15/11/2008

Casa Grande - Solar dos Pimenteis

Foto: Artur Claro
Artigo extraido de : Jornal Nordestes - Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital.
Arquivo: Edição de 24-10-2006
SECÇÃO: Opinião
Solar dos Pimenteis – Turismo e História Começa a História do Solar dos Pimenteis, sito em Castelo Branco, concelho de Mogadouro, com a vontade dos Senhores de São João da Pesqueira e Marqueses de Távora de aqui fixar uma residência e sede de comenda.Os eventos que levam por fim à execução desta família, por Decreto de D. José I, têm como consequência a extinção dos títulos e a passagem de honras e comendas para outras famílias. É assim que, por outro Decreto Real, se confere à nobre família Morais Pimentel a propriedade que inclui o Solar dos Pimenteis.São os seus primeiros proprietários família da alta aristocracia com os gostos requintados pelos diferentes títulos e pelos cargos como o de vice-rei na Índia e embaixadores nas cortes europeias. Dessa vivência a natural absorção de hábitos e costumes urbanos que apesar da ruralidade da área integram o desenho do edifício. Afigura-se como provável que na génese do monumento estejam a projecção de valores e o usufruto de uma paisagem e ambiente que o tempo pouco alterou e hoje nos remete para a função do turismo ao colocar-se como oferta a uma clientela onde a principal premissa é a qualidade.Um registo do passado e um investimento no futuro da Região com impactos positivos na economia mas também na qualidade de vida das suas gentes através das requalificações do espaço envolvente ou da oferta e promoção do emprego especializado. A iniciativa de promover uma unidade hoteleira no antigo Solar dos Pimenteis, representa a união perfeita entre a história e o turismo do Nordeste Transmontano, e uma nova forma de encarar o futuro daquela que é e será sempre a nossa terra de sonhos – Trás-os-Montes. É graças a um investimento privado e a uma equipa de grande qualidade, que o Solar dos Pimenteis deixa, definitivamente, o estado de abandono em que se encontrava à mais de 50 anos, onde o risco de derrocada eminente foi posta completamente de lado graças a uma intervenção pronta e rigorosa.Quis o destino, tal como noutros tempos, dificultar um processo que já pela sua natureza complexa não poderia ser resolvido com grandes facilidades. Entre as vicissitudes previstas e os acontecimentos inesperados, o Projecto financeiro de recuperação e de adaptação do Solar dos Pimenteis, a uma unidade hoteleira de qualidade, parou por três períodos distintos desde que a propriedade foi comprada em 21 de Maio de 2001: 1º- a incompreensível demora administrativa na aprovação dos respectivos projectos; 2º o desnecessário embargo da obra imposto pelo IPPAR por causa do telhado do Solar; e 3º o lamentável acidente de trabalho que vitimou dois operários em 05 de Maio de 2005. Além disso, a crise económica que tem assolado o País desde o ano de 2001 afecta também a parte financeira deste projecto, em que os capitais disponíveis nunca foram suficientes para garantir o ritmo que era necessário e desejável.Provavelmente, os acontecimentos recentes e o passado histórico do Edifício já despertaram a atenção de muitas pessoas ligadas à história e não só. Com o interesse em desenvolver um estudo mais aprofundado, seria de todo importante que o tema em questão ganhasse mais adeptos com a verdadeira História do Solar dos Pimenteis e o porquê de todos estes acontecimentos, isto porque a existência deste belo exemplar de arquitectura já marcou uma época e pode marcar a diferença no futuro. Por outro lado, salienta-se ainda um dado que não é do conhecimento de todos, mas que é digno de ser realçado – a razão pela qual o Solar dos Pimenteis nunca ter sido concluído na sua totalidade?Em síntese, esperamos pois que a obra de Recuperação e Adaptação do Solar dos Pimenteis não volte a parar para que num futuro próximo todos possam testemunhar o empenho dos que têm lutado pela desejável conclusão deste Empreendimento Hoteleiro.
Por: Hirondino Isaías

10/11/2008

São Martinho

Este Santo nasceu no império romano – na cidade de Sabaria na antiga Panónia, hoje Hungria, entre 315 e 317. Filho de um legionário romano segiu os passos do pai na vida militar. Quando sua família se mudou para Pavia, foi estudante e entrou para o exército com 15 anos, tendo chegado a cavaleiro da guarda imperial. Seguia a tradição religiosa dos romanos da época devoto dos deuses que faziam parte da mitologia romana.

