11/05/2010

UM AÇOREANO ALBICASTRENSE PARTE III

Autor: Luis Fontoura

PRIMEIRA VISITA À ALDEIA

Estávamos em 1972.
África iria ficar definitivamente gravada na memória. Tudo o que vi, senti, vivi, marcara-me profundamente. Habituado à minha ilha, um mundo com o horizonte definido pelo mar que a cerca, fui encontrar outro, cuja grandeza parece não ter limites. A noção de espaço e distância passou a ser outra diante daquela imensidão em que tudo impressiona pela dimensão e grandiosidade. As trovoadas inesquecíveis e as chuvas diluvianas, o cheiro doce da terra molhada, o sol abrasador que tudo seca tornando a atmosfera irrespirável de tanta humidade.
E foi gratificante observar e contactar os naturais daquelas imensas terras e a sua relação com a natureza, os seus costumes, num estado ainda muito puro.
Colocado no norte de Moçambique, perto da guerra, a sorte acompanhou-me pelo que dou graças a Deus.
Durante a minha estadia tive a oportunidade de visitar Lourenço Marques, hoje Maputo, essa maravilhosa cidade pela qual fiquei totalmente apaixonado, rendido à sua grandiosidade, à sua geometria e à mentalidade das suas gentes.
Aqui fui acolhido pelo Luís Carreiro, meu primo, que me levou a conhecer a cidade e arredores. Fiquei tão fascinado que estive tentado a aceitar um convite para lá ficar a trabalhar, depois de cumprido o serviço militar.
Foto 1 - L.Marques 12
Em meados de 1972 regressei à minha ilha, com toda a saudade do Mundo, para abraçar meus pais, irmãos e amigos, voltar ao meu quarto e à minha casa, pisar a minha rua, ouvir os chocalhos do gado nas pastagens, banhar-me nas águas quentes do meu calhau e sentir aqueles cheiros, uns trazidos pela maresia, outros vindos da terra molhada perfumados pelo aroma das flores.
Foto 2 Ponta Delgada
foto 3
foto 4 -Calhau  
Regressar ao ninho onde nascemos e fomos criados é uma inexplicável sensação de felicidade, conforto e bem-estar.
Foi um regresso apaixonado, vivido intensamente, sabia que nova etapa na minha vida estava prestes a começar. Iria enfrentar o mundo do trabalho, tomar decisões que influenciariam a minha vida futura.
O Verão estava a findar. Estudava algumas propostas de emprego mas nada decidia. Assim prolongava um pouco mais aqueles dias de lazer que sabia antecipadamente serem os últimos naquelas condições.
foto 4A
Estava nesta fase, alimentando minhas indecisões e justificando meus adiamentos quando chega à ilha para passar um curto período de férias meu primo Luís Carreiro. Propõe–me regressar com ele, passar uns dias em Castelo Branco, conhecer a restante família e assistir às festas de Setembro. Era um convite demasiado interessante para recusar.
foto 5 - 1ª visita
Assim, pela primeira vez pisei terras de Castelo Branco de Mogadouro e pela primeira vez dormi no Carrascal.
Conheci finalmente minha tia Arminda e tio Celestino Carreiro, tia Marquinhas e tio Sardinha e por último levaram-me aos Estevais onde vivia minha tia Matilde.
Vindos de França para as festas de Setembro lá estavam meus primos e primas.
Foram dias inesquecíveis onde quase tudo era novidade para mim.
foto 6
foto 7 
Rapidamente me tornei mais um ALBICASTRENSE
Um abraço albicastrense temperado com um pouco do sal açoriano
Luís Fontoura

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