para que eu pudesse espreitar pelo postigo da porta do forno. Para mim era assustador na altura. Era a procissão da Paixão de Cristo.
Na noite escura ecoavam os cânticos das muitas pessoas que levavam velas acesas. Lembro-me de ver faixas de seda roxa numas bandeiras e alguém que dizia que Cristo era levado já morto até ao sepulcro onde Nossa Senhora sua mãe o iria visitar. Já tarde, adormecia sem ver os folares sair do forno. Á meia-noite em ponto, sempre acordava com o redobrar dos sinos que anunciavam a ressurreição de Cristo Nosso senhor. Tocavam toda a noite e eu não mais dormia porque a casa da minha avó era mesmo perto da igreja.
Lembro-me de segunda feira de Páscoa. Nos levantarmos cedo para ir apanhar flores de Mimosa, amarelas e muito cheirosas que enfeitavam toda a nossa rua e por onde viria o Sr. Padre e a Cruz para benzer a nossa casa. Era uma festa, os vizinhos vinham a nossa casa e nós íamos á deles e de á de todos os nossos amigos e familiares. Os folares eram abertos e o dia era de feliz convívio. O meu avô não se entendia com os padres mas nesse dia sempre pegava na sua viola e tocava algumas músicas do tempo dele!
Claro que como eu era criança, não sabia que o ritual nocturno da Paixão de Cristo apenas simbolizava toda a história da sua morte.
Claro que hoje já sei que a Páscoa se comemora há mais de dois mil anos e que só a partir do século II, por determinação do Papa Victor (em 190) era comemorada ao Domingo. No Concilio de Niceia (em 325), decretou-se que a Páscoa deveria ocorrer no domingo seguinte do dia 14 do mês de Nissan, o mês do primeiro mês no calendário de Nipur, largamente espalhado pelo Oriente antigo, que correspondia aos meados de Março ou de Abril. Ou seja, o primeiro domingo da primeira lua cheia que se segue ao equinócio da primavera que se verifica sempre entre os dias 22 de Março e 25 de Abril.
Hoje também sei que os cinco domingos de quaresma que antecedem o domingo de Ramos estão associados a figuras bíblicas:O primeiro a Santa Ana, casada com S. Joaquim, pais de Nossa Senhora. O segundo a Maria Madalena ou Maria Magdala, que vivia em Magdalane, na Galileia e daí o seu nome. Pecadora que se converteu a Cristo, lavando-lhe os pés e secando-os com os seus próprios cabelos. O terceiro domingo, a Rabeca, filha de Bathuel, e esposa de Isaac, filho de Abraão. O quarto a Susana, uma mulher judia, célebre pela sua beleza e castidade, injustamente acusada de adultério. O quinto a São Lázaro, ressuscitado por Cristo três dias depois de morto e por último, o domingo de Ramos, a festa litúrgica que celebra a entrada de Jesus Cristo na cidade de Jerusalém. É também a abertura da Semana Santa. Nesse dia, são comuns procissões em que os fiéis levam consigo ramos de oliveira ou palmeira, o que originou o nome da celebração. Segundo os Evangelhos, Jesus foi para Jerusalém para celebrar a Páscoa Judaica com os discípulos. Entrou na cidade como um Rei, mas sentado num jumento - o símbolo da humildade - e foi aclamado pela população como o Messias, o Rei de Israel. A multidão o aclamava: "Hosana ao Filho de Davi!" Isto aconteceu alguns dias antes da sua Paixão, Morte e Ressurreição.
Deixo como sugestão um filme, que é o musical que mais vezes vi até hoje: “ Jesus Cristo Superstar”
Publicada por Dulce Pombo no blog “coisas mais coisas” .
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Para Ti...

Autor: Dulce Pombo
Uma grande amiga criou um jornal em Tras-os-Montes , o Porquê , e convidou-me para ser cronista. Como era Altura de Natal resolvi ir ao ficheiro das minhas memórias e aproveito para vos desejar um feliz Natal.