Porem em uma viajem a cavalo pela França numa noite fria e chuvosa de Inverno, às portas de Amiens (França), Martinho, viu um pobre com ar miserável e quase nu, que lhe pediu esmola. Como ele não levava consigo qualquer moeda, num gesto de solidariedade, cortou ao meio a sua capa (clâmide) e a entregou ao mendigo para o agasalhar e proteger do frio. Os demais soldados riram-se dele, porque perdera metade da capa. Conta a lenda que tão logo cortou a capa a chuva parou e os raios de sol irromperam por entre as nuvens.

Conta a lenda, que no dia seguinte Martinho teve uma visão e ouviu uma voz que lhe disse: «Cada vez que fizeres o bem ao mais pequeno dos teus irmãos é a mim que o fazes». E assim se converteu ao Cristianismo São Martinho. A história só não conta por que é que ele acabou ficando ligado ao prova vinho. Mas para não deixar passar a tradição aqui vão alguns ditados deste nosso santo tão querido e estimado nas adegas e pipos da paróquia.

- No dia de S. Martinho vai à adega e prova o teu vinho.
- Mais vale um castanheiro do que um saco com dinheiro.
- Dia de S. Martinho fura o teu pipinho.
- Do dia de S. Martinho ao Natal, o médico e o boticário enchem o teu bornal.
- Pelo S. Martinho mata o teu porquinho e semeia o teu cebolinho.
- Se o Inverno não erra caminho, tê-lo-ei pelo S. Martinho.
- Se queres pasmar teu vizinho lavra, sacha e esterca pelo S. Martinho.
- Dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho.
- Pelo S. Martinho, prova o teu vinho, ao cabo de um ano já não te faz dano.
- Pelo S. Martinho mata o teu porco e bebe o teu vinho.
- Pelo S. Martinho semeia favas e vinho.
- Pelo S. Martinho, nem nado nem cabacinho.
- Jeropiga, castanhas e vinho fazem uma boa festa pelo S. Martinho.

08/11/2008

Alheiras Luso Canadenses


Dizem os conhecedores da alta gastronomia que as alheiras mais famosas são as de Mirandela. Eu discordo. As de Castelo Branco para quem já teve a felicidade de as comer são as mais fantásticas e saborosas.

O que as faz tão diferentes é o tempero tradicional albicastrense. O pão caseiro, que sempre foi famoso, o melhor de todo o concelho, feito com a água da solheira e do carvalhal. As carnes selecionadas de porco e galinha criados com ração balanceada, rica em fibras nos farelos de trigo e centeio, batatas, cabaças, nabiças, nabos etc. Alem de outros ingredientes selecionados como alho caseiro e tudo mais que manda a receita. Em suma os elementos certos para fazer de nossas alheiras as mais cobiçadas.

Atestando esta tradição de sucesso, quero lhes relatar que a fama cruzou o oceano e já faz sucesso no Canadá. A responsável por este destaque gastronómico é a nossa conterrânea Cacilda Carreiro, casada com o Arlindo Parreira. Vejam abaixo a lida e o esmero da produção destas alheiras tão famosas, as melhores do Canadá garanto.

Por enquanto não estão recebendo encomendas , mas os interessados poderão enviar um e-mail para:
arlindoparreira@hotmail.com.

Sobre novos produtos, o Arlindo informou que está a preparar um lançamento de alheiras com carnes exóticas (eu disse exoticas, não eróticas, sei que conhecem o Arlindo). Segundo informações de fonte segura, este lançamento terá grande repercursão por todo o Canadá.

Infelizmente terão que aguardar ou fazer contato para obter maiores informações.

VEJAM AQUI A PROVA DE TANTO SUCESSO:
Foto: Arlindo Parreira
Foto: Arlindo Parreira
Foto: Arlindo Parreira

20/10/2008

SINO DA MINHA ALDEIA



“O sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro de minhalma.

E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada,
Tem o som de repetida

Por mais que me tanjas perto
Quando passo, sempre errante,
É para mim como um sonho,
Soas-me na alma distante.

A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade de perto.”

Fernando Pessoa

Poema enviado por um grande amigo de Fortaleza - CE - Brasil - Cosme Felix.

