25/09/2010

Poesia á minha mãe

Autor: Marina Craveiro
Veio para Castelo Branco
Um curso de alfabetização
Eu fiquei feliz
Quando soube, que a minha mãe
Já escrevia com a própria mão.

Tantas dificuldades passou
A minha querida mãezinha
Ela nunca foi á escola
Porque ia guardar ovelhas
Quando era criancinha.

Não era obrigatório ir á escola
Na infância da minha mãe,
Por isso era pastora.
Como eram muitos irmãos
Tratava deles também.

Tinha que ajudar em casa
Porque ela era a mais velha
E pelos prado verdejantes,
Ia a guardar ovelhas
Ajudando o pai dela.

Agora com cabelos brancos
Com 74 anos de idade,
É que foi aprender a ler
Dizendo ela para mim
Que só queria o seu nome fazer.

E ao vê-la tão animada
Fui eu que a incentivei,
Para que fosse á escola
Já que não teve oportunidade
Quando ainda era nova.

Muitas vezes vi minha mãe
Triste e infeliz
Quando queria telefonar,
Para os seus queridos filhos
E o número não sabia marcar.

Agora já aprendeu
A fazer os algarismos,
Anda muito satisfeita
E diz que não desiste
Sem fazer uma conta bem-feita.

Ela mostrou-me o caderno
E as letras do seu nome
Até já vai conhecendo,
Com a ajuda da professora
Também já vai escrevendo.

E, com a idade pesando
Já pede um pouco de descanso,
Mas também ainda pede
Que venham mais incentivos
Para os idosos de Castelo Branco.

Nunca é tarde para aprender
Mesmo que sejamos idosos
E vamos sempre a tempo
De aproveitar o saber
Que nos oferecem os mais novos.

Se a escola continuar
Minha mãe vai até ao fim
Eu serei a filha mais feliz
Quando com as suas próprias mãos
Fizer uma poesia para mim.
Marina da Graça Craveiro, 2009

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