PORQUÊ???
Porque será que Trás – os - Montes tem uma magia especial em Dezembro?
Será do cheiro da lenha a estalar na lareira enquanto a água ferve na panela de ferro em que os meus antepassados cozeram o bacalhau, o nabo a batata e a couve na noite de Natal? Ou será que outras razões, muito mais antigas perduram na mágica que nos envolve quando chegamos e ouvimos um sonoro “ Entre”?
E… quando entramos, por cima de nós já quase seco, o fumeiro é o nosso “self-service”.
Gostos e paladares temperados com a sabedoria das mulheres que em água gelada lavaram as tripas no dia da matança do porco. Mulheres transmontanas que em outros tempos mais duros e pobres, do nada aprenderam a fazer tudo! E foi nesse nada que as mãos e a mente descobriram a criatividade de encher uma mesa todos os dias do ano.
Chegar a Trás – os – Montes em Dezembro é como abrir o ficheiro da nossa memória olfactiva. O cheiro da lenha queimada. O cheiro da cozinha que a colher de pau vai apurando. O cheiro do azeite a espremer no lagar enquanto o forno vai cozendo o pão que persiste num ritual de mãos sábias ano após ano!
Por mais “modernices” que o dinheiro possa comprar, nada se compara às velhas tradições! Aquelas tradições que nos fazem ter saudades da terra. Ter saudades da saudação diária do Bom dia, Boa tarde ou Boa noite!
Nasci e cresci numa aldeia de Trás – os Montes e sempre que chega Dezembro me lembro das azáfamas das vésperas de Natal. As mulheres iam arrumando a casa para receber os filhos e netos que viriam de França, da Alemanha ou de Lisboa. Os homens juntavam-se no adro depois de já passada a azáfama da azeitona. No tempo em que ainda não havia casas do povo, havia uma taberna ou um café, onde só os homens podiam entrar para jogar a “bisca”, “ as copas” ou a “sueca”.
Ao fim do dia, o Sr. Padre convocava as senhoras e cavalheiros mais dotados de voz para ensaiar os cânticos para a noite das noites de Dezembro.
Enquanto isso, cabia aos rapazes da aldeia juntar lenha para a fogueira do galo. Grandes troncos de velhas árvores eram empilhados no largo para espanto dos mais velhos. Recolher muita lenha, além de ser uma árdua tarefa era como se de novo o ritual se cumpria para que o ano vindouro fosse quente e bem recheado de abundância.
No dia da consoada reinava pela cozinha uma grande azáfama. Panelas e “ sertãs” (frigideira) não descansavam. Lembro-me de roubar as rabanadas quentes polvilhadas com açúcar e canela. Depois vinham os sonhos, os milhos doces, a aletria, o arroz doce, as filhoses entre outras iguarias que só nesta noite se comiam.
Todos estavam presentes na ceia de Natal. Os mais velhos não viviam em asilos ou casas de repouso, o seu asilo era o nosso coração e a casa dos filhos era a alegria do seu olhar. Eram eles que me ofereciam a melhor prenda da noite. Eram eles que se lembravam de me dar colinho porque a minha mãe andava sempre atarefada para que tudo corresse bem!
De tudo isto me lembro, mas …. Havia sempre, ano após ano um momento de pausa lá em casa. O meu pai sempre perguntava?
- Mas afinal a tua mãe nunca mais chega? Onde ela foi desta vez?Ninguém respondia mas todos sabíamos onde ela tinha ido. Á casa dos meninos que viviam no “Vale” ou nas “Eiras” levar o Natal. Todos colaborávamos nessa partilha. Era obrigação nossa. Partilhar era o verdadeiro espírito de Natal. Mesmo o meu avô que não se entendia com a Igreja, (mas que nunca me explicou bem o porquê), nos ensinou que esse era o momento mais importante do dia.
Na minha aldeia não havia pobres, havia pessoas com menos possibilidades. “Ninguém é pobre senão de juízo” dizia o meu avô.
Na verdade, nem todos tinham aprendido uma arte e a agricultura não matava a fome de famílias numerosas. No entanto, toda a aldeia estava consciente dessa realidade. Não era falada mas era assumida. Todos faziam a sua parte e muitos dos meninos que vestiram roupas minhas, hoje, com muita alegria e orgulho os sei bem sucedidos e realizados. Hoje orgulho-me de os ver também chegar todos os anos em Dezembro com a mesma saudade e nostalgia das memórias de Natais muito divertidos e mágicos.
Desde estes tempos, muitos Natais se passaram, o mundo evoluiu e nós assistimos á missa do galo em directo pela televisão. O Sr. Padre só já agradece que alguém chegue. Já não se beija o menino no final da missa do galo por causa das doenças e nas ruas da minha aldeia não há pobres a pedir, mas da cidade onde vivo, até á minha aldeia, passo sempre por muitos…
Pobreza não é apenas a que pede nas ruas, nem hoje existem famílias numerosas.
Pobreza é estar só! Não ser visitado por família ou amigos no dia de Natal. É não ter coragem de dizer que não tem como comprar o bacalhau. Pobreza é não ter uma mão amiga, um sorriso, um cumprimento.
Ser pobre é não ter saúde!
Não ter Paz!
Não ter alegria em ver os nossos por perto sempre que gostaríamos.
Sempre dizemos que o Natal é das crianças. Eu digo que o Natal é das crianças e dos mais velhos. Das crianças porque são elas o motor da mágica da vida. Dos idosos porque foram eles o motor do sustento da nossa vida. A eles devemos tudo! Absolutamente tudo! A possibilidade de aqui estarmos. A sabedoria da vida!
