15/12/2009
12/12/2009
Fotogenia Micológica
Exposição fotográfica temática de:
Guilherme Sanches
A partir de sábado, 11 de Dezembro no Clube de Ténis de Braga. Participe do evento!
Maiores detalhes no blog do autor:
Siga o link da imagem!
07/12/2009
O COLO DE MINHA MÃE
Autor: Alberto Paulo
Luís,
Todos os dias vou ao portal ver se há novas notícias parece que estamos mais perto da aldeia. Eu é que te agradeço por publicares os meus poemas, é uma forma de partilhar as saudades da nossa terra natal, e como estamos em plena quadra natalícia e amanhã dia 8 é dia de Nossa Senhora da Conceição e era o dia da mãe, pensei enviar-te este poema e uma foto da tua mãe «minha madrinha» que tirei em Setembro de 2005 em Lagoaça numa visita que fizemos à minha irmã.
Um abraço do teu amigo. Alberto Paulo.
I
O meu sono mais perfeito,
Foi ao colo de minha mãe,
Agora quando me deito.
Desconfio até do leito,
E o sono nunca mais vem.
II
Mil histórias me contaste,
E ás vezes fiz-te chorar,
Quantas vezes me beijas-te,
Sempre pronta a perdoar.
III
Foste mulher, foste mãe,
E do teu fruto fecundo,
Virá quem diga também.
Que o amor de qualquer mãe
É o maior amor do mundo.
IV
Obrigada minha mãe,
Por tudo o que me ensinaste,
Recebe um beijo também,
P’las vezes que me beijaste.
V
Quando eu morrer minha mãe,
Pede à Virgem Maria,
Que guarde minha alma também,
No seu colo noite e dia.
05/12/2009
25/11/2009
Mudança de planos
Nos últimos meses publiquei, aqui no blog, alguns artigos e fotos de conterrâneos, como forma de divulgar nossa terra e abrir espaço para a troca de assuntos e novidades.
Com o lançamento do portal www.castelobrancomogadouro.com todos os artigos serão direcionados para lá e o blog ficará restrito a artigos e crônicas de minha autoria.
A proposta do portal é de ser uma aldeia virtual construída com a participação de todos e permite que os autores publiquem artigos e fotos diretamente, mediante um cadastro simples de login e senha. Esta mudança de local deve-se apenas ao fato de que o portal tem maior segurança, mais espaço para hospedagem de arquivos, fotos, e maior velocidade de acesso.
Farei gradativamente as transferências para o portal, com a garantia de que nenhum artigo ou foto se perca.
Faz já o teu cadastro e participa. Semeie teus artigos e fotos,
o portal é teu!
Abraços
Luis Pardal
08/11/2009
O último Regedor
A eleição do ultimo regedor de Castelo Branco aconteceu na escola primária. Tínhamos acabado de eleger o presidente da junta, o Senhor Raul Afonso.
O ato exigia eleições para que se escolhesse tambem um novo regedor. Foram indicados alguns nomes, porem nenhum deles foi do agrado do povo.
Nisto alguém se lembrou do Arlindo e sem parar já começaram a fazer os boletins de voto. Os ditos boletins eram tiras de papel enrolado com o nome dos candidatos. Nestas eleições em especial, tivemos dois candidatos, eu e o Julio Casadinho que era o antigo regedor .
Mas deixem explicar como tudo aconteceu e em que circunstâncias:
Ao ouvir falar o nome do Arlindo, a senhora, A. M, gostou da ideia e junto com o senhor Nascimento que era o alfaiate do vale começaram a pedir os votos.
- Bota aqui pro Arlindo
Quero lembrar que os eleitores estavam reunidos por perto, e que nos padrões atuais das eleições, não se poderia falar dos candidatos durante o ato eleitoral. Mas era Castelo Branco em 1976…
Enquanto eles falavam a todos para que votassem em mim, teve alguém que viu e começou a dizer:
-Assim não estava certo, não valia fazer batota!
