09/02/2014

Luz do dia


Luz do dia a nascer. A geada ainda branca nas cortinhas brilha com os raios de sol. As lareiras acesas perfumam o ar com o incenso das giestas acesas no lume. Nasce o dia.






24/12/2013

Revisitando o Natal


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25/10/2013

Lavrar a alma.

 

Lavrar a alma com relhas de aço

Vi um lavrador  lavrar a alma com palavras fortes como o aço, lamentando a vida, as estações, a sorte. Vi que lhe rompiam o peito e rasgavam as fibras do coração, as ideias de vencer a sina de quebrar o fado, a realidade de comer o pão com o suor do rosto e a gana de matar a fome que lhe toma os dias.

Pensamentos que iam e voltavam como sulcos de uma lavra continua do chão do ser onde teimava em semear os sonhos de dias melhores de terras férteis fartura e prosperidade.

Ao rasgar a terra, rasgava a alma, virava a vida, eterna lavoura.

17/10/2013

Perguntas…

 

Capela da Sra. da Vila Velha em Castelo Branco Mogadouro

Ao fundo a capela da Vila Velha, na frente os choupos e freixos da ribeira, no meio os pensamentos e as visões de outros tempos doutras emoções. E o outono a moldar os sentimentos desta paisagem, tão querida tão distante.

Melancolia de tantas saudades de tantos rostos, momentos vividos, pessoas.

Tudo neste contexto, é vida. A minha a de meus pais, irmãos e de todos que ali nascemos, que neste cenário tomou forma e dele partiu para o mundo e para outras dimensões.

Quem vem a vila velha leva no peito a presença de tudo isto.

E por isso é bela. Por isto é impar e sem igual. Como a padroeira, que a todos recheia a vida com a fé. A intimidade deste lugar exige os olhos abertos para o divino, para o não material.

Sempre me questionei porque a capela fica de costas para o caminho que sai da aldeia e termina nela? Para onde aponta a porta? Que sentido tem esta escolha da orientação oposta ao caminho?

16/10/2013

Perguntas…

 

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Ao fundo a capela da Vila Velha, na frente os choupos e freixos da ribeira, no meio os pensamentos e as visões de outros tempos doutras emoções. E o outono a moldar os sentimentos desta paisagem, tão querida tão distante.

Melancolia de tantas saudades de tantos rostos, momentos vividos, pessoas.

Tudo neste contexto, é vida. A minha a de meus pais, irmãos e de todos que ali nascemos, que neste cenário tomou forma e dele partiu para o mundo e para outras dimensões.

Quem vem a vila velha leva no peito a presença de tudo isto.

E por isso é bela. Por isto é impar e sem igual. Como a padroeira, que a todos recheia a vida com a fé. A intimidade deste lugar exige os olhos abertos para o divino, para o não material.

Sempre me questionei porque a capela fica de costas para o caminho que sai da aldeia e termina nela? Para onde aponta a porta? Que sentido tem esta escolha da orientação oposta ao caminho? Há sentido nesta posição?

26/09/2013

Lavrador de versos



Vivo como um lavrador de versos,
A arar, o papel, com mil palavras.
A cada dia vinco mais dispersos,
Sulcos, das minhas idéias e lavras.

Soltam-se da minha folha mensagens,
Sonhos longos, eternos, profundos
Palavras novas, vontades, miragens,
Rodas vivas, visões de novos mundos.

Com a profundidade de estar perdido
Entre a vontade de conhecer saborear,
Tudo o que tiver maior valor sentido
O amor, viver, ou um simples pensar.

Procuro, o renascer, o constante chegar
Nesta lavoura, da vida, eterno advir.
Busco uma forma de sempre germinar
E com novo jeito ser, viver e sentir.

Albano Solheira

25/09/2013

Minha aldeia

 

Tudo é tão lindo visto daqui
As ruas, casas, telhados, muros
Homens, mulheres, animais.
Aquarela viva, cenário, presépio.
Tudo tem seu lugar e proposito
E parece tão certo, eterno e presente.

Só os que sabem disso,
Tem nos olhos o encanto de ver, que
A vista mais bela é a da minha aldeia,
Pois o mundo não é tão grande                                            Nem maior que a minha aldeia,
Porque não cabe dentro nem passa por ela.

O Mundo tem grandes cidades
E se revive, existe, nelas somente.
Como tantos que buscam em tudo o que lá não está,
Pois que a memória das gentes é vaga.

Minha aldeia esta ali, onde sempre esteve,
Poucos sabem disso,
E sequer me importo com isso.