Os Transmontanos foram sempre gente que laborou em todas as artes e que encheram as feiras de produtos que hoje são importados.
Hoje os Natais deixaram de ter a magia da infância. Substitui-se a magia das correrias da ansiedade pelas prendas do “ Menino Jesus” e pela azáfama da Fogueira do Galo, pelo ar condicionado dos centros comerciais.
Hoje os nossos filhos recebem catálogos com sugestões de prendas de Natal e o “ Menino Jesus” já não se usa. O “Pai Natal” também não se aguentou para passar a ser apenas uma figura comercial que o Marketing tão bem explora.
Mas não é por estas razões que os Natais não são recheados da magia!
Não há magia porque a avó já não faz os “ miotes” (meias) para os netos aquecerem os pés nas noites frias de Janeiro. Nem tão pouco é bem entendida porque a velhice não se usa mais. Nas novelas que vemos, as pessoas não envelhecem e se envelhecem, não se vêm mais. A magia já não é a mesma porque agora se compra tudo feito e os netos passam o dia no computador ou na consola em frente á televisão. E … não há tempo para partilhar em casa, muito menos para partilhar com a comunidade.
Mas também não lhes sugerimos que partilhem, assim não nos incomodam. É mais fácil ser passivo e aceitar que a vida seja monótona. Assistimos á moda do voluntariado em directo e em horário nobre.
Seria menos fastidioso e bem mais interessante que todo o mundo fosse como uma aldeia de Trás-os-Montes que integra todos e faz uma pausa antes de jantar…. Uma pausa que ninguém precisaria de explicar nem filmar para dizer ao mundo que somos generosos.
Ser generoso é algo que brota directamente do coração e é entendido como tão nosso que assume um carácter tão íntimo, incapaz de se auto promover.
A generosidade não deveria ser vendida nem pedida á porta dos supermercados se todos tivéssemos a consciência plena do que significa.
Estamos mais preocupados em viver uma vida consumista. Nada contra os que consomem, apenas um gesto de moderação faria toda a diferença, não só na nossa cidade como em todo o mundo.
Por isso tenho sempre saudade dos Natais numa aldeia em Trás-os-Montes. Na nossa terra há sempre uma couve na panela de quem a não planta. Sempre um “Entre” disposto a abrir lugar na mesa.
Ser Transmontano é saber o sofrimento que as fragas escondem durante gerações. É saber que o meu vizinho é meu vizinho e mesmo que existam algumas diferenças, pode contar com o meu socorro.
A nossa história e o clima nos juntaram em casarios para que entendêssemos o significado da palavra partilha. Não deveríamos deixar que outros valores menos nobres nos separassem e todos juntos conseguíssemos voltar a fazer enormes Fogueiras do Galo.
Seria um verdadeiro modelo de partilha que todos se unissem em volta dessa fogueira para repensar na metáfora do Natal. O renascimento, uma nova vida, um novo ano onde todos se empenhassem em minorar o sofrimento dos nossos mais próximos.
O Sr. Padre ficaria feliz, as nossas avós mais ainda, as nossas mães voltariam a sorrir. As crianças correriam de novo pelas nossas ruas e mais escolas abririam. Escolas de Amor, de Paz e de Harmonia.
Ser de Trás-os-montes significa acreditar no que os nossos antepassados acreditam: Ser possível ser grande em nobreza de carácter e ter a alegria de saber que os nossos sempre voltam á terra e se inspiram.
As memórias que me alimentam na cidade são as das pessoas de Trás-os-montes que na sua tão especial simplicidade e generosidade por nós sempre esperam.
E…agora que um novo Natal nos espera, desejo a todos os Aguiarenses e a todos os transmontanos, a todos os meus amigos e a todas as pessoas do mundo, que juntos renovemos os votos de entre ajuda e plena partilha. Só assim podemos evoluir em direcção a nós próprios e significa essa evolução, o bem comum.
Gostaria de terminar contando a todos os leitores uma pequena história:
“ Um dia há muitos, muitos anos nasceu numa terra longínqua uma criança muito especial que iria mostrar ao mundo o poder da palavra Amor Incondicional. Esse menino viria a ser ao longo da história uma pessoa que guiaria milhões de pessoas a acreditar que é possível ter um mundo melhor. Esse menino nasceu pobre, tão pobre que a sua cama foi uma manjedoura. Mas ele sempre acreditou que poderia viver num mundo melhor e lutou para que isso fosse possível. Foi morto por querer acreditar que era possível todos sermos felizes nesta terra. Deu a vida por nós! Assim rezam as escrituras! “
Se há mais de dois mil anos, com tão poucas ferramentas, apenas um carpinteiro, conseguiu fazer tanto, eu pergunto:
- Que nos faltará a nós que temos tudo á nossa disposição para encetar tão boa obra?
Porque será que não nos esquecemos uma noite de nós em tantas que vivemos ao longo do ano? Porque será que não pensamos nessa mensagem de verdadeira entrega aos que de nós precisam?
PORQUÊ?
( Texto de Dulce Pombo, editado no Jornal Porquê no passado dia 17)
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Abril Águas Mil