Nisto logo se juntaram mais a dizer:
- fica ele e mais nada. Precisa-se de gente nova!
E responderam:
- Esta bem, mas tem que haver democracia!
- Mucracia, fica ele e pronto!
- Esta bem, mas com democracia!
Nisso alguém perguntou:
- Ó ZABEL o que é a mucracia?
E logo ela respondeu a rir:
- Não se meta nisso a mucracia e uma batota onde todos querem mandar
- Eu bem me parecia que coisa boa não era...
- Mas não vai ficar tudo o mesmo, bota aqui pro Arlindo e pronto.
Nisso o Julio Casadinho disse:
- Votai todos para ele que eu já estou farto disto.
Assim fui eleito com maioria absoluta, não foi preciso contar os votos. Recebi os parabéns. Uns riam, outros diziam:
- Se estávamos mal ficamos pior...
Acabado de ser eleito agradeci a confiança que depositaram em mim e prometi que iria fazer o melhor à bem de todos e pela democracia.
Não me deixaram terminar de falar e já me cortaram a dizer:
- Ainda acabaste de ser eleito e já estas tu também com a mucracia!
- Cale-se e deixe o ouvir,
Continuei: - Bom ate aqui tudo bem, mas eu quero saber quanto vou ganhar?
- Isso e lá com a câmara, alguém falou.
Respondi: Não, isso não, tem que ser o povo a pagar se quiserem que fique, ou metam outro!
Ninguém disse nada, a resposta que veio foi só o silêncio.
Continuei: - Eu proponho que cada um pague com o que colhe, quem colhe trigo da um alqueire, ou mais conforme o que colhe, quem colhe vinho da uma remeia... quem nao colher pao ou vinho pode dar a galinha ou o parreco,
g argalhda geral
De pronto alguem falou:
- Caralh… ! Do meu não bebes, da muito trabalho!
E sem ligar para o que falava continuei: - outro da feijões, mas, não se preocupem, nas colheitas eu vou a vossa casa a receber.
Cortaram de novo a minha fala:
- Podes dar a volta ao povo, mas de mim, não levas nada!
E já com ares de autoridade respondi:
- Isso é o que vamos ver, tem que haver democracia!
- Ai, lá volta ele com a mucracia, tamos bem aviados!
Alem disso e como sabem o regedor senpre teve dois cabos os guarda costas escolhi dois homens de minha inteira comfiança:
O senhor Luis Pardal e o Senhor Amandio Gonçalves mais conhecido pelo Amandio Mangas, era o pai do xico lagarto.
Depois disso na primeira vez que fui a câmara de Mogadouro, ja lá estava tudo relatado. Já sabiam de tudo, fui reçebido com abraços que eu dispenssei, vamos au que enteressa que querem de mim e para levantares as pistolas as estrelas e os cavalos.
E assim ali na Câmara Municipal, começou outra mucracia.
Mas esta fica para contar mais tarde, outro dia, eu prometo.
O que se passou dai para a frente vai sair a qualquer momento, estejam atentos.
Visita o site todas as semanas nao estejas a espera que tem mandem o email, escreve alguma coisa, faz as tuas criticas, sem elas nao é possivel melhorar a nossa pagina!!!