O mundo ficou pequeno
Toda a gente sabe.
Mas poucos reconhecem onde estão
Vão e de onde veem
E por isso ele pertence a tanta gente…

 
É mais livre e maior o povo da minha aldeia.                          Chegar na minha aldeia é sair do mundo,
Para entrar em outro mundo.
Para além do qual há outros lugares.
Ninguém nunca pensou no que lá há antes.
E depois que importância isso tem?

Minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está nela, está apenas nela.
No mundo ninguém sabe nunca onde esta.
E vive com pressa de ir, de chegar, de partir.

Aqui vive-se um dia depois do outro.
E viver e estar são a mesma coisa.
No fim ou no começo,
Tudo é, e isso basta.

24/09/2013

Purgatório

Toto da igreja matriz de Castelo Branco Mogadouro, imagem da padroeira, pintura a oleo de autor desconhecido

Quando criança acreditava que o purgatório ficava atrás do altar da igreja e que por lá estavam todas as almas que tinham que pagar os pecados antes de seguirem para o céu.  Confesso que fiquei muitas missas a olhar para o altar e a imaginar como por lá estariam e que tormentas teriam que purgar para passar para a etapa seguinte.

Intrigado como podiam caber tantas almas em um lugar tão apertado. Uma matemática e geometria muito intrigante para quem tinha quatro para cinco anos. Metafisica prática e simples. Tudo tinha lugar e motivo, mesmo não entendendo ao certo o que seriam, o céu e o inferno, criava o cenário para os poder entender.

Mas os anos passam e as coisas mudam de lugar.

21/09/2013

Santa Barbara


Acordei com o estrondo dos trovões. A virada do tempo, começou dias atrás e foi anunciada pela meteorologia, mas somente hoje ela chegou com força total.

Os clarões anunciavam desde o inicio da noite a tempestade que chegou de madrugada com chuva, trovões fortes e clarões que iluminam o céu continuamente. A energia elétrica falhou. A cortina do quarto estava aberta e deixava entrar pela janela relâmpagos que iluminavam sem parar as paredes, o chão e o teto, projetando a sombra dos armários para todas as direções.

Levantei para fechar as cortinas. A Julia acordou assustada e a Karina levantou para acalma-lá, graças a Deus voltou a dormir.

Meus dois cachorros estavam desesperados e apavorados gemendo e arranhando a porta do banheiro onde onde estavam recolhidos. Consegui acalma-los com ração e umas velas acesas.

Perdi o sono. Felizmente o ipad esta com bateria cheia mas sem internet faltou o que fazer para esperar o sono.

O som das sirenes dos alarmes das casas de temporada, completa a sonoplastia e preenche o silencio e a escuridão da madrugada. Aos poucos a tempestade começa a acalmar e os relâmpagos ficam mais dispersos.

Esta época é sempre de apreensão em Santa Catarina. As chuvas e as enxurradas deixaram os meses de setembro e outubro marcados pelas tragédias. Foram muitas as perdas ao longo dos anos. Vidas e bens, projetos e sonhos, varridos pelas calamidades que inundaram cidades.

Ainda sem sono comecei a lembrar do medo que tinha quando criança dos trovões. E as memórias foram surgindo, como relâmpagos de outros tempos inundando minha mente de imagens e sensações distantes e para minha surpresa ainda muito fortes.

Voltei no tempo...

A Capela de Sto. Antonio fica perto da minha casa. Uma capela bonita, pequena e aconchegante, com um altar central onde o Santo Lisboeta e casamenteiro, tem seu altar em destaque rodeado de outras imagens de santos e sanas. Normalmente a capela ficava fechada. Naquele dia porem, foi aberta, pelas mulheres que ali acorreram para invocar Sta. Barbara e pedir proteção preocupadas com a forte trovoada que estava a chegar. O dia escureceu e apesar de serem umas duas da tarde, e estarmos o inicio do mês de junho parecia ser o anoitecer.

A maioria das searas ainda estavam nos campos a espera de serem segadas. As famílias trabalhavam de sol para colher o pão. A ameaça de temporal punha em risco as vidas e os trabalhos de muitos dias, canseiras, e esperanças.

Nesta escuridão os relâmpagos faiscavam e riscavam o céu rompendo as nuvens. O vento soprava forte e passeava feroz pelas ruas montado em redemoinhos de poeira. Era o fim do mundo, ou parecia ser pelo menos.

As mulheres tiravam os brincos das orelhas e cobriam as cabeças com os lenços. ficavam a ajeitar os cabelos continuamente para acalmar.