10/10/2008

Terra deste povo, nosso berço, nossa gente.

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Caminha apressado, debaixo da chuva,
Um sarrão de borrego, pendendo nas costas.
De olhar erguido, com as marcas no rosto,
Vincadas nas rugas, do sol, da vida e trabalhos.

O dia já finda, ele apressa os passos,
O gado nervoso corre no encalço.
Rodeia o olival, chamando as ovelhas,
Evita que entrem, com pedradas certeiras.
Os cães vão ladrando, rodeando o caminho
Levando o rebanho inteiro prá corte.

Chega no curral, a patroa já veio,
Ajuda na ordenha, enquanto conversam.
Falam do dia, das coisas caseiras,
Dos filhos na escola, trabalhos canseiras.

A ordenha vai rápido, em ritmo apressado,
Pela fome e cansaço do dia vencido.
Voltam com as cântaras, com o leite quente,
Em passo ligeiro a caminho de casa.

Encontram na rua parentes, vizinhos,
Dão-lhes boas noites, e seguem andando.
Os filhos, inda brincam, ao pião na praça.
Chamam o mais velho que traga os irmãos,
Reclama o pirralho sem querer parar.
A mãe sem rodeios, o chama que venham,
E já entra em casa, sem deixar retrucar.

Na lareira a panela já ferve á espera,
Com caldo de couves tronchas e batatas.
Sentam-se nos bancos, a roda do fogo,
Esquentam os corpos do frio da rua,
A olhar com fome a panela no lume.

A mãe vai servindo a todos sem pressa,
Malgas fumegantes, nas mãos dos miúdos.
Comida e bênçãos de um lar, feliz,
Perfume de sopa pela casa inteira.

A alma sossega de todos por fim.
Quando satisfeitos, a mãe se aconchega
Senta-se e por fim vai comer também.
Escutam os filhos falarem das rodas,
De pião e do fito, no pátio da escola.
Riem dos trejeitos, do mais novo a contar
As artes e fugas, no recreio a brincar.

A noite já cresce no serão da aldeia,
Rezam as trindades ao bater dos sino.
Os chupões calaram nas brasas cinzentas.
Vão todos á cama, na noite avançada.
Dormem sossegados, o sono dos justos,
Vida que revive, simples realizada.

já cantam, os galos, no raiar da aurora
Recomeçam vidas, ricas de alegria.
Trabalham pela vida, a vida e mais nada,
Vidas de trabalho pra educar os filhos.
Filhos que um dia terão que partir
Irão ser doutores lá da capital.

A aldeia chora, já não há rebanhos.
As portas fechadas, não dão mais boa noite.
O silencio enche, as ruas de nada,
De um vazio amargo, solitário e mudo.

Sentam-se na porta, á espera dos netos,
Que chegam e partem como as andorinhas.
Lembram-se dos filhos, quando ainda crianças
Brincando por perto, grande sinfonia.

Enche-lhes o ser, uma dor sentida
Lembranças, saudades, contidas no peito,
dos tempos que foram, da aldeia viva,
Dos putos na escola, quanta comoção.

Olham um pro outro e falam do frio
Do vento seeiro, culpam a estação.
E o outono chega, na vida e no tempo,
A vida que parte, pra sempre também.
Ai se as andorinhas, não voltarem mais...

Que descanse em paz, nossa gente boa,
Gente de trabalho, povo de verdade,
Nação Trasmontana, raça destemida.
Saibam os mais novos, trazer nova vida,
A esta região tão nobre e valente.
Terra do Tua do Sabor e Douro,
Terra dos pais e antepassados
Raízes fincadas, berço, nossa gente.

Luis Pardal

08/10/2008

Foto Pessegueiro

Foto: Bruno Sardinha

Um quadro maravilhoso

Foto : Bruno Sardinha



Castelo Branco é uma aldeia linda de fotografar. Impressionantes ângulos e pontos de vista que retratam as belezas e encantos de nossa terra.

A vista da Solheira, quer seja do alto do monte ou do caminho que nos leva até lá, é uma das melhores perspectiva em termos de enquadramento.

Parabéns Bruno!!! Contamos com mais fotos tuas.