Arlindo Parreira
O ultimo Regedor de Castelo Branco
Contexto histórico:“Em Portugal, entre 1836 e 1976, o regedor era um funcionário público que representava a administração central junto de cada freguesia.Nas primeiras eleições, realizadas no primeiro aniversário da revolução, mais de 93 % da população acorreu às urnas, numa demonstração maciça de participação política. Os primeiros e escassos anos «após o 25 de Abril» viram uma proliferação de partidos políticos, um alto nível de participação eleitoral e inúmeras outras actividades políticas: greves, ocupações de terras, assembleias de trabalhadores e moradores, comissões de moradores, etc.Sob o Estado Novo, Portugal foi organizado segundo uma série de unidades geográficas dispostas hierarquicamente. A unidade política mais pequena era a freguesia. As freguesias variavam de tamanho e podiam compreender um certo número de lugares, aldeias e vilas. Uma cidade abrangia diversas freguesias. Cada freguesia tinha um órgão de administração local — a junta de freguesia. Um certo número de freguesias contíguas constituíam um concelho, dirigido pelo presidente da câmara, nomeado pelo governo central, e por um conselho municipal (a câmara municipal).Ao nível local, havia duas instituições governamentais: a junta de freguesia eleita e o regedor nomeado.O regedor representava a polícia e a administração do Governo. Era um residente local alfabetizado, bem conceituado, nomeado anualmente pelo presidente da câmara, de quem dependia directamente. As funções do regedor incluíam a recolha de dados para o censo da população, o policiamento da freguesia, a recolha de estatísticas sobre a agricultura e a indústria, afixação de decretos governamentais, notificação de mancebos para o serviço militar, comunicação ao presidente da câmara de irregularidades na administração da freguesia ou na actuação da junta. Em cada aldeia da freguesia, o regedor era auxiliado por um cabo da polícia, nomeado pelo presidente e por indicação do regedor.”[1]“Incumbia aos regedores: cumprir e fazer cumprir as ordens, deliberações e posturas municipais e os regulamentos de polícia, levantar autos de transgressão sempre que necessário, auxiliar as autoridades policiais e judiciais sempre que necessário, agir de modo a garantir a ordem, a segurança e a tranquilidade públicas, auxiliar as autoridades sanitárias, garantir os regulamentos funerários, mobilizar a população em caso de incêndio e cumprir outras ordens ou instruções emanadas do presidente da câmara municipal.” [2]A figura do regedor de freguesia foi extinta na sequência da introdução da Constituição da República Portuguesa de 1976. [3]
Referências:
[1] Riegelhaupt,Joyce Firstenberg,Análise Social, vol. XV (59), 1979-3.º, 505-523
[2] SANTOS, Maria José Moutinho, Bonfim - Séc. XIX: A Regedoria na Segurança Urbana, Cadernos do Bonfim nº1, Setembro de 2001
SOBRAL, J., As Divisões Administrativas de Portugal, ao Longo dos Tempos, Audaces, 2008
[3] Parecer n.º 31/2005 da Procuradoria Geral da República sobre a evolução da estrutura administrativa
27/10/2009
Convite aos Albicastrenses!
Autor: Luis Pardal
O Portal castelobrancomogadouro.com é um portal originado do carinho amor e paixão a Castelo Branco. Será construído por muitas mãos e estará em constante evolução. Não expressa opinião oficial, partidária, ou religiosa.
Apenas expressa o sentimento dos que estão por detrás dos artigos e contos: o amor á nossa terra. Vamos reunir nestas paginas, a história, as tradições, o patrimônio e a trajetória de alguns personagens e personalidades.
Os links serão incluídos aos poucos, “vamos arar as chãs”, conforme as estações e o tempo permitirem e com a participação de todos. As novidades e os assuntos vão surgir, crescer e, ficarão maduros, no tempo certo.
Os limites da aldeia de Castelo Branco, inspiradora e fonte deste portal, serão expandidos para fora das fronteiras geográficas, o mundo é a fronteira. Os filhos da terra, apesar de viverem dispersos, pelos quatro “cantos” deste mundo grande de Deus, estão presentes em seus corações, nos caminhos, ruas, hortas, casas e lembranças, deste terra que lhes deu o berço.
Convido para que participe também. Faça contato, mande fotos, deixe seus recados no livro de visitas, participe dos fóruns. Junte ou reencontre amigos ou pessoas queridas.
Divulgue o site! Afinal esta é a nossa aldeia virtual de Castelo Branco.
Um forte abraço albicastrense!!!