- Ave Maria, Santa Maria...
- Ai meu Deus, gritavam
- Oh valha-nos Santa Barba, São Bernardino...
Esconjuravam a trovoada...
- Vai pra serra do marão onde não ha vinha nem pão.

A imagem da Santa foi colocada na porta da capela em um altar improvisado, virada para a rua.

E começaram o responso da Santa.

Santa barbara,
que sois mais forte que as torres das fortalezas
e a violência dos trovões,
Fazei que os raios
Não nos atinjam...
Os trovões não nos assustem
Nem abalem a coragem e a bravura.
Ficai sempre ao nosso lado,
Para enfrentarmos de fronte erguida
E rosto sereno todas as tempestades
E batalhas da nossa vida...

As nuvens baixas em cima da aldeia, relâmpagos e trovões ecoavam pelo céu e dentro da capela cheia de mulheres e crianças. As orações estremeciam com a violência da tempestade e as vozes vacilavam temerosas da falta de fé. Mas pelo menos daquela vez a tempestade passou e foi para a serra do Marão.

01/09/2013

Nossa Senhora da Vila Velha

Mes de setembro, quase fim do verão. Trabalhos passados da ceifa e colheita. Os corpos cansados do calor tórrido de agosto agradecem os dias mais amenos. As vinhas ainda estão pra terminar de amadurecer os cachos de uvas.  Outono á porta. 

A aldeia começava os preparativos para a festa da padroeira. 

Os mordomos para recolher a oferta para a festa, fazem as ultimas visitas nas casas . Da serra vem os pinhos para as bandeiras na porta dos mordomos e para enfeitar de fitas coloridas e bandeiras o pátio da casa grande.

Ja foi Escolhido o borrego e a posta de vitela para o almoço do dia de festa. Os parentes são esperados com alegria e felicidade. A festa é também o momento de reencontro e regresso  ás origens. Filhos e netos, amigos, parentes, todos reunidos nesta romaria tão albicastrense.

A banda filarmônica chega cedo e faz a primeira volta pelas ruas. Os andores estão coloridos a espera da procissão. Um tom de festa vai dando voz a tudo pelas ruas e casas. Roupas de festa. Crianças arrumadas correm pelas ruas atrás dos músicos. 

Enfim tocam os sinos para a missa e procissão. Vamos a capela... E de hoje em um ano voltamos

Foto: Arlindo Parreira

31/08/2013

Setembro


Diga lá meu bom amigo? Ja e tempo de arrancar as batatas? E de plantar as couves tronchas?

Sim, vai no tempo, é agora a hora. Mas se quiser ter um bom nabal, tem que arar as chãs em maio. Setembro e o mês do cabreiro. 

As ribeiras vão secas e as terras cansadas, nos restolhos do pão as chibas ainda comem do trigo que caiu das espigas. Mas falta pasto. 

Logo as vinhas darão a rama para engordar o gado antes das chuvas do outono e das primeiras ervas nos montes.


02/06/2013

O IMIGRANTES de 1975 a 2013



Deixei a minha Aldeia
E minha Mae a chorar
Deixei tambem meus Amigos
As estrelas e o luar

Mas quando o Imigrante volta
E a todos vai saudar
A pergunta é sempre a mesma
Saber quando vai voltar

Esse dia està chegando
Que alegria so em pensar
Voltar para a minha aldeia 
E minha Mae abraçar

Aos meus Amigos eu quero
Dizer como estou contente
Voltar para a nossa Aldeia
E o sonho de muita gente.

Sara Ingueira


12/05/2013

Cada vez mais

Cada vez mais,
Cada vez melhor.

Assim, na luz do dia.
Revejo o sonho
Que me mantinha
Preso a ti.

Minha paixão
Fez de mim teu servo
Em minha ilusão
Fulgor dos olhos
Relampejo da alma
O amor que te tenho
Dá-me vida...

Nasce a cada dia
O fruto de nosso amor
Nas palavras que dizemos
No vinho dos teus beijos
Na doçura de teus lábios

Amor, amor, amor,

Amor que um dia
Tão gigante
Imenso e profundo
Nascido de teu olhar
Crescido no peito.
Arrebatou minha vida.



06/04/2013

Vila Velha

 

Ha muito tempo por ordem Del Rei, Dom Dinis, três frades da ordem Beneditino, chegaram a estes lados para pastorear o rebanho das almas dos cristãos que ocupavam as terras reconquistada dos sarracenos.