28/09/2008



2 comentários:

Anônimo disse...
A praça e as casas

Aida Freitas Ferreira disse...
Foi esta a praça que me viu dar os primeiros passos. Quantas voltas dava ao marco. Quantas vezes corria até à tia Cristina e vezes sem conta entrava e saia do sóto da Variza. De encontro aos animais que ao tanque viviam saciar a sede e eu olhava fascinada. Lembro da voz meiga da tia Marquinhas das Patas que me cuidava. Cuidado com os burros! Olha as vacas. Atrevida e ladina eu corria ao seu encontro. Queria tocar-lhes! Não havia medo que me afugentasse. Hoje lembro da casa da minha infância, das galinhas da tia Urbana. Quem se lembra dos dias em que o Sr. Lino fazia das estevas pasto para o estrume. Era festa na certa! Saltar do tractor. Rebolar pelo curral. Era tempo do Sr. Zé Tendeiro e da tia Glória. Café? Nã! De café só a taberna do "Moncas". Ainda lembro de espreitar à socapa pela fresta da porta. Era local proibido aos miudos! Lembro de uma praça diferente mas que muito me marcou pois pouco mais tinha que os meus 5/6 anos.
Outubro 08, 2008

Escola Primária de Castelo Branco Mogadouro


Mais do que um prédio, a escola era o portal de entrada para a vida, para o mundo. Os quatro anos que passamos ali deixaram marcas para toda a vida. Amizades , sonhos, carreira... Enfim os tempos eram outros, nem todos que por lá passaram tivera a oportunidade de ir alem nos estudos. Tenho a certeza de que todos sem exceção tiveram ali a sua maior formação e faculdade, nos fundamentos e valores mais sinceros: dignidade, fé, cidadania, patriotismo, honra, amor á terra, respeito pelos mais velhos e pelos direitos dos outros.

DSC02225 A escola através de suas professoras e professores deu a todos uma universidade de valores e de riquezas que levamos para a vida. Lembro-me com muito carinho e respeito da minha terceira classe.  
A Dona. Maria Eugênia foi a professora que lecionou naquele ano. Foi um ano escolar maravilhoso. Em um ano, ela conseguiu mostrar-me uma nova realidade e, abriu diante dos meus olhos possibilidades infinitas, de descobertas sobre o mundo e sobre mim mesmo, minha capacidade, potencial e talento. Sem o auxilio dela não teria descoberto, sem a visão maravilhosa  e a orientação carinhosa de tão estimada “mestra” teria ficado sem abrir uma porta que me faria ver o mundo com olhos diferentes. Se a vida me permitiu ser alguém foi graças ao voto de confiança e entusiasmo que ela me deu nesses meses de aula.  E acredito que o mesmo aconteceu com todos que tiveram o previlégio de sentar na sala de aula dela. Meu sincero agradecimento, admiração e respeito.

Conta a tua história da escola também!

Forte abraço albicastrense!

Luis Pardal

Ponte de São João

Ponte velha de Castelo Branco

Ponte medieval reconstruída, de tabuleiro horizontal sobre dois arcos redondos iguais.Aparelho de silhares de granito, do lado esquerdo, e de alvenaria de xisto no encontro direito. As aduelas dos arcos são em granito.Não conserva as guardas. O pavimento é de lajes de granito, no troço central, e de calçada nas entradas. Acesso: EN 221 (Mogadouro - Freixo Espada-à-Cinta), no caminho velho à entrada da aldeia do lado nascente.

Junta de Freguesia

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Capela da Vila Velha

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Igreja de Castelo Branco Mogadouro

07/09/2008

Um café na Praça

Foto: Abilio Freitas

Na porta do café, espero Sentado, até a hora chegar.
Fito as ruas vazias, os paralelos do chão,
A poeira no vento, um cão que passa,
Que calma.

Acreditem, fico ali por um café
Forte, sem açucar, amargo,
Puro, para esquentar,
A alma.

Esqueço que o mundo roda o universo viaja e o tempo escorre.
Mato os minutos, silêncio.
Suspiro.

Busco o gosto amargo,
Aroma intenso, encorpado
De um expresso, que expresso, bem tirado.

Finalmente ouço que desce a escada.
O Sr. Fernando chega a pergunta o que quero.

Demoro, até pensar, nesta tensão filosófica
Com a mente confusa, digo sem convicção:
Um café, é só um café, que quero tomar,
Na praça de minha aldeia, amargo para esquentar.
Com gosto sincero, com verdade em cada gole,
Autêntico, amargo, forte, religiosamente,
Com alma.

