25/07/2010

As voltas que o mundo dá.

Autor: Zulmira Geraldes
Pelourinho, Centro histórico de Salvador Bahia, BrasilEm Portugal, no ano 2000 se comemoraram 500 anos das grandes navegações e das descobertas  feitas pelo mundo afora . No Brasil como não podia deixar de ser também se comemorou  o seu descobrimento.Salvador, a  primeira capital brasileira, estava em festa. No Pelourinho,  tinha-se a impressão de estar numa torre de babel  de  tantos visitantes estrangeiros que circulavam por aqueles becos de paralelepípedos desgastados pelo tempo.
Nós   mais uma vez também  visitávamos a capital baiana,  a convite de  um casal de amigos. Nesta região central parece que o tempo não passou. A   arquitetura local,  muito bem conservada,  é a colonial  portuguesa  e o povo que ali vive é  alegre cantante e batuqueiro,   parece ter a musica no sangue.  .
Nosso amigo Santana,  soteropolitano radicado em São Paulo, acompanhado da esposa, orgulhoso nos mostrava sua terra natal.  Alem dos pontos mais tradidionais, outros não tão conhecidos pelos roteiros turísticos.
Dizem que Salvador tem tantas igrejas como dias tem o ano. Como os portugueses eram católicos!!...é preciso muito  fôlego e disposição  para conhecer... ao menos as mais importantes!!...
Mas algumas vale  a pena…  Desta vez tivemos sorte ao encontrar a igreja de São Francisco aberta.. É uma das mais ricas do país sendo considerada talvez  o mais belo exemplo barroco português no mundo.  Simplesmente deslumbrante com seu interior todo recoberto em ouro e jacarandá entalhado representando anjos, animais, flores, etc. além de vários painéis de azulejos em tons de azul que retratam cenas da vida de São Francisco, vindos de Portugal e pintados pelo   mestre da azulejaria portuguesa  Bartolomeu Antunes de Jesus.
Fomos a muitos lugares: Mercado Modelo, Farol da Barra, etc. Vimos a casa de Jorge Amado, passeamos pela orla de  praias que vai até Itapoã e pudemos notar como a cidade havia mudado nos últimos tempos.
Num certo momento,  ao passarmos por um determinado local que não me era estranho,  comentei que quando viemos de Portugal nosso navio passou por ali e eu me lembrava daquele lugar. O navio havia ficado bem em frente e na minha lembrança estava muito viva a imagem de um bondinho subindo ao mesmo tempo que o outro descia. Ah... é o plano inclinado... e logo o amigo quis me levar ao topo para andar nele. Mas naquele dia estava em manutenção.
O assunto – viagem – navio – continuou e comentei também que nossa diversão era ficar no convés vendo os meninos que vinham até o casco do navio fazer malabarismo aquáticos e nos mostrar suas habilidades de mergulho. Então nós, agradecíamos atirando moedas na água. Todos conseguiam apanhá-las e depois gentilmente  as mostravam na palma da mão e os mais hábeis entre os dedos dos pés.
E qual não foi a minha surpresa ao ouvir do querido amigo: Eu era um desses meninos. Sempre que chegava um navio eu vinha ao cais apanhar moedas e assim ganhar uns troquinhos. Provavelmente apanhei as moedas que vocês atiraram!!.......
Passou um filme  na minha mente.  Voltei lá atrás àqueles tempos da nossa grande viagem e não pude deixar de pensar: Como este mundo é pequeno e as voltas que ele dá.
Autor: Zulmira Geraldes

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