Os cavaleiros templários da ordem de Cristo, lutaram durante anos para livrar estes vales dos invasores. Rios de sangue e batalhas sem fim fizeram ecoar nas encostas os gritos dos guerreiros e do aço das espadas. Mas enfim a paz reinou e as lutas mudaram para outras localidades ao sul do rio Douro. Enfim a população retomou as atividades de pastoreio e agricultura e fez-se necessário instruir os habitantes técnicas de cultivo que garantissem o sustento e a fixação para repovoar e garantir a continuidade do reino.

Os Beneditinos foram escolhidos pelo monarca pela característica mais pratica, eram frades que oravam e trabalhavam. No entorno de seus conventos as populações, cresciam e prosperavam graças aos ensinamentos dos frades, nas técnicas de cultivo e manuseio das terras, sementes, e criação de gado.

Um frade e dois noviços do convento foram enviados pelo abade do Priorado de Nossa Senhora da Assunção de Lamego para iniciar a paroquia de Santa Maria.

A primeira atividade foi erguer a capela que depois de pronta agregaria os fieis e aproximaria as almas de seus guias espirituais facilitando o trabalho de evangelização e aprendizado das lidas dos campos e rebanhos.

Vieram frades e gentes de varias paroquias e da sede do convento. Um grande mutirão que reuniu, aldeões, artesãos e religiosos de todo o concelho. Em duas semanas levantaram as paredes da nave principal e da sacristia. Depois em mais uma semana cortaram as toras e madeiras do telhado que cobriram com colmo de giestas.

Os alicerces da ermida foram construídos sobre as ruínas de uma antiga mesquita e mantiveram o mesmo traçado da construção anterior que por sua vez também fora construída no mesmo lugar onde os antigos celtas do castro que ali existia, tinham seu local de cultos e sacrifícios.

E assim começaram os trabalhos...

30/03/2013

Feliz Pascoa



Amêndoas e folar.
Ruas de alecrim,
Papoulas e malmequer,
enfeitam o chão.
Vai sair a procissão,
Do adro pelo eiró,
desce pelo vale,
sobe ate a praça
para chegar na estrada.

E páscoa, aleluia,

Os campos de trigo
Verdejam floridos,
As vinhas rebentam
As amendoeiras
Floresceram sem geada.

Cantamos, aleluia.

As famílias reunidas
Vieram pelo folar.

E aleluia, aleluia
Vamos cantar.


Papoulas



Campos de trigo
verdes de espigas,
Vermelhos de descobertas
Pão e sonhos,
Trabalhos e esperanças.

No mesmo campo,
O lavrador semeou os grãos,
Sustento do corpo.
E o Criador derramou as sementes,
Alento da alma.



09/03/2013

Ribeira



No fim do povo, à entrada da aldeia, corre a ribeira.
A mesma, sempre, de passagem.
Como as gentes, como o tempo.
Passageiros...

Cada geração de um novo jeito
Repete e esgota
De uma estação a outra sua existência
Primavera, verão, outono e inverno.
Fim e recomeço

Eterna é a vida.


28/12/2012

Canto das Janeiras


Juntem  todos os rapazes, vamos cantar as janeiras!
Começamos no carrascal, pelo eiró, vale e nas eiras.
Iremos de casa em casa pra louvar ao Deus menino,
Rabanadas, amêndoas, nozes, figos, e o vinho  fino.

Senhoras esperem, botem mais lenha no lume a lareira
Vamos a todas as casas sem faltar a alegria costumeira
Cantamos a Virgem Maria, Jose, pastores e reis magos
Ponham vinho a mesa, econômicos, uvas, alguns bagos

"Senhora que esta la dentro
sentada no seu banquinho
Venha-nos dar as janeiras
em louvor do Deus menino"

Moças solteiras esperai para ouvir os versos acordadas
Com cabelos soltos, lindos, com madeixas iluminadas,
Brindai com jerupiga ao ano novo cantigas de janeiras
Cantai as rimas com alegria, como nas antigas maneiras

Ainda agora aqui cheguei
pus o pé nesta escada.
Logo meu coração disse,
amora gente honrada!

Porque sempre vive quem vive a tradição de seus pais
Cantai cantai cantai com os gestos rimas e tudo mais
Cantai, nas casas, pelas ruas, de porta em porta, cantai
Um ano novo que chega com novas oportunidades cantai






09/10/2012

As vindimas na minha aldeia

Autor:Marina Craveiro

clip_image002Quando eu era rapariga e ainda estava solteira,

Era uma alegria cortar as uvas mas também no fim receber a“geira”!