Luis Pardal

05/09/2008

Foto Ricardo Pereira e Família

Foto: Ricardo Pereira

Artigo Interessante.

"Castelo Branco, é terra de antigas e nobres tradições. Situada a cerca de doze quilómetros da vila, a norte da serra de Lagoaça, por ela passa a estrada que liga Mogadouro a Moncorvo e Freixo de Espada à Cinta. Segundo vários investigadores, Castelo Branco não nasceu aí, mas junto à capela de Nossa Senhora da Vila Velha. Em Castelo Branco há vestígios de um castro (com indícios de ser romanizado), situado no chamado "Cabeço dos Mouros". A este castro andam associadas lendas de "mouras encantadas". Foi Comenda dos Templários, passando em 1311, a Comenda da Ordem de Cristo. Tem uma interessante capela, descrita nas Visitações da Ordem de Cristo (feitas de 1507 a 1510), chamada de igreja de Nossa Senhora da Vila Velha. "A igreja que os visitadores viram está hoje afastada da povoação, num cabeço chamado Vila Velha. Mantém os três portais manuelinos, muito simples e uma inscrição evocativa de uma reforma em 1501. Terá aí nascido Castelo Branco. Junto à capela há ainda restos da antiga habitação dos antigos comendadores e também restos de uma construção castreja. Pertenceu à vila de Bemposta, sendo mencionada no foral desta, de 1512. Em Castelo Branco tem solar a família Morais Pimentel. É um majestoso solar do século XVIII, que está, presentemente, a ser restaurado para aí ser instalado um hotel de luxo. Este solar encontra se junto da estrada. Esta freguesia tem anexas as povoações da Quinta das Quebradas e Estevais (de Mogadouro). "

Artigo extraido do site:http://concelhos.dodouro.com

Autor: António Pimenta de Castro Licenciado em História e Docente do Ensino Secundário na Escola Dr. Ramiro Salgado (Torre de Moncorvo), Mogadouro 2002
In iii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura. Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail:
ecb@mail.pt

04/09/2008

Minha terra

Acabei de chegar. Meus ouvidos estão surdos, e doloridos pelo ronco dos motores da viagem longa, de avião de Florianópolis SC- Brasil a Lisboa e de carro de Lisboa a Castelo Branco.

Parei o carro na porta da casa que era da minha mãe e sai para esticar as pernas. Espreguicei, alonguei os braços e pernas, estiquei o pescoço e deixei o corpo sentir o peso da gravidade sobre a coluna e as pernas novamente. Uma sensação de torpor foi desaparecendo aos poucos, e no lugar dela apareceu a dor e o cansaço de quase 24 horas de viajem.

Na cabeça um zumbido de uma cigarra e uma dor estridentes explodem juntos atordoando meus pensamentos. Imediatamente começa uma briga, nos meus ouvidos, com a falta de barulho. A ventoinha do motor parou e em simultâneo dei conta que a zoeira e o barulho interior se calaram também para escutar o silencio da aldeia. Não se ouve nada, ou antes, quase nada. Assustei-me com minha respiração ofegante, e meu coração disparado.

Quis vir direto e na estrada corri o quanto pude. Estava ansioso para chegar, e chegar rápido, me parecia ser a coisa mais sensata para fazer. Agora que cheguei, sinto que a pressa não era tanta e que na verdade nem tinha um motivo para correr.



Olho o relógio e vejo que passa das quatro da tarde. Está calor, muito calor, como sempre faz no mês de agosto. Um vento forte soprou da rua. Sinto o bafo quente do verão, envolver-me o corpo ainda frio, do ar condicionado do carro. Um gosto de terra enche-me a boca e os olhos com a poeira que o vento levantou. A rua estava vazia, não vi ninguém. Pensei, é um deserto, e gelei de novo com esta sensação de vazio.

Fechei a porta do carro que ainda estava aberta e ao vê-la fechar pensei, ainda dá para dar meia volta e sair correndo. Fiz calar estes pensamentos com o barulho do clic do sistema de alarme ao fechar as portas.