Luis Pardal
VISITEM O NOVO PORTAL:
25/10/2009
Minha homenagem
Autor: Lidia Susana Tavares
Tempos atrás prometi enviar uma foto de minha avó para o blog e na ocasião não o fiz pelo propósito de escolher a mais bonita das fotos.
Ela era a mulher mais antiga da aldeia. Infelizmente a “partida” dela fez com que a foto não chegasse em tempo mas senti-me na obrigação.
Estava aqui sentada no sofá com uma caneca de chá quentinho, quando os meus pensamentos voaram até umas tardes de anos anteriores, em que do mesmo modo segurava a chávena de café quentinho! -"Vamos tomar um cafezinho juntas?" Sabia tão bem, aquele nosso café. Era único sem comparação!
Partiu uma grande mulher ! E quero dedicar uma homenagem a minha avó que no dia 17 de outubro de 2009 partiu para junto de Deus, e deixou a todos os familiares e amigos mais pobres...
Tinha 96 aninhos, com uma energia única, boa disposição e amável para todos! Uma velhinha "vaidosa", de cabelos negros educada e com um sorriso nos lábios, encantou até nos últimos momentos de sua vida terrestre! Nasceu em 13-06-1913 e partiu em 17/10/2009
Uma mulher lutadora, sempre!
MAE de 4 filhos( Artur Tavares; Albino Tavares; Maria Eugénia Tavares; Orlete Tavares), 7 netos e 5 bisnetos. A avozinha velhinha como era conhecida pelos bisnetos, foi sempre muito mimada por parte de todos! Especial... não só por ser quem era, mas por ter os princípios que tinha, e alem disso admirável por seus dotes de culinária, padaria, e crochê.
SABEMOS QUE NAO TE PODEREMOS TOCAR JAMAIS, MAS ESTAMOS NA CERTEZA QUE FOSTE EM PAZ...ESTARÁS PARA SEMPRE PRESENTE NAS NOSSAS CONVERSAS E NOS NOSSOS CORAÇOES!
24/10/2009
Ser Albicastrense
Autor: Isaias Cordeiro
Agradecendo 0 convite que 0 Luis fez a propósito do PORTALVIRTUAL DE CASTELO BRANCO e que aceitei de bom grado e a bem da comunidade Albicastrenses, e fundamental e de bom senso que justifique as razões da minha aceitação.
Ser Albicastrense, gostar desta terra muito embora ausente muitos anos, a ela regressar após O casamento, por circunstancias um pouco inesperadas e ainda mais do que tudo, trazer como minha esposa uma Albicastrense a quem dedico todo 0 amor por me dar dois filhos também eles Albicastrenses a quem muitos amigos dedicam amizade.
Como e obvio, e quase sem querer mas por gosto e espírito solidário com a comunidade, fui arrastado no bom sentido para este desafio que espero não desiludir. Quando se relatam factos verídicos por muitos bem conhecidos, e também repartir com todos os intervenientes uma sensação de bem estar, de conhecimento e felicidade por ter acontecido.
Gosto de falar de acontecimentos, de experiência de vida da minha infância, das dificuldades, dos obstáculos, dos trabalhos que passei e daquilo que não consegui muito embora lutasse para a sua concretização. Mesmo assim dou graças a Deus pelo que me deu !
Muitos rascunhos guardei, escritos em momentos menos bons da minha vida sobretudo durante a Guerra Colonial em Moçambique alguns dos quais passados com nossos conterrâneos civis e militares. Sobre estes vou brevemente relatar passagens sobretudo daqueles que ainda se encontram em África como missionários.
A seu tempo vou enumerar as gentes que encontrei nesse ultra mar profundo] quer na guerra quer na vida civil e a eles dedicarei uma atenção especial. Conterrâneos, alguns ja falecidos mas muitos ainda vivos os quais sempre me dedicaram um carinho que la longe tem um sabor sem igual.