Havia mais mocidade que agora há, na verdade,

Andávamos muito contentes,

Éramos grupos de muita gente.

Os dias passavam depressa,nem nos sentíamos cansados, para nós era uma festa!!!

Tractores ainda havia poucos!

Mas tínhamos os carros de madeira com juntas de bestas a puxar!

Levávamos os cestos na padiola para os carros carregar!

clip_image004Havia muita gente que não podia pagar!

Por vezes juntavam-se grupos que iam ajudar…

Outros ainda faziam a torna “geira”,

Assim não era tão grande a canseira!!

Faziam-se boas merendas e da hora estávamos atentos!

Ficávamos muito contentes ao ver pataniscas e chouriça,

Ou a galinha estufada com bastante cebolada,

Para saciar a fome a todo o camarada!

As uvas transportavam-se durante o dia para o lagar,

Pois com os carros de bestas levavam mais tempo a chegar.

Depois seriam pisadas mais á noite, a seguir ao jantar.

Seguia-se o vinho a ferver e o cango a levantar…

Está pronto o vinho mosto e já se pode incubar

Que é para todo o ano nas pipas se poder conservar.

Agora, basta esperar até o S. Martinho chegar,

Iremos á nossa adega o bom vinho provar,

Dizem mesmo,os entendidos, que no mundo não háigual!

Aqui na nossa Aldeia já há pouco para vindimar.

As vinhas dão muito trabalho e já ninguém quer plantar!

Apenas paraconsumo próprioo lavrador faz o cultivo,

Com a despesa que há não compensa em quantidade cultivar!

Acabei a minha prosa, pensando no que a minha mãesempre diz:

“Se o novo quisesse e o velho pudesse, não haveria coisa que não se fizesse!”

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Marina Craveiro,26 de Setembro de 2012

02/09/2012

Orgulho albicastrense. Convite!

Autor: Luís Pardal
Na quarta feira, 12/09/2012, dia nossa Senhora da Vila Velha,  a Albicastrense Maria da Conceição Quinteiro lança, o livro “Viver a dois em tempos de incerteza” pela editora Nova Delphi, na Universidade Nova de Lisboa.
Segue convite.
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Maria Quinteiro nasceu em Castelo Branco, aldeia de Trás-os-Montes, concelho de Mogadouro, distrito de Bragança, Portugal. Luso-brasileira migrante em São Paulo, estudou Ciências Sociais na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, onde defendeu mestrado e doutoramento na área de Sociologia. Foi investigadora visitante no Center for Cross Cultural Research on Women, University of Oxford, no Instituto de Ciências Sociais — ICS, da Universidade de Lisboa e no mestrado de Estudos sobre as Mulheres, na Universidade Aberta, Lisboa. Atualmente é investigadora do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da Universidade de São Paulo e investigadora convidada do Centro de Investigação em Ciências Sociais da Universidade do Minho. É coordenadora do grupo de Estudos Género, Mulheres e Temas Transnacionais — GEMTTRA.
Leia artigo da autora aqui no blog: “Portuguesas para o Brasil o Sonho Sonhado      … “Para minhas tias Isabel, Luísa, Dorotéia e Ilda, Pardal. Teresa, minha mãe. Que nasceram e viveram nessas aldeias.”(Clique para seguir o link e ler o restante do texto)
Forte abraço albicastrense.
Luís Pardal


08/08/2012

NOSSA SENHORA DO CAMINHO

Autor: António José Salgado Rodrigues

 

SR DO CAMINHO CAPELA il

 

No meu tempo de criança,
Quando era  inocentinho,
Eu já punha a minha esp”rança
          Na Senhora do Caminho.           

Aprendi a venerá-la
Ao colo de minha mãe,
Que me ensinou a invoca-la
Nos males que o mundo tem.

Render-lhe a minha homenagem
Oh! quantas  vezes eu ia !
Encantava-me essa imagem,
Linda imagem de Maria.

Sempre que eu a contemplava
Voltada p”ra Mogadouro,
Par”cia nos ofertava
Do coração o tesouro.

Na pequena e pobre ermida,
Mesmo á beira da estrada,
Como que a todos convida
Para a celeste morada.

Ninguém passa por ali
Sem a cabeça inclinar;
E muitas vezes eu vi
Que paravam a rezar.

Agente da minha terra,
E a dos povos ao redor,
E o pastorinho da serra
Consagram-lhe muito amor.