Deixei o carro parado na porta da casa e desci a rua indo para a praça. Vou para o café tomar uma sagres e afogar o gosto da viajem para acalmar as idéias. Cambaleei algumas vezes nos paralelos da rua pelas pernas adormecidas, mas deixei-me ir do jeito que elas quiseram sem forçar muito. Também não vi ninguém enquanto passava pelas ruas.

Entrei no café, tinha poucas pessoas naquela hora e estranhei de só encontrar rostos estranhos. Pensava já encontrar alguns dos conhecidos de outros tempos...

Todos olharam pra mim...

Cumprimentei tentando esconder o sotaque brasileiro de imigrante. Que ilusão. Pela cara deles vi que não tinha convencido. Pedi uma sagres e ofereci uma rodada para todos. Alguns aceitaram. O dono do café sorriu e sem perguntar nada, foi servindo nas mesas o que cada um estava a beber. Costume de imigrante, pensei, pagar uma rodada quando chega na terra. Se é que ainda se faz isso por aqui eu sorri ao pensar comigo mesmo.

O café era novo e o dono, apesar de não ser muito jovem, não me era familiar. Possivelmente era ainda criança quando fui para o Brasil e agora não o reconhecia. Comecei a conversa perguntando de quem era filho e fiquei surpreso por também não me reconhecer apesar de dizer que já tinha ouvido os velhos falarem de mim algumas vezes no café. Fiquei confuso, mas curioso com tudo aquilo pensava convencido que ainda lembravam de mim. O tempo não passou em mim e tudo era como fora um dia . Tinha a ilusão de encontrar os mesmos rostos dos meus vinte anos, iguais, sem marcas da idade e da vida.

Falamos da terra e das coisas de lá. Reclamaram da vida e das dificuldades. Do governo que não fazia nada, dos políticos que são uns cabrões, enfim novidades que são iguais por todo o mundo, afinal. Conhecia o disco de onde vinha também.

A conversa desenrolou, sem querer ao perguntar dos conhecidos,foram surgindo as novidades e senti que estavam a narrar para mim o obituário da aldeia dos últimos 10 anos. Narrou dos que morreram e para me ajudar a saber quem eram foi falando rua por rua. Na minha cabeça percorri os lugares, as casas, as portas, as caras e os rostos dos que moravam, os momentos os fatos vividos juntos. Arrepios seguidos me faziam ver que o tempo que não parou e que ele fez fechar uma a uma a maioria das casas da aldeia. E esse tempo impiedoso os levou a todos... Minha mãe e meu pai também. Esvaziou a aldeia e minhas lembranças também. Fui ficando nauseado e triste.

A sagres desceu amarga. Vi que todos no café tinham vindo para perto e estavam á minha volta reforçando os fatos, ajudando nas memórias. A roda foi aumentando aos poucos. Algumas rodadas de sagres depois, perguntaram de mim e há quanto tempo não vinha lá. Há quase dez que não venho disse, com voz desiludida e triste. Comentei da ausência dos que partiram e lamentei ter estado tanto tempo longe, mas que era a vida.

Rimos quando perguntaram das brasileiras, das novelas, do futebol, do carnaval. Contei que lá no Brasil as anedotas dos alentejanos são contadas como sendo dos portugueses. Gritaram, filhos da p.... esses Bazucas e fizeram juras de vingança. Se não fosse o Filipão para salvar a terra desses cabrões, mas fazer o que nessa terra que só faz trazer as novelas...

Senti que estava a ficar alto da cerveja e pedi a conta. Paguei e sai para a praça.
Tinha escurecido.

Voltei em passos lentos para o carro. Subi a rua devagar quase parando. Os meus pensamentos estavam confusos pelas sagres que tomei mas sobretudo pela sensação de perda e de ausência dos sentimentos que vieram junto com as novidades.

Entrei no carro e fui para o tanque das eiras.

Parei o carro e sai. Sentei na parede do tanque e fiquei a olhar as estrelas.
Senti-me mais tranqüilo ao olhar o céu. Eram as mesmas estrelas que eu conhecia desde que nasci. Pelo menos elas ainda estavam todas lá, e fiquei a rir com a ilusão de piscarem para mim. Senti-me em casa, deste lado do mundo elas realmente eram familiares.
Fiquei o resto da noite deitado na erva seca das eiras a olhar o céu estrelado e ouvindo o barulho dos carros que passavam de tempos em tempos na estrada.
Agradeci a Deus, por ter nascido ali e ser quem sou. Pensei em todos os que conheci, que lá viveram e no respeito e admiração que sinto por todos. Afinal nada mudou, em meus pensamentos eles estariam sempre vivos e presentes comigo e Castelo Branco será sempre meu lugar. Meu Deus, como eu amo a minha terra!