Mas nao pensemos que so escrevi relatos de coisas mas. Tenho também muitos de coisa boas passados com conterrâneos, familiares, nativos etc. ...
Brevemente e se para isso houver um cantinho para pequenos textos dedicarei todas as Iinhas que escrever a COMUNIDADE Albicastrense espalhada pelo mundo e se me permitirem extensível a COMUNIDADE de todo o concelho de Mogadouro.
Saudações albicastrenses
Isaias Cordeiro
Aproveitem e visitem o site do portal:
www.castelobrancomogadouro.com
22/10/2009
Memórias do passado, ou lenda da fonte
Autor: Arlindo Parreira
Ás vezes ao olhar para o passado parece-nos que tudo sempre foi do jeito que é agora. Somos levados a esquecer que nos últimos anos as coisas mudaram muito. A geração atual desconhece os trabalhos, canseiras, e o valor que as coisas tinham para nós em outros tempos. Coisas simples como abrir a torneia de casa e sair água, era há cinquenta anos, algo impensável pelo menos para quem vivia nos anos 60, em Castelo Branco. Concordo que eram outros tempos, tempos difíceis, mas cheios de detalhes e emoções e que tinham o seu que de romantismo.
Por exemplo, a fonte velha do vale para quem viveu nesta época, é uma marca disso.
E como tudo na vida ela também trás boas e algumas más recordações. Nem tudo são flores, as rosas também tem espinhos não é mesmo?
Mas é sobre ela que lhes quero falar a respeito. A água de lá era e ainda é a água melhor para se beber da aldeia, mesmo depois de chegar a água encanada. Enganados pela proximidade do ribeiro, podemos pensar que ela nasce dele, mas não é assim. A
nascente sai de um veio que vem dos lados da escola. A água brota filtrada do meio das fragas, límpida e cristalina. Melhor que a da solheira, e que a do carvalhal em sabor e gosto, digo até que é a melhor água da terra.
Quando chegavam as colheitas, tinha-se que levantar cedo para fugir do calor. Vínhamos a casa almoçar e tirar a sesta. Hora do corpo descansar um pouco enquanto diminuía a força do sol do meio dia. Era nessa época que a água fresca da fonte ficava mais apreciada e valorizada, todos lá iam para apanhar da água refrescante e saborosa que matava a sede e renovava as forças.
No verão a rapaziada fazia limpeza. Tirava a água com um motor, lavava as paredes com uma escova dura, varria todo o barro e lodo do fundo. Tudo limpo, muito bem limpo, para se poder beber. Um autêntico ritual levado a sério e que acontecia todos os anos com o maior empenho, entusiasmo, e digo também, exibição.
Foi o ponto de encontro mais requisitado e frequentado pela mocidade da aldeia. Acreditem, ali perto da ponte, era o melhor lugar para se estar em certas horas do dia. Muitos casamentos começaram por ali. Sim, tem história essa nossa fonte e o vale também. Sei que já começaram a lembrar... Sim, isso mesmo, para os rapazes e raparigas solteiros, era ali que tinham a oportunidade de estar por perto para trocar uns olhares, uma graça, um sorriso, um encanto e porque não, para começarem um grande amor. Enquanto esperávamos por “elas” fazíamos apostas. Autentico torneio disputado por todos os rapazes.
Como sabem dentro da fonte tem uma pintura com um santo desenhado. Este era o desafio. Quem fosse capaz de beijar o santo da fonte ganhava o direito de encher o cântaro da primeira rapariga e de ajudar a colocá-lo ao quadril dela. Era uma oportunidade única, lembro bem como ficava bonito de ver... As moças com a coluna inclinada para o lado para manter o cântaro direito, e os rapazes felizes pela dupla vitória, de vencerem os outros e de poderem ajudar a moça a erguer o cântaro. Eram momentos muito especiais, de pequenas subtilezas, olhares, emoções. Tão simples para os dias de hoje, mas com tanto sentido para aqueles dias.