Autor: Dulce Pombo
Acordei na madrugada da noite passada com o chilrear de pássaros nas traseiras do prédio onde vivo.
Um tipo de som pouco habitual nesta “urbe” que nunca dorme. Muito distinto dos demais sons que cruzam ruas e avenidas. O ruído do carro do lixo a altas horas da noite, a sirene apressada em salvar mais uma vida, o “pássaro de aço” que cruza os céus e que faz ecoar o som ao qual jamais me habituarei, ou, o vizinho que chegou e bateu a porta do apartamento ao lado com um pouco mais de força que o habitual.
Acordei ao som da melodia fora do comum. … chilrear de pássaros numa árvore do jardim das traseiras. Fiquei sem dormir durante algum tempo a absorver esse bailado de asas sonoras em tempo primaveril.
Pensei: “ Pois é! Já estamos em Abril”
Abril águas mil, o mês que traz o sol de primavera, que faz rebentar a folha mais verde e luminosa. O mês que traz as chuvas que chamam longos arco-iris. Enquanto pensava em tudo isto, a minha mente abriu mais um ficheiro de Trás-os-Montes. Talvez a idade me traga esta nostalgia dos montes mansos e verdes, das fragas serenamente pousadas à espera do sol que as vai secar de tanta chuva.
O mês de Abril em Trás-os-Montes enche-se de cores que desabrocham aqui e acolá. Os cheiros intensificam-se e nas ribeiras ainda se vêm verdes as rabaças, as merujes e os agriões.
Logo a seguir à Páscoa era comum irmos comer o folar à ribeira da Freixeda, nesse dia saímos todos de manhã cedinho com cestas de verga cheias de pequenas delícias que hoje me sabem a “Gourmet”.
Os homens acendiam uma fogueira e as mulheres iam apanhar os agriões na ribeira, pois o tempero vinha já preparado. As crianças tentavam apanhar algum animal imaginário ou seguir as pegadas de um coelho ou espreitar pelos buracos das toupeiras.
Abril trazia os dias mais longos com a mudança de hora e o sol apesar de traiçoeiro, era bem apreciado naquele lameiro de cheiro a erva fresca de hortelã silvestre.
No entanto, nem sempre corria bem. Anos havia em que a chuva de Abril nos surpreendia e todos iam já preparados com os sombreiros pretos tão característicos.
Ao longo da minha infância muitas foram as águas que correram em Abril, mas houve um dia diferente…
Tinha eu dez anos e estava como sempre sentada na soleira da porta de casa, embrulhada no meu fértil imaginário. Como sempre e à mesma hora chegavam os amigos do meu avô que lhe faziam companhia das cartas durante a tarde. Nesse dia o meu avô encheu quatro copos de vinho e disse:
- Hoje já podemos falar á vontade! Acabou a ditadura!
Eu, não entendi muito bem o que eles diziam , mas pela conversa percebi que muitas águas tinham vertido dos olhos de muita gente até aquele dia.
Peguei na minha boneca e corri até casa da minha melhor amiga e colega de carteira de escola. Chamei-a com muito empenho em lhe comunicar a novidade do dia.
Subimos o muro da “cortinha” onde habitualmente brincávamos e eu disse:
- Sabes? Hoje é um dia especial…..já podemos falar á vontade! Acabou a ditadura!
A Adelina, a minha amiga respondeu-me:
- Eu sei! Vamos brincar?
Brincamos toda a tarde com a liberdade que sempre havíamos tido até esse dia. No entanto muitas águas correram após esse mês de Abril!
Apesar de águas mil, que ainda hoje correm pelas ruas do nosso país e por todo o mundo, os pássaros continuam a chilrear nas madrugadas de campos e cidades. Sons que agitam memórias que nos levam a pensar que o passado já lá vai e que no rebentar de cada nova primavera, nasce uma nova flor que mesmo sendo parecida com a anterior, não é a mesma.
A vida num eterno retorno, o ciclo natural que repõe a ordem após longos meses de invernia…
A primavera da vida, pode ter passado mas nunca deixemos de nos deslumbrar com a beleza dos sons do pássaro da nossa alma.
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25/09/2010