23/08/2008

Sede de fragas e montes

O dia cresce inteiro,
No sol, nas fragas no monte.

Alcanço á vista,
O povo inteiro,
Aqui no cimo da solheira.

Meu ser caminha apressado nas ruas em pensamento.
Rodo caminhos, lameiros,
fontes, rios e ribeiros.

Capela da vila velha,
pombinhas, retorta, na veiga,
Campos lavouras e hortas,
procissões e romarias.
Ribeira de cavalos,
fechos, águas,
nascente da pipa.
Mato a sede que fica
me secando na saudade.
Minhas lembranças, olhares
Daquelas gentes lugares,

Um menino sonhador, aventureiro.
Revejo tudo em silencio
Do outro lado do mundo,
De um outro lado de mim.

Pergunto a mim mesmo quem sou?
O que quero?
O que procuro?
Respondo olhando o passado
pensando no presente e rio do futuro.

Vejo meu povo, os dias, horas, minha gente.
Sei que sou o que sou, e em parte, sou assim
Por lá ter vivido um dia.

Mas este sou eu, assim nascido, em crescimento!
Pouco ficou do que fui, lembranças ou teimosia.

Com nove anos parti,
Queria ser missionário,
Salvar,o mundo a rezar...
Quiseram me ensinar, a pregar,
Espalhar a fé sem questionar.

Mudei de vocação!!!!
Fui ser feliz, e viver.
Eu questiono tudo,
Busco a tudo o tempo inteiro.
Leio, releio e repenso, peregrino,
Certezas eu tive e tenho,
De que não sei de coisa alguma.
Sei agora, não sei depois,
Ou talvez até, nem descubra.
Mas o que me importa saber?
A coisa é toda ela inteira,
Uma questão filosófica,
Feita de muita palavra,
Pensamento, cegueira,
Nada é feito e vale para sempre.

Viva, lá muitas vezes,
Quem sabe viver, mudando a cada dia.

Volto a olhar a ribeira a correr, em meu pensamento.
Deixo a água me levar sem rumo, sem leito,
Pelas pombinhas ao rio Sabor, até ao Douro
E de lá, mar a fora , para o mundo satisfeito.

Luis Pardal

05/07/2008

Cá te espero para os figos!

De: aida freitas ferreira [mailto:aida.olimpia@gmail.com]
Enviada em: sexta-feira, 4 de julho de 2008 22:58
Para: José Luis Pardal
Assunto: Cá te espero para os figos!

Amigo aqui vai a minha contribuição para esta coisa fantástica que criaste!

Vou continuar a escrever sempre lembrando a época. Cá te espero para os figos! Lembras-te, e eu sei que te lembras. Até sorrirás! Lembras-te da ida aos figos? E, pequenita como eu sempre fui. eras tu do teu metro e noventa que me chegavas aos figos! Isto porque o meu avó, o grande Zé António, dizia não subas à figueira que ainda cais. Quisera eu engarrar-me pela figueira acima mas o respeito pelo avó era grande. A verdade é que sempre que apanho fruta me lembro desta tarde. E dos figos vamos à fruta da época.

Cerejas! A ida às festas de S. Bernardino trouxe de volta o ritual da apanha das cerejas. Subir pelo cerejal (ou cerejeira, caso o prefiram)acima. Há coisas que não nos saem da alma. Com o nosso Santo elas pintam mas é pelo S.João que elas dão. E assim depois da prova na festa regressei pelo S.João e trouxe estas belas cerejas. São da cerejeira do Elísio, aquela nova que plantou no alto da vinha, a caminho das Olgas (não digo mais porque senão pró ano nem as provarei!!).

Ah! Lembro as idas às Olgas levar a merenda aos cegadores a cavalo na burra.
Mas isso ficará para o tempo da cegada. O sabor das sopas já me toca o estomâgo.