É que nunca esqueceram,
Cada um de pequenino,
Os favores que deveram
À Senhora do Caminho.

Quem padece uma aflição,
Vai a caminho da ermida,
A pedir a proteção
Da Virgem Santa e querida.

E não sei que alguém saísse
Desse recinto sagrado,
Sem que logo se sentisse
Muito e muito aliviado.

Ali a mãe não se esquece,
Ao embalar o filhinho,
De dirigir uma prece
Á senhora do Caminho.

Mãe piedosa!  ela murmura
Junto do berço a rezar –
Ó bondosa, santa e pura,
Vem meu filho encaminhar.

E a criança vai ouvindo
As preces de sua mãe,
Ergue as mãozinhas sorrindo,
E reza á virgem também

Desde então fica gravada
Em seu coração tenrinho,
Aquela imagem sagrada,
Da Senhora do Caminho.

E se algum dia gemeu
Sob o peso da desdita,
A quem é que recorreu?
Á Virgem Santa e bendita.

Bem aja a mãe que ensinar
O filho, de pequenino,
A bem dizer e amar
A Senhora do Caminho.

Autor: António José Salgado Rodrigues

07/08/2012

O IMIGRANTE

Autor: Alberto Paulo


I
Ao partir já com saudade,
A vossa aldeia abraçais,
Beijos de fraternidade
Abraços com ansiedade,
Pode ser p´ra nunca mais.

II
Vai p´ra um país melhor,
Já sem malas de cartão,
Mas há na boca amargor,
Dentro do peito um furor,
Que abala o coração.

III
Esforço, trabalho duro,
Esperam o imigrante,
Só a pensar no futuro
Que sabem ser inseguro
E no país já distante.

IV
A mulher trabalhadora,
Que também cuida dos filhos,
Quantas vezes ela chora,
Suspirando d´ora à hora,
Em desconhecidos trilhos.

V
Lutar por vida melhor,
Não é a única meta,
É ter um filho Doutor,
Viver em paz e amor,
Ser avó, ter uma neta.

VI
Fazer casa, ter um lar,
Voltar ao seu Portugal,
Ouvir o sino tocar,
Pegar o terço e rezar,
Bendita terra natal.

06/08/2012

Mais um “sitio.com” albicastrense

Autor: Luis Pardal

As crônicas e registros fotográficos do olhar atento do conterrâneo, Isaias Cordeiro, enriquecem desde o dia 10/07/2012 as paginas de mais um blog com dna albicastrense. Uma iniciativa que sem dúvida vai contribuir com as demais já existentes, na missão de manter acesa a chama das tradições e cultura, valorizar a história, e  registrar as mudanças nas paisagens, gentes e geografia albicastrense.

Parabéns pela iniciativa.

Clique aqui para seguir link de mais um blog albicastrense

01/08/2012

Nostalgia

 

Nostalgia em olhares pela história

No jardim de Mogadouro

Autor: Marina Craveiro

CAPELA SRA DO CAMINHO MOGADOURO

Admirando a paisagem
Sentada neste banco
Belos jardins nos rodeiam
Estou também neste canto

A nossa mãe do caminho
Está aqui ao pé de mim
Ela me acompanha sempre
Que eu venho para aqui

Logo bem cedo ao chegar
Tenho um encontro com ela
Peço-lhe para me guiar
Vendo-a na sua capela

A porta está fechada
Mas eu vejo-a muito bem
Eu olho-a bem nos olhos
Porque ela é nossa mãe

Eu vou falando com ela
Todos os dias rezando
Que me ilumine o caminho
Por onde eu vou andando

Pelo que tens feito por mim
Obrigada minha mãe
Porque sempre tu me ouves
Eu te agradeço também.

Marina Craveiro

30/07/2012

Migalhas

Por: Albano Solheira

 

Migalhas

“Crônicas de tempos idos”

Capitulo I

A existência toma as cores do tempo. Cada estação da vida tem seu modo de ser e de estar nos dias. Há uma época em especial em que o corpo nega as forças ao pensamento e mesmo que a vontade teime em querer fazer algum movimento, ele tem que ser programado e posto em pratica, de forma conjugada, devagar. Negam-se os músculos, negam-se as pernas e até a mente começa a teimar por conta própria não querer ir a lugar algum.

