01/07/2011

De histórias à um site.

Autor: Isabel C. O. Pardal

Algumas crianças brincam de pirata, outras de boneca, outras de desbravar o mundo inteiro... Eu brincava de desbravar minha criatividade. Alimentada inicialmente por cantigas, pelas histórias de meu pai e em seguida pelos livros. Desde então não me canso de pensar novas histórias e possibilidades de rumos dos personagens.

Quando mais nova lembro-me de constantemente pedir à minha mãe que me cantasse algumas músicas antes de dormir. Já ao meu pai, era quase inevitável não pedir que me contasse uma de suas histórias de mais moço.

Contarei algo a vocês que provavelmente já sabem. Nascido em Castelo Branco Mogadouro, meu pai teve uma infância que é totalmente diferente da que eu e meu irmão poderíamos ter. Cuidando das vaquinhas, indo ao seminário, pegando água no poço, saindo para pegar lenha para a fogueira do galo; são todas experiências que não vivemos, mas que podemos sentir como eram através do modo como ele contava.

Descobri assim um mundo novo. Conheci um pedacinho da terra que originou algumas das culturas de meu país, e acima disso, conheci um pouco mais sobre a cultura de meu pai e seus conterrâneos.

E eis que toda noite em que suas narrativas entravam em cena, minha mente saía por dentre os cenários de suas histórias. Devo confessar que minha curiosidade de ver como eram tais cenários crescia a cada noite que se passava.

Anos se passaram, e agora raramente posso ouvir as histórias de meu pai à noite. Foi então que surgiu uma saída, um modo que ele encontrou de fazer com que, tanto os albicastrenses como outros curiosos, pudessem relembrar e conhecer as histórias de sua aldeia. Nasce o blog: Portal de Castelo Branco Mogadouro. Sim! Fora uma criação e tanto. Através de contatos com escritores de Castelo Branco, outros que já não mais moram lá, e outrora de escritores do Brasil e outros países, o blog conseguia trazer matérias e fotos contando um pouco mais sobre o modo de vida e cultura da aldeia.

Minha curiosidade foi abatida, momentaneamente. Tinha acesso a diversas coisas e acabei podendo matar um pouco das saudades das histórias de meu pai. O blog cresceu, e fruto de uma interatividade maior do que esperada, nasce o site.

Devo confessar que ver o blog crescer, virar site e chegar onde está me enche de alegria. Volta e meia penso: “Se enche a mim, que sequer sou de lá, de alegria; imagino o quão contentes estão que de lá são de facto!”.

Espero que esse processo de crescimento seja ainda maior com o passar do tempo, e quem sabe, se meus planos conseguirem se tornar realidade, um dia não escreverei uma matéria ou história sobre a aldeia que foi o cenário de diversas histórias que ouvi?

E é com esse sonho e uma pergunta que finalizo meu relato; O que Castelo Branco significa para ti?

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