União de esforços e sentimentos

Autor: Luis Pardal 
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Ao reler o artigo do Arlindo, sobre a situação de nossa escola, tomo a palavra para falar com todos os albicastrenses especialmente os residentes em nossa terra.
 
Vários conterrâneos expressaram em comentários os sentimentos de tristeza e desilusão com o abandono do prédio. É natural isso que aconteça. A escola remete a todos nós para a fase de nossa vida mais repleta de lembranças e descobertas. Graças aos nossos(as) professoras e professores recebemos nestas salas e carteiras a chave para o conhecimento, um legado que permaneceu em nossas vidas para sempre.
 
Mas precisamos fazer algo mais do que apenas lamentar, precisamos unir esforços.
 
Este momento é oportuno para convocar a todos os Albicastrenses para ajudarem a mudar o destino que terá este lugar tão querido por todos.
 
Pelo que pude apurar e, agradeço aos conterrâneos que me fizeram chegar estas informações, todo o patrimônio escolar pertence a Câmara de Mogadouro e está sobre a gestão da Junta de Freguesia de Castelo Branco. A mesma situação ocorre nas escolas das Quintas e dos Estevais. A junta de freguesia de Castelo Branco é responsável por elas.
 
Apesar do aparente abando, a escola tem dono e não está esquecida, existem planos em andamento, projetos de reconversão, possivelmente para um Centro de Dia e outras atividades sociais.
 
Sabemos o quanto, o dinheiro da Segurança Social escasseia, e desta forma a oportunidade de fazer obras fica na espera e o momento pode ainda não ter chegado. Por isso é hora de unir esforços!
 
É dos que vivem na aldeia a decisão do que fazer. E que esta obra seja realizada de acordo com as necessidades específicas e com o consentimento de todos. É importante que em união com a Junta, se organizem propostas para estabelecer metas para que o objetivo seja conseguido.
 
A nós que estamos longe a obrigação de apoiar as decisões que forem tomadas e mobilizar esforços para que as iniciativas sejam concluídas.
 
Deixo espaço aberto ao Presidente, Secretário, e Vogais da Junta de Freguesia, que muito se têm dedicado à nossa terra, para que nos mantenham informados do andamento dos projetos.
 
Abraço a todos
 
Luis Pardal

Poesia á minha mãe

Autor: Marina Craveiro
Veio para Castelo Branco
Um curso de alfabetização
Eu fiquei feliz
Quando soube, que a minha mãe
Já escrevia com a própria mão.

Tantas dificuldades passou
A minha querida mãezinha
Ela nunca foi á escola
Porque ia guardar ovelhas
Quando era criancinha.

Não era obrigatório ir á escola
Na infância da minha mãe,
Por isso era pastora.
Como eram muitos irmãos
Tratava deles também.

Tinha que ajudar em casa
Porque ela era a mais velha
E pelos prado verdejantes,
Ia a guardar ovelhas
Ajudando o pai dela.

Agora com cabelos brancos
Com 74 anos de idade,
É que foi aprender a ler
Dizendo ela para mim
Que só queria o seu nome fazer.

E ao vê-la tão animada
Fui eu que a incentivei,
Para que fosse á escola
Já que não teve oportunidade
Quando ainda era nova.

Muitas vezes vi minha mãe
Triste e infeliz
Quando queria telefonar,
Para os seus queridos filhos
E o número não sabia marcar.

Agora já aprendeu
A fazer os algarismos,
Anda muito satisfeita
E diz que não desiste
Sem fazer uma conta bem-feita.

Ela mostrou-me o caderno
E as letras do seu nome
Até já vai conhecendo,
Com a ajuda da professora
Também já vai escrevendo.

E, com a idade pesando
Já pede um pouco de descanso,
Mas também ainda pede
Que venham mais incentivos
Para os idosos de Castelo Branco.

Nunca é tarde para aprender
Mesmo que sejamos idosos
E vamos sempre a tempo
De aproveitar o saber
Que nos oferecem os mais novos.

