13/02/2010

UMA COMÉDIA ALBICASTRENSE

Autor: Isaias Cordeiro
Fotografia tirada em Castelo Branco durante uma peça de teatro apresentada em 1962. Que teve a participação de - Otília Frontoura - Valdemira Frontoura - Carminda Freitas - Esperança Paulo - Arminda Paulo - Dulce Pombo - Afonso Freitas - Abílio Almeida - Elísio Ferreira - Aníbal Pires - Alcindo Moreira
Castelo Branco, 1962
Local da comédia: Antiga Curralada do Senhor Acácio Costa, actual casa do senhor Armindo Pereira.
O Elenco: Otília Frontoura, Valdemira Frontoura, Carminda Freitas, Esperança Paulo, Arminda Paulo, Dulce Pombo, Afonso Freitas, Abílio Almeida, Elísio Ferreira, Aníbal Pires, Alcindo Moreira. Faço referência aos que conheço, peço desculpa se falta algum. A listagem será corrigida sempre que necessário.
Das várias conversas havidas com alguns dos intervenientes realço, no franco convívio da mocidade de Castelo Branco iniciativa cujo autor desconheço mas a quem quer que seja só posso endereçar os parabéns pela força organizativa, pelo espírito de grupo, pela alegria transmitida e pela forma em que cada um ou no seu todo exibiram em palco o seu talento e a avaliar pela decoração e arranjo verificamos que nada foi ao acaso numa grande manifestação cultural.
É justo que os parabéns sejam extensivos aos autores dos versos, da coreografia, ensaístas aos actores e a todos quantos de forma directa ou indirecta participaram no evento.
É verdade que á data decorria o ano de 1962 e esta aldeia jorrava alegria por acontecimentos expressos num dos textos. O Estado Novo dotava esta freguesia de dois bens essenciais, rede de águas e calcetamento das ruas. Mesmo sendo tempos difíceis era tempo de festejar. Gente nova não faltava, havia união, respeito pelo próximo, amizade sem limites, entreajuda, lembram-se das torna-geiras ou das malhadas nas eiras? Repartia-se o trabalho e quantas vezes o sofrimento!
Hoje, só carolice e grande paixão torna possível estas coisas. Por bem pequena que seja a equipa ou o grupo é sempre grande a dificuldade na sua mobilização. Olhemos para as iniciativas dos últimos vinte a trinta anos o que lhes aconteceu! Pena mas ainda podemos acreditar.
Estou grato a todos quantos me ajudaram neste trabalho disponibilizando-mo parte do essencial para a sua elaboração com especial obrigado a:
- Otília Frontoura e Valdemira Frontoura pela cedência dos textos.
- Carminda Freitas pela disponibilidade que sempre teve para dialogar sobre este evento.
Acredito não estarem todos os versos da comédia neste trabalho mas prometo serem adicionados á medida que forem surgindo.

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ABERTURA DA COMÉDIA:
(Apresentação por Valdemira Frontoura)
I
Meus senhores e minhas senhoras
Desejo a vossa alegria
Que não tenham tido dores
Nem de noite nem de dia
II
Vai já começar a festa
Com muitas coisa e loisas
Com artistas de alta testa
Que sabem dizer as coisas
III
E se alguém se enganar
Não se riam, não senhor
Que isso faz desanimar
IV
Dêm antes muitas palmas
Cada um dê as que possa
Para animar nossas almas
Nesta festa tanto nossa


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HINO DE CASTELO BRANCO:
(Alterado p/o evento)
I
Castelo Branco aldeia Bela
És a mais bela do nosso Portugal
Tu és a luz e a verdade
Tens o condão de ser nobre e ser leal
II
Aldeia Velha e amiga
Faz-me lembrar estas novas tradições
Aldeia velha e antiga
Com teu bairrismo conquistas os corações
III
Linda aldeia de sonho e luz
És a verdade e a graça que em ti reluz
Aldeia nobre e trabalhadora
Do rico ao pobre és a mais fiel Senhora
IV
Adeus que me vou embora
Com a saudade entoando esta canção
Adeus que me vou embora
Com a saudade dentro do meu coração


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DANÇA:
I
O pandeiro que eu toco
É da pele duma ovelhinha
Ontem morava no monte
Hoje mora na casinha
II
Quero cantar ser alegre
Que a tristeza não faz bem
Eu nunca via a tristeza
Dar de comer a ninguém
III
O pandeiro que eu toco
Não é meu é da Maria
Que lhe pedi emprestado
Para tocar na romaria
IV
Ai Jesus que eu já não posso
Ai Jesus que eu já não sei
Ai Jesus que eu já não posso
Cantar como já cantei


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(TÍTULO DESCONHECIDO)
I
Eu sou a rosa da Primavera
Sou tão formosa
Que todo o meu brilho impera
Sobre o jardim
Que contempla minhas cores
Eu sou assim a rainha das flores
( Refrão )
Somos as flores formosas
De tons inebriantes
E perfumes cativantes
Onde lidam mariposas
Esvoaçando ditosas
Vão poisar por um instante
II
Sou malmequer de tenra idade
Toda a mulher
Me procura com fervor
Só para saber
Se alguém me tem amizade
Ou se a invade
Algum desgosto de amor
III
Sou o jasmim de alva candura
Chamam-me a mim
A flor de todas a mais pura
IV
Sou o lírio de todas as cores
Sou o martírio
De uma alma torturada
De graça infinita
E de aspecto original
Eu sou assim
O mais lindo de Portugal
V
Eu sou… quando á tardinha
A borboleta vem poisar de levezinho


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PROVINCIAS PORTUGUESAS
I
Para saber o que são canseiras
Ando sempre na terra metido
Lavro montes e cavo ladeiras
Mas trago fartura comigo
II
Do Minho para o Alentejo
Ando sempre num virote
Quem será que não conhece
O Alentejano capote


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VERSOS FEITOS QUANDO METERAM CALÇADA NAS RUAS E ÁGUA EM TODOS OS MARCOS
I
Castelo Branco já tem calçada
Bendito se o Estado Novo
Água canalizada
Já nos parece outro povo
II
Quando íamos á soalheira
Com canseira
Buscar água para beber
Agora vede
Chegas a qualquer torneira
Sem canseira
E já mais ninguém tem sede
III
Quando as lamas mal e eternas no inverno
Cobriam o povoado
Que atrasado
E agora com as calçadas bem lavadas
Parece o povo mudado
IV
A todos que nos ouvis
Aplaudis se somos o que nós julgamos
Presenteamos quando nos dais a escola
Que consola aonde bem nos sentamos.

Casa Grande pb grande vista lateral

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