31/05/2010

DOIS GAROTOS NUM DOMINGO EM CASTELO BRANCO

Autor: Alberto Paulo
garotos no lameiro
O Zé e o Carlos eram dois garotos vizinhos e muito amigos. O Carlos ajudava à missa, e nesse Domingo ia receber sete croas do padre, era quanto ganhava por o ajudar durante os sete dias da semana.
Estavam à porta da igreja muito jarigotos, o Zé, tinha a carrancha direita, mas um peido na testa não deixava que nenhum pente doma-se aquela marrafa. O Carlos, da mesma idade, mas mais medrado, era guapo e de cabelo grifo.
Depois da missa foram até ao canilhão, o Carlos ia comendo um mordo de pão com uma Palaçoula, por sinal bastante derramada, com algumas melas, estava a precisar de ser amolada numa boa aguçadoura.
Nisto chega o fadista, um cão grande e preto a quem o Carlos atira um mordo de pão para este não augar, depois começam ás calhoadas aos pássaros.
Estavam tão atarefados que não viram quem se aproximava e lhes começou a gritar; É!!!È!!! Seus lafraus seus desalmados, não atirem pedras pode andar alguém na ribeira, precisavam era de uma boa lostra cada um. Ouvi o Zé dizer! A mulher é chabasca, inzoneira e estouvada, diz o outro, é pantomineira escalafobética.e alcobiteira.
Sim que estes garotos nesta idade já sabem muito.
Era a Sra. ??? Que ia à horta na sua burrica ruça, bem aparelhada, com albarda, atafais uma lúria, um rabeiro, um arroche e uma seitoura, só lhe faltava a ingrideira; Enfim ela lá sabia o que precisava.
Ainda não se tinha afastado cem metros, quando começa a cair uma escarabanada de granizo, um forte trovão assustou a burrica, esta deu dois pinotes e lá continuou o seu caminho.
Entretanto, os garotos aparecem-me encarrapitados num muro, cada um com duas ou três grabanceiras debaixo do braço, vinham comendo os grabanços ainda verdes, estas estavam condenadas a não dar gradura a quem as semeou.
Foram os dois para casa do Zé, abriram a aldraba da porta, e entraram.
Já na cozinha um deles tropeçou no badil, disse uma asneira, sopraram as mofas do escano, atiçaram os rachos que estavam a arder em cima do murilho
e, de mãos surrentas, sentaram-se a comer um naco de pão com um cibo de bacalhau que estava embarrado dentro duma fardela.
Ainda receei que fossem ao vinho, açúcar e ovos chocos, como já fizeram com outros garotos vizinhos, mas isso é outra história.
Houve-se música na rua, eram os Triteiros a dar volta ao povo, estava a merujar, mas nada os impediu de sair. O Zé deu um pontapé numa perisca acesa e lá foram eles de pão na mão a correr o cão a traz dos Triteiros.
Eram assim os garotos da minha aldeia.
Alberto Paulo

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