Daquela branca flor germina a fruta que, dos mais belos e variados tons de rosa e carmim nos fazem encher a boca de água.
Entre as vermelhas rosadas, mais ácidas, e as vermelhas escuras, as griottes, mais doces, é ávontade do freguês. (Do seu nome técnico, Rosaceae, nos traz a cor - rosa.
É bem verdade que a vontade do freguês tem sido tanta que no S. Bernardino nem as provei porque algum malvado tirou a prova da boca do dono. Comi que me fartei!
Ai, que grande dor de barriga (a sua maravilhosa propriedade laxativa e diurética). Da Serrinha vieram as rosadas! Foi o pai que as apanhou pela manhazinha (grande pai!). Fiz brincos de cereja a lembrar as brincadeiras de criança.

De regresso ao Porto vim carregada de frutos da terra. Fiz o tradicional doce de cereja. Receita da minha adorada mãe. Está divinal! E com as ginjas do vizinho Armindo fiz uma ginja que há-de estar de trás da orelha. daqui a uns meses a prova o dirá.

E algumas das maravilhosas "morello" congelei, pois ficam como na hora, porque no Verão farei belas tartes de cereja e bombons de cereja.
Não esqueci as mézinhas da tia Aida, a minha avó, e guardei os pinções da cereja para fazer chá. Juntamente com as barbas de milho é bom para os rins (aqui abro um pouco do meu "caderninho das mézinhas da avó") Agora ainda faltam as brancas! A celebre cereja branca, as Amarelles! Prá semana lá irei e da prova te darei.
Bem aventurados os romanos que nos trouxeram tão pequena maravilha.

Amigo, mas cá te espero para os figos! E não fiques triste.

Pois, quem sabe ainda sobre um frasquinho do doce de cereja à moda da Maria Elisa para ti! Entretanto, come umas acerolas, a magnifica cereja tropical. Até um dia destes!

Curiosidades: Cerejeira, sub-género Cerasus incluido no género Prunus (Rosaceae) A cerejeira é originária da Ásia, na cultura japonesa (chamada de Sakura no ki) tem o significado de Sakura= flor de cerejeira.

A cerejeira era associada ao samurai, de quem a vida era tão efémera quanto a da flor da cerejeira.

Aida Freitas Ferreira


Foto: Aida Freitas Ferreira
Foto: Aida Freitas Ferreira
Foto: Aida Freitas Ferreira

04/07/2008

Tanque das Eiras!!!

 
Tem lugares que ficam na memória como marcos. Autênticos pontos de referencia de fases ou momentos decisivos de uma vida. O tanque das eiras, o largo da Casa Grande, e a placa da entrada de Castelo Branco são alguns dos marcos da minha .
Tirei estas fotos quando da minha ida a Portugal, na primeira vez que regressei. O tempo passa, são já alguns anos. Mas o encanto destes lugares continua fazendo o meu coração bater mais rápido.


Fotos: Luis Pardal
1 comentários:
Elisabete Ferreira Freitas, disse...
Como o mundo é tão, ao redor de Castelo Branco!!! O "Tanque das Eiras", adorava que este tanque contasse, nem que fosse apenas uma história de cada um que por ali passou, era certamente a nossa história. Aquela que o "Tempo" se encarrega de esconder da memória, mas que sentimos, o quanto foi bom e tantas saudades que nem sonhava que tinha!!!! A vida por vezes foge com recordações que nos podem ferir, mas quando a Aida me falou desta tua revisita a Castelo Branco!! Não podemos deixar ir por entre anos de distancia, momentos tão... nossos, das gentes da nossa terra, do nosso, vosso grupo e que eu recordo com tanta saudade. Só ia nas férias a C.B. mas prometo esforçar-me para que este teu cantinho cresça. Parabéns está muito bom.
14.8.08

Guilhermina no Forno

01/07/2008

29/06/2008

Castelo Branco

Foto: Arlindo Parreira

Mapa dos Jogos Arlindo Parreira

Foto: Arlindo Parreira ( Clique na foto para aumentar)


Vejam que maravilha que chegou do Canadá.

Um mapa completo dos jogos e diversões de Castelo Branco.

Arlindo, que excelente pesquisa!!!

Fotos: Arlindo Parreira

Foto: Arlindo Parreira ( Clique na foto para aumentar)

Foto: Arlindo Parreira ( Clique na foto para aumentar)


Foto: Arlindo Parreira ( Clique na foto para aumentar)

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