Se a escola continuar
Minha mãe vai até ao fim
Eu serei a filha mais feliz
Quando com as suas próprias mãos
Fizer uma poesia para mim.
Marina da Graça Craveiro, 2009

18/09/2010

Um ano de atividades do portal

Autor: Luis Pardal
aniversario do portal de Castelo Branco, um portal que reune amigos de todos os continentesO blog e o site iniciaram no sentimento e nas minhas saudades pela terra e pelas pessoas. Ter saudades não é sinônimo de infelicidade, mas sim, de vontade de estar perto de algo que amo e que me faz bem, manter presente, ainda que seja apenas na memória e nos pensamentos. Moro em uma das cidades mais lindas do Brasil, e só tenho a agradecer a Deus por ter-me trazido para tão longe, e ter chegado a este lugar tão maravilhoso, que me recebeu muito bem e onde sou muito feliz.
Avenida Beira Mar, Flrianopolis, Santa Catarina, Brasil (clique para aumentar)
Fazer esta ponte com Castelo Branco é minha forma de honrar minhas origens e de agradecer a meus pais, Arminda e Luis, por me darem a vida, formarem, e por eu ser quem sou. 
Vi nos comentários que chegavam ao blog, de outros conterrâneos, amantes como eu da nossa terra, que também tinham saudades e vontade de saber mais do que acontecia na aldeia, mas, faltava um espaço para reunir a todos. Desde 2006, o blog tornou isso possível, e o site desde outubro de 2009.
Para convidar outros a se juntarem a mim, resolvi fazer o portal em uma plataforma mais robusta e segura, com maior armazenamento de arquivos de texto, fotos, etc.
Foram muitas horas na frente do teclado e da internet, a pesquisar, editar, escrever,  alem de muita dedicação para aprender e por no ar este projeto. Nada se faz sem esforço e dedicação. Tive que fazer cursos de photoshop, joomla, vídeo entre outros. Deu trabalho, mas também satisfação.
Valeu a pena! Fiz novos amigos, reencontrei outros de quem não tinha noticias há muito tempo, ajudei a localizar e a restabelecer o contato de vários conterrâneos.
É muito bonito ver tudo isso acontecer. Algumas vezes, fiquei triste com as notícias, outras, muito feliz e alegre. Mas, é um fato, que o site aproximou a gente de nossa terra e fez crescer o orgulho de ser albicastrense.
Meu muito obrigado a quem apostou comigo neste projeto e participou ativamente para o torná-lo realidade, e mantê-lo vivo.
    Aida Freitas Ferreira   ( 16 Artigos )
    Alberto José Paulo   ( 60 Artigos )
    Alcindo Costa   ( 1 Artigo )
    Andrea Soraia Santos Freitas   ( 7 Artigos )
    Arlindo Parreira   ( 21 Artigos )
    Belarmino Xavier Nunes   ( 2 Artigos )
    Carla Nunes   ( 4 Artigos )
    Isaias Cordeiro   ( 23 Artigos )
    Lidia Susana Tavares   ( 2 Artigos )
    Luis Fontoura   ( 5 Artigos )
    Luis Pardal   ( 50 Artigos )
    Maria da Conceição Quinteiro   ( 1 Artigo )
    Marina Craveiro   ( 9 Artigos )
    Nuno Miguel Claro Da Silva   ( 4 Artigos )
    Ricardo Pereira   ( 2 Artigos )
    Sara Ingueira   ( 3 Artigos )
    Zé Sanches   ( 2 Artigos )
 
    Zulmira Geraldes   ( 4 Artigos )
Muito obrigado pela participação.
Não podia deixar de agradecer  ao meu amigo Helder Valdez, do site http://www.%20mogadouro.com/  pelo apoio e assistência ele que foi meu guia e mestre, nestas andanças da net e gentilmente concebeu o template do portal. Designed by heldervaldez.com.
E antes de terminar quero ainda expressar um agradecimento muito especial para o Guilherme Sanches que gentilmente cedeu suas fotos para as imagens de abertura do site e do Portal.
Abraço
Luis Pardal

Mais cartões postais

Autor: Alberto Paulo
Vista da aldeia do alto de Vale de Porc

Cartões postais de São Pedro

Autor: Lidia Susana Tavares
Por do sol no alto de São Pedro
Por do Sol no alto de São Pedro  Por do Sol em São Pedro, Mogadouro,  ao fundo o rio sabor e a estrada
por do sol em sao pedro ao fundo o rio sabor e a estrada
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03/09/2010

Vamos salvar a nossa escola!

Autor: Arlindo Parreira
Estou sem saber como publicar estas fotos. Falta-me coragem e não sei que nome dar a este artigo.
 