Antonio vivia assim. Sem pressa nem desassossego, no ritmo de seu corpo cansado, atrofiado pelos trabalhos. Foram tantos invernos, que há muito perdera a conta dos anos. Mas que importância isso tem, se a vida é um dia de cada vez, não há porque contar ou marcar algo que não acrescenta só subtrai. Vivia, isso bastava…

Esquecera quem era ha muito. Foi um criado por escolha propria. Ao meio da vida, trocou o ser, por cama e comida na casa dos outros. Preço alto, muito caro e que só agora ao fim dos dias, reconhecia o erro de trocar trabalho por farelos e vianda. Entregou sem valor a juventude e a meia idade aos patrões. Agora sem a força dos braços para o serviço, era um peso, um invalido. Não valia a comida que comia. Esqueceram rapidamente dos anos de didicação, de nada valeram. Juntaram os trapos o colchao de palha onde dormia e puseram tudo a porta do curral. Depois o filho do patrão mandou outro criado para lhe dar a noticia que ele tinha que sair dali, o patrão não tinha mais serviço.

Com uns vinte e poucos saiu para correr mundo ao terminar o serviço militar. O exercito mostrou horizontes maiores que os da aldeia onde nasceu e de onde nunca tinha saido até ser recrutado. Jurou não voltar. Mas a vida tem seus proprios caminhos.

Quando deu a baixa, ficou na cidade grande, mas logo saiu para terras menores. Era estranha a lida nas fabricas. Nao se imaginava trancado o dia inteiro sem ver o céu. Não exitou, e saiu sem destino. Trocava o trabalho por alguns vintens para vinho e comida. E assim começou a andar, por onde lhe davam trabalho e função rodou terras e lugares. Foi pastor, guardou vacas, ajudou nas segadas, das colheitas, nas vindimas, na azeitona, mas nao se fixou a nenhum lugar, como se tivesse uma força que o fazia ir alem sem nunca se deter ou criar raizes.

Ninguém sabia de onde viera e nem mesmo ele lembrava ao certo porque ali chegara também. Um dia cansado de andar sem eira nem beira, pelos caminhos e terras, chegou à porta do um curral que fica a entrada do povoado e sem que ninguém nem nada lhe dissesse o motivo, parou. Olhou a cancela da entrada e resolveu ficar ali para oferecer o trabalho em troca de cama e comida.

Imóvel, na porta do curral, como um cão do gado encolhido ao sol a espera do pastor até a hora de soltar as ovelhas, ficou a espera que o dono aparecesse . Nem mesmo a barriga vazia e os pés doidos e congelados o fizeram sair do dali. Não tardou, e os criados chegaram. Olhos dormentes, encolhidos pelo frio da geada apressados para atender o mugido das vacas e o grunhido dos porcos que cientes do horário da lida. Fez um juramento de nao voltar, e agora sem porquê nem motivo, ali estava no mesmo lugar de onde saira anos atras. Ao ve-lo o patrao sorriu, e sem muitas palavras deu ordens para aceita-lo ao serviço.

Com dificuldade saiu com a trouxa as costas. Mudou todos seus pertences para um palheiro perto do semitério que estava vazio sem gado nem palha. Em um dos cantos fez uma mureta com cantaria para servir de murilho pra lareira. Almas caridosas deram-lhe uma panela para cozer as batatas. E  assim sem ter onde cair morto passou a viver os dias na solidão da caridade alheia.

No rigor do inverno uma geada mais forte congelou o telhado e a alma do Antonio, partiu enfim.

Albano Solheira

Olhares

 

 

Olhares por tras os montes

26/06/2012

15º Convívio Albicastrense em Lisboa

Autor: Alberto Paulo

Dia vinte e quatro de junho de 2012 foi um grande dia para os Albicastrenses, festejou-se o 15º convívio no parque do Monsanto tudo esteve maravilhoso. O meu obrigado aos organizadores pois tiveram de madrugar e reservar as mesas para quem não pode chegar tão cedo.

Lá pelas nove horas o pessoal foi chegando e era ver o sorriso de alegria nos rostos das pessoas que já não se viam desde o ano anterior, abraços, beijinhos e dois dedos de conversa.

Passado algum tempo, tempo que nestas alturas passa muito depressa, já as mesas estavam repletas de iguarias de fazer crescer água na boca, dei uma volta pelas mesas e quando cheguei à minha já quase não tinha fome, pensei até como seria bom ter um estômago de reserva para estas ocasiões.

Pela tarde fora houve de tudo um pouco, o que mais me despertou a atenção foi um grupo de rapazes uns a jogar o fito e outros a relha, para meu espanto a relha era um picareto, tudo serve quando se trata de matar saudades e de queimar algumas calorias.