Não pensem que era fácil ganhar o desafio. O grau de dificuldade e de risco era grande e só os que tinham maior habilidade venciam. Era preciso muito treino e coordenação motora. O santo fica na parede do fundo da fonte do lado oposto á porta de entrada. Ladeando o teto tem uma alça. Era por ali que se tinha que chegar ao santo. O corpo inteiro suspenso e fixo pela força de pés e mãos contra as paredes laterais da fonte, virados de barriga para baixo movendo as duas mãos e os dois pés em sincronia até chegar ao fundo. Chegando lá tinha que se soltar uma das mãos, para conseguir torcer o pescoço e a cabeça, e dar o beijo no santo. Sim era difícil mesmo! Até se conseguir dar o primeiro beijo no santo e ganhar a oportunidade de por o cântaro na cintura das moças, eram muitos tombos na água. Mas, a recompensa valia qualquer sacrifício e treino, Castelo Branco teve sempre as raparigas mais bonitas.
Mas eu falei que tinha más recordações também. A fonte não tinha nenhuma proteção era muito perigosa. A entrada ficava completamente aberta e teve vários casos de pessoas que caíram lá dentro, das que eu me recordo a minha cunhada Maria Elisa foi uma.
Das histórias mais dramáticas que lá aconteceram e que na ocasião provocou maior comoção a todos da aldeia foi a de um menino de cinco anos que lá caiu e se afogou. Vou lhes contar como foi. Sabem que em nossa aldeia tínhamos o costume do toque das trindades. O toque dos sinos era o sinal para os mais novos voltarem. As brincadeiras perto do fim do dia eram, quase sempre, estrategicamente em lugares perto de casa. Assim ao primeiro sinal a garotada saia a correr para chegar logo perto dos pais e pedir a benção. As mães, com os filhos á volta da mesa, davam graças pela ceia posta.
Naquele dia foi assim também. O sino tocou as trindades, a algazarra das crianças e das brincadeiras acabou aos poucos. A aldeia recolhia ao silencio da noite e do aconchego no lar.
A mãe esperou o filho e ao ver que não chegava para a benção, começou a se desesperar. Chamou os vizinhos. Tocaram o sino a rebate e o povo todo veio para acudir. Começaram a procurar e nada de encontrarem o menino. Lampiões na mão, as almas em alvoroço, todos aflitos e angustiados na procura pelas ruas e cantos da aldeia, a chamar o nome do rapaz, mas nada. Na noite tensa só se ouve o murmúrio das vozes aflitas e os gritos de uma mãe desesperada, com o pressentimento de que algo terrível pudesse ter acontecido.
A certa altura a mãe gritou: - Está na fonte do vale. Corremos todos para lá. O Belmiro Cordeiro mais rápido foi direto ao forno do Dr. Virgilio e saiu de lá com o ranhadouro do forno para ajudar a procurar na fonte. Começou a procurar o fundo. A luz dos lampiões era pouca e deixava tudo mais e tenso, as chamas a balançar mostravam rostos nervosos e angustiados. De repente sente que tocou algo diferente do chão duro e grita: Está aqui! Os momentos seguintes foram indescritíveis, choro, comoção geral e uma tristeza imensa no coração de todos os presentes. O menino era filho da Sra. Inácia e do Senhor José Maria do Correio. Chamavam-no assim porque era ele que ia á estação de Bruçó buscar as cartas e o correio da aldeia. Depois disso imigraram há muitos anos para Lisboa.
Apesar de bem conservada e restaurada a fonte ficou esquecida por todos da aldeia.
Os rapazes e as raparigas já lá não vão agora, nem sabem mais como se encaixa um cântaro á cintura e que graça isso tem.
Mas a culpa é dos cântaros quero crer. Eram de barro quebravam fácil.
Sinal dos tempos, iriam todos!
Ai que vontade de uma jarra daquela água...
Que sede que deu!!!