Revisitando Castelo Branco

28/09/2008



2 comentários:

Anônimo disse...
A praça e as casas

Aida Freitas Ferreira disse...
Foi esta a praça que me viu dar os primeiros passos. Quantas voltas dava ao marco. Quantas vezes corria até à tia Cristina e vezes sem conta entrava e saia do sóto da Variza. De encontro aos animais que ao tanque viviam saciar a sede e eu olhava fascinada. Lembro da voz meiga da tia Marquinhas das Patas que me cuidava. Cuidado com os burros! Olha as vacas. Atrevida e ladina eu corria ao seu encontro. Queria tocar-lhes! Não havia medo que me afugentasse. Hoje lembro da casa da minha infância, das galinhas da tia Urbana. Quem se lembra dos dias em que o Sr. Lino fazia das estevas pasto para o estrume. Era festa na certa! Saltar do tractor. Rebolar pelo curral. Era tempo do Sr. Zé Tendeiro e da tia Glória. Café? Nã! De café só a taberna do "Moncas". Ainda lembro de espreitar à socapa pela fresta da porta. Era local proibido aos miudos! Lembro de uma praça diferente mas que muito me marcou pois pouco mais tinha que os meus 5/6 anos.
Outubro 08, 2008

Escola Primária de Castelo Branco Mogadouro


Mais do que um prédio, a escola era o portal de entrada para a vida, para o mundo. Os quatro anos que passamos ali deixaram marcas para toda a vida. Amizades , sonhos, carreira... Enfim os tempos eram outros, nem todos que por lá passaram tivera a oportunidade de ir alem nos estudos. Tenho a certeza de que todos sem exceção tiveram ali a sua maior formação e faculdade, nos fundamentos e valores mais sinceros: dignidade, fé, cidadania, patriotismo, honra, amor á terra, respeito pelos mais velhos e pelos direitos dos outros.

DSC02225 A escola através de suas professoras e professores deu a todos uma universidade de valores e de riquezas que levamos para a vida. Lembro-me com muito carinho e respeito da minha terceira classe.  
A Dona. Maria Eugênia foi a professora que lecionou naquele ano. Foi um ano escolar maravilhoso. Em um ano, ela conseguiu mostrar-me uma nova realidade e, abriu diante dos meus olhos possibilidades infinitas, de descobertas sobre o mundo e sobre mim mesmo, minha capacidade, potencial e talento. Sem o auxilio dela não teria descoberto, sem a visão maravilhosa  e a orientação carinhosa de tão estimada “mestra” teria ficado sem abrir uma porta que me faria ver o mundo com olhos diferentes. Se a vida me permitiu ser alguém foi graças ao voto de confiança e entusiasmo que ela me deu nesses meses de aula.  E acredito que o mesmo aconteceu com todos que tiveram o previlégio de sentar na sala de aula dela. Meu sincero agradecimento, admiração e respeito.

Conta a tua história da escola também!

Forte abraço albicastrense!

Luis Pardal

Ponte de São João

Ponte velha de Castelo Branco

Ponte medieval reconstruída, de tabuleiro horizontal sobre dois arcos redondos iguais.Aparelho de silhares de granito, do lado esquerdo, e de alvenaria de xisto no encontro direito. As aduelas dos arcos são em granito.Não conserva as guardas. O pavimento é de lajes de granito, no troço central, e de calçada nas entradas. Acesso: EN 221 (Mogadouro - Freixo Espada-à-Cinta), no caminho velho à entrada da aldeia do lado nascente.

Junta de Freguesia

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Capela da Vila Velha

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Igreja de Castelo Branco Mogadouro

07/09/2008

Um café na Praça

Foto: Abilio Freitas

Na porta do café, espero Sentado, até a hora chegar.
Fito as ruas vazias, os paralelos do chão,
A poeira no vento, um cão que passa,
Que calma.

Acreditem, fico ali por um café
Forte, sem açucar, amargo