03/10/2009

Operação “Raposa Rabuda”

Autor: José  Fernando Rodrigues Pimentel Sanches
FLAGRANTES DA VIDA REAL
raposa_galinheiro
Corria o mês de Dezembro de 1977.
Domingo, madrugada, todos reunidos em casa do “ Ti Firmino Ingueira”, de volta de uns bons rachos a arder na lareira, e alguns degustando-se com um pouco de aguardente. Talvez por ser o mais novo, o sangue fervilhava mais nas veias. Comecei a “puxar” por eles, e lá decidimos sair.
Ainda não tínhamos andado 500 metros, desatou a chover. Abrigamo-nos debaixo de uns carrascos. Veio uma aberta e lá continuamos. Perto da Capela da Nossa Senhora da Vila Velha, parece que alguém estava do nosso lado, o Sr. António “Antoninho” mata o 1º do dia - um coelho. Não demorou muito tempo que os cães levantassem outro coelho, que eu matei, e pouco tempo depois o Guilherme do Souto matou outro.
Mas nesse dia os nossos objectivos eram outros: Raposas - E foi junto à capela de Nª Senhora, debaixo do carrasco que arquitectamos os planos para a “operação raposa”, que consistia no seguinte:
raposa na ribeira de cavalos Havia uns buracos num lameiro da Ribeira de Cavalos e eram para lá o primeiro ataque. Eu e o Ti Firmino, íamos na frente, ocupando posições estratégicas, vindo depois o restante exército, composto pelos bravos combatentes - “Ti Chico Moleiro”, Guilherme do Souto e Ti António Antoninho. (Diga-se que cumpriram plenamente a missão que lhes era confiada)
O Ti Firmino com um tiro certeiro matou uma raposa, terminando a investida naquele local.
O próximo alvo era o “Escoval Negral” do Sr. Figueira, nas costas da Soalheira.
Como equipa que está a ganhar não se mexe, a táctica era precisamente a mesma. Dois tomam posição e depois o resto (3) da armada ataca. Mas não sem antes, numa borda de um lameiro, levantado pela “Lisboa” (cadela do Ti Chico) matei mais um coelho.
Voltou a chover. Tivemos que nos enfiar debaixo de umas palas de pedras, e aguardar. Entretanto fizeram-se horas para a bucha e atacamos também.
Já  com os estômagos aconchegados, rumamos ao centro das operações. Já  posicionados aguardamos em silêncio a chegada da “infantaria”.
De repente ouço um tiro do lado de onde estava o Ti Firmino, mas não soube mais nada. Meio minuto depois uma raposa. Acerto-lhe com o 1º tiro e matei-a com o 2º tiro. Vou a correr para a apanhar e quando cheguei, a mesma estava “cravada” no focinho do meu cão “Skip”, uma pedrada na cabeça e lá largou.
Carreguei-a para o meu posto, onde já tinha a 1ª pendurada.
Nisto aparece o Ti Firmino com outra - 3 raposas, no total.
Bem, é aqui que reúne o “estado maior” e chega à conclusão, que teríamos que regressar ao quartel (casa) pois já era muito peso para carregar às costas.
Entramos na aldeia pela porta principal, mostrando os troféus.
Mais tarde vendemos as 3 peles ao Sr. Manuel Pereira, dono da casa “Tozito” em Mogadouro, tocaram 800$00 a cada um. Naquele tempo era muito dinheiro.
E foi assim neste dia a nossa ida à guerra.
Quero ainda prestar uma singela homenagem a estes amigos “António Gonçalves, Guilherme Fernandes, Francisco Freitas e Firmino Fernandes”, por terem acolhido este jovem, na altura de 18 anos, no seu grupo de caça, tratando-me tão bem.
Obrigado a todos
José  Fernando Rodrigues Pimentel Sanches
“Uma forma diferente de revisitar Castelo Branco”

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