23/11/2010

SE EU FOSSE PINTOR

Autor: Alberto Paulo

 

Gravura tela a oleo com vista do campanario da Igreja de Castelo Branco de pintor desconhecido

 

I

Oh!... Quem me dera ser pintor,

Castelo Branco pintava,

Um rebanho e seu pastor,

E um rouxinol que cantava.

II

Pintava a torre sineira,

E o que dela se avista,

Ver na tela a solheira,

O sonho de um artista.

III

Pintava folhas caídas,

No moinho da nogueira,

E as árvores despidas,

Nessa margem da ribeira.

IV

Pintava o romper da aurora,

E o pôr-do-sol à tardinha,

Junto do sino onde outrora,

Criava uma andorinha.

V

Pintava um rosto de mãe,

Fazendo renda de esperança,

E a graça que um riso tem,

Nos lábios duma criança.

VI

Pintava os verdes campos,

Com rebanhos a pastar,

Luzinhas de pirilampos,

Numa noite de luar.

VII

Pintava a neve na serra,

E a fogueira do Natal,

A gente da minha terra,

Que regressa a Portugal.

VIII

Olho p´ró céu ensejo,

Em noites de lua cheia,

Fecho os olhos e vejo,

A tela da minha aldeia.

Alberto Paulo

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