O prédio e as salas onde funcionou a nossa escola primária está em total estado de degradação e abandono. As portas e janelas estão quebradas, assim como as cadeiras amontoadas e espalhadas pelos cantos, cobertas de camadas de pó de alguns anos. Castelo Branco. Salas onde funcionou a nossa escola primária está em total estado de degradação e abandono. As portas e janelas estão quebradas, assim como as cadeiras amontoadas e espalhadas pelos cantos, cobertas de camadas de pó de alguns anos. As andorinhas fazem ninhos por tudo e sujam as paredes e o piso. Os morcegos tomaram conta da chaminé e dividem com os ratos as salas de aula. Sinal dos tempos. Em outras épocas, estas salas vibravam de vida e de entusiasmo. Mas, nos nossos dias, foi este o cenário que lá encontrei. Não há mais alunos, nem professores, foi dado ao desprezo e abandono este lugar que um dia teve um papel tão importante e tão especial na vida de Castelo Branco.
 
Os livros onde a maioria de nós estudou, estão espalhados pelos cantos sujos e cobertos com fezes de morcegos, andorinhas e ratos.  Está tudo abandonado, em cacos. Castelo Branco: Os livros onde a maioria de nós estudou, estão espalhados pelos cantos sujos e cobertos com fezes de morcegos, andorinhas e ratos. Parece a cena de um filme que mostra um lugar onde aconteceu um terremoto. Está tudo abandonado, em cacos. IMG_1238 IMG_1240São gavetas caídas no chão, fora de lugar, com rimas de pastas, onde os ratos fazem ninho. Em uma destas gavetas, pude ver mais pastas com o nome de cada aluno dos anos 60, e nelas ainda estavam o aproveitamento escolar. Em outras, vi desenhos dos alunos, raparigas e rapazes, com dedicatórias feitas aos pais e professores. Tudo em desordem e abandono...
 
Nossa terra teve e tem tantos licenciados. Gente ilustre que nasceu e aprendeu, nestas salas de aula, as suas primeiras letras. São muitos os conterrâneos que brilharam, enriqueceram e levaram mundo a fora o legado desta escola, seus professores e colegas de carteira.
 
Nos quarenta minutos que permaneci lá dentro, tive que sair e entrar várias vezes para encher os pulmões de ar e poder respirar. Não foi fácil suportar o mau cheiro e o ar insalubre e irrespirável lá de dentro.
 
Apesar do estado de abandono das salas, só de estar lá de novo, o meu coração ficou feliz e bateu mais rápido, e fez-me voltar no tempo, para reviver outras épocas mais felizes.
 
Recordei-me imediatamente dos meus amigos e das brincadeiras que fazíamos. Relembrei do meu professor e ao recordar dele, quase chorei. Pude vê-lo novamente na cadeira a dizer para a turma manter silêncio, e fazer o trabalho com calma. Tantas imagens que vieram, aventuras e artes que ali pintamos e bordamos...
 
As fotos falam por si, no lado de fora não está diferente de lá de dentro. A erva tem quase 80cm de altura com risco de incêndio
 
Que falta faz por ali o meu professor e amigo Francisco Rodrigues, lembrei dele nas tardes depois do horário da escola, em que podávamos as roseiras, tirávamos as ervas daninhas e mantínhamos a escola linda e limpa. Lembro dele e de tantos outros professores que passaram por aquelas salas e dos seus alunos. Em memória destes mestres que dedicaram sua vida a educação da nossa aldeia, nossa escola merece um destino melhor.
 
Este prédio que perdeu função quando desativaram a escola primária, deveria ter um destino mais digno. Ouvi alguém na aldeia falar de um museu. Porque não fazer nestas salas um espaço multimídia para jovens e antigos passarem as horas? Deve haver algum fundo do Governo, da Câmara Municipal ou então, dos albicastrenses para salvar este lugar!
 
Fica o apelo: Vamos salvar a nossa escola.
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02/09/2010

Exemplo louvável

Autor: Luis Pardal
Um exemplo que precisa ser seguido e estendido por todo o concelho.
O patrimônio de nossas aldeias apesar  de disperso é  muito rico e, na maioria dos casos, precisa urgente de socorro .
Parabéns pela iniciativa.

