18/02/2010

Sabor incompáravel do almoço de Carnaval

Autor: Isaias Cordeiro
Sabor incomparavel do almoço de Carnaval: “Vagens secas, batatas, bulhos, pés do porco, rabo e  orelha regados á farta de azeite e vinho da terra. Um raro prazer rico de aromas e sabores que pode ser apreciado nas casas de Castelo Branco nesta data.Há bem pouco tempo foi publicado no Portal um pequeno artigo com o título “Fumeiro - uma olhadela gastronómica” sendo que por motivos alheios á minha vontade não foi terminado como inicialmente tinha previsto. Assim e por entender trazer este tema novamente enquadrado na tradição carnavalesca no que toca a gastronomia da nossa região e como tal também a do nosso Castelo Branco onde não faltam em lar algum “Vagens secas, bulhos ,pés do porco, orelha, etc mesmo que porventura tenha que se adquirir nos locais de venda de fumeiro artesanal.
Curiosamente esta tradição secular está a ganhar inúmeros adeptos em toda a região Trasmontana ultrapassando já não só as fronteiras desta província como as do próprio país. Curiosamente esta tradição secular está a ganhar inúmeros adeptos em toda a região Trasmontana ultrapassando já não só as fronteiras desta província como as do próprio país. Em todo o Portugal se come Bulho ao qual chamam Butelo mas as vagens secas são por muitos desconhecidas ou rejeitadas por desconhecimento total desta conjugação de sabores. A criação de Confrarias e outras Associações bem como a forte divulgação tem permitido aumentar o número de apreciadores deste prato tradicional que aquece o estômago e a alma em tempo frio dada a sua condimentação.
A criação de Confrarias e outras Associações bem como a forte divulgação tem permitido aumentar o número de apreciadores deste prato tradicional que aquece o estômago e a alma em tempo frio dada a sua condimentação. Não estranho que lhe chamem iguaria, conto uma passagem a propósito deste prato confeccionado fora de portas Trasmontanas mais concretamente na Avenida vinte e quatro de Julho em Lisboa num pequeno restaurante em frente á Gare Marítima de Alcântara penso que no ano de 1966.
O meu avô Cordeiro e a pedido do meu tio enviou uma pequena encomenda composta de vagens secas , pés e orelha tirados do sal e ainda o mais importante, Bulhos, bochas, e umas chouriças. Já tinha previamente tratado com o dono do restaurante de quem era amigo para lhe confeccionar este prato para nós e alguns amigos.
Numa risada sarcástica o proprietário cedeu a esta pretensão solicitando ajuda por ser estranha e desconhecida tal receita culinária. Efectuados os tratamentos prévios e prestada ajuda lá se cozinhou em Lisboa um almoço carnavalesco ALBCASTRENSE em que os que nunca saborearam este manjar foram os que insistiram na repetição deste manjar mesmo fora desta quadra.
Pena foi que não houvesse por lá nessa altura um vinhito da nossa região demarcada de Castelo Branco, Vale de Cabreiro, Miuteira, Chousas Concertada e outras.
Falo deste tema porque faz parte da nossa tradição, nosso passado, nosso presente e ajudar-nos-á a recordar quiçá com saudade todos os usos e costumes da nosso Castelo Branco que devemos manter no espírito e na prática não permitindo que desapareçam as coisas boas que ainda nos restam.
Gentilmente foram-me facultadas algumas fotos (preferem anonimato) do exemplo em como a tradição nalguns casos ainda é como era.
 O porco pendurado. Depois de morto toca a escorrer para desfazer. O porco pendurado. Depois de morto toca a escorrer para desfazer.
O fumeiro “ Esse ilustre senhor de todos os males” 
O fumeiro “ Esse ilustre senhor de todos os males”

Até breve
Saudações Albicastrenses
Isaias Cordeiro

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