Uma palavra de agradecimento ás pessoas que se deslocaram de Leiria e das Caldas da Rainha, e aos jovens que vieram propositadamente de Castelo Branco fortalecendo assim os laços que unem todos os Albicastrenses.

Mais uma vez obrigado aos organizadores que através da venda de rifas e canivetes angariaram fundos que revertem a favor da festa da nossa aldeia.

Alberto Paulo

27/05/2012

15º. Piquenique albicastrense 2012

Autor: António Pires

cartaz piquenique.2 cópia

Participa!O piquenique em 2012 será no 24 de junho.

Diferente de outros anos o local mudou para o PARQUE KEIL DO AMARAL que fica a 200 m do anterior. Para não haver dúvidas teremos setas a indicar o novo local.

30/04/2012

Tradição das sopas chises.

Autor: Lídia Susana Tavares

A matança do porco é sempre uma ocasião de confraternização da família e amigos. Um encontro de alegria com sabores inconfundíveis  e tradicionais no mês de Dezembro. Nesta ocasião são preparados alguns dos pratos mais interessantes de nossa culinária albicastrense, como por exemplo, as sopas chises. Estas fotos foram tiradas na época certa, mas porem só agora as pude publicar.

Para a Lídia Suzana, meu muito obrigado pela partilha.

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TEMPO CONTADO: Exame

TEMPO CONTADO: Exame

26/04/2012

Sabores albicastrenses

Autor: Marina Craveiro

Um festival de aromas e sabores albicastrenses.

Marina, Orlete, Dometília, Dulce, Maria,

Sabores e saberes albicastrenses, economicos e bolo preto.

ultimas 043 ingredientes selecionados com muito esmero Marina e Orlete preparam o "bolo preto". Cada ingrediente é na medida certa para compor esta deliciosa receita gastronomica albicastrense, que foi passada de mãe para filha. alquimia dos sabores e saberes albicastrenses Maria dá o toque pessoal na receita. Cada pitada tem seu motivo e porque, nada é por acaso nesta mistura de sabores. Marina e Orlete concentradas enquanto separam os ingredientes. o aroma de canela toma conta do ar... Marina a preparar  as raspas de laranja, o toque de aroma que faz o bolo ficar perfumado e com mais vida! Orlete e Marina preparam a massa. A mistura de ingredientes tem ciência tambem, há que fazer tudo a tempo e modos certos para que a massa fique aerada e de o toque final na hora que vai ao forno. Afinal o bolo preto tem que ser molhado intenso e com os "olhos da massa em formato de favos" quem já provou sabe.  Maria acrescenta o leite morno, para finalizar a massa. E aos poucos a farilha, ovos, açucar, canela, e o leite são misturados e encorpados na massa, está quase pronto. Mas nisso tudo tem o saber de muitas gerações. O ponto da massa e a combinação faz a diferença...

Maria dá o ultimo toque no forno. E dá uma conferida para ver se já está no ponto ou precisa de mais lenha. Forno frio deixa o bolo sovado quente demais torra a massa e deixa o bolo seco. O ponto do forno faz a diferença no resultado final da receita. Dulce, Dometilia e Marina, com as mãos na massa a preparar nas formas os econômicos. Massa espalhada, uma pitada de açucar por cima e está pronta a forma para ir ao forno dourar estas maravilhas que só as mãos albicastrenses fazem com tanta maestria. Econômicos: simples mas tão saborosos. Inconfundiveis Dulce e Dometilia, concentradas a fazer mais uma forma de economicos. O resultado final depois de ir ao forno. A massa cresce e o açucar cristaliza e deixa a massa crocante e tentadora. São servidos? Pudera, dá para sentir o aroma e o sabor só de olhar dá agua na boca... Marina orgulhosamente apresenta, uma fornada de "bolos pretos". Pena que a foto nao registra o aroma da massa quentinha. Fica a memoria olfativa de cada albicastrense a fazer a agua crescer na boca e a matar de saudades de uma fatia deles. A prova de que ficaram maravilhosos é de que nem elas aguentaram sem provar Orlete tira do forno uma forma de economicos no ponto. Hummmm tão bons... Querem provar?

Maria sempre a cuidar do forno e da fornada, nao se pode descuidar. O resultado final, ainda nas formas a esfriar para serem tirados sem quebrar um pedacinho sequer. Daqui a pouco vão sair de castelo branco com destino as casas das filhas, filhos e netos que moram nas cidades grandes. O sabor e o saber de Castelo Branco tem o gosto e o carinho  de mãe.

Fotos enviadas por Marina Craveiro 

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