01/09/2010

Minha casa na aldeia

Autor: Zulmira Geraldes
Lembro-me vagamente   de um grupo de homens,  a cavar vigorosamente um terreno com leve aclive  à beira do caminho já quase fora da aldeia.  Ali seria construida uma casa nova    Não havia ainda nenhuma construção na redondeza.
Enquanto os homens preparavam  o terreno, ao longe já se ouviam os estrondos da pólvora a explodir as fragas de onde se extraíria o  material básico necessário para a construção.  Todas as casas eram feitas com grossas paredes de pedra..
A seguir, o vai e vem dos carros de bois cujo chiado  denunciava  a carga pesada. Acredito que toda a frota da aldeia estivesse em ação. O trabalho era muito mas todos ajudavam.
Não me lembro da subida das paredes nem da colocação do telhado mas  do dia em que,  já quase pronta, fomos visitar a obra . Minha irmã talvez tivesse apenas uns dois  anos de idade. O assoalho estava quase pronto, faltavam uma tábua aqui e outra ali. Todos empolgados com a casa nova nem percebemos que as perninhas da pequena  não alcançavam o vão e ela acabou caindo para o andar de baixo. Foi uma choradeira e uma correria.  Mas felizmente não passou de um susto..
A casa era de bom tamanho para nossa família. .Além de meus pais com os três filhos pequenos ainda tinhamos conosco a minha avó e o tio Henrique que era irmão da minha mãe.
Até esta época  viviamos na antiga casa   que ficava à soalheira.
Na parte de cima da casa nova, por onde se chegava através de uma rampa externa,  havia a entrecasa (hall) com ligação para a cozinha, a sala e os  dormitórios.. Na parte inferior, as dependências naturais a todas as casas da aldeia.
Nesta parte, ficava a despensa e o tear . Minha mãe era uma excelente tecelã pois dali   vi sair lindos tapetes, mantas  de burell e colchas em lã de carneiro. Também  lençóis do linho  plantado, colhido e transformado pelas mãos das pessoas da família.
Aquele tear e sua localização eram providenciais. Minha mãe era tão alegre e falante que todos que por ali passavam  paravam para descansar antes de chegar em casa e contar ou saber as novidades.
Ali ao lado,  ficava o tonel do vinho. Era muito grande (talvez devido ao meu tamanho naquela época.).  A seguir havia  prateleiras com tãlhas de azeite,azeitonas, queijos, sacos de batatas,  etc.  
Esta entrada era adornada por uma roseira branca, trepadeira enorme  que ia quase até o telhado e  que  emoldurava e perfumava  todo o entorno da janela do nosso quarto.
Na cozinha havia dois grandes bancos de madeira em volta da lareira e o chupão tinha  um corte na cantaria, que meu pai mandou fazer para não mais  batermos a cabeça.
A sala era outro item à parte. Nela havia uma cristaleira com louças e uma enorme mesa de jantar Mas o que mais me marcou foi um quadro do Sagrado Coração de Jesus pendurado na parede. A imagem de Jesus nos fitava . De qualquer lugar da sala em que estivéssemos parecia que nos vigiava. Minha mãe usava esse recurso para nos assustar e nos manter comportados. No começo até funcionou pois cheguei a ter medo e até  evitar ir sozinha à sala ....
Havia ainda uma porta com postigo em vidro que dava para a sacada e ao lado uma janela. Ali, no inverno, por detrás das vidraças, admirávamos a paisagem toda branquinha,  dos dias e  noites  de neve. Viamos a gente a passar e a imprimir seus passos na brancura do caminho nevado.
Lá fora, além do muradal ao lado da casa,   havia um belo jardim. Plantado pela Mãe Natureza.Era um bosque cheio de olmos e lá no alto de um deles, um ninho de cegonha. Havia um outro olmo  também grande e oco e muito bom para brincadeiras.
Na primavera tudo ficava florido.  Entre outras flores silvestres, tinhamos  papoulas,violetas,  estourotes, campainhas e  margaridinhas com as quais através do trançado dos cabinhos  fazíamos pulseiras e  coroas para adornar as princesas ou cinderelas imaginárias. 
Por entre os olmos havia um pequeno lago que no inverno congelava. Ali demos muitos tombos deslizando no carambelo.
clip_image001[4]Ao lado da ribeira havia uma  amoreira que dava  amoras muito grandes e suculentas e seus grandes galhos serviam de trampolim às nossas peripécias.
Na parte de trás da casa ficavam umas cortinhas  reservadas  ao cultivo de melões,  dos mais perfumados que já vi.  Estes terrenos eram delimitados, de um lado por frondosos sobreiros e um cerejal e na outra extremidade tinha uma enorme silveira  que pendia para o caminho.
Tive o privilegio de ali passar a infância.
Convivi com a natureza de maneira plena. Com muita liberdade e segurança,   no seio de  uma  família feliz  e de muitos amigos queridos. 
Quem não teria saudades de um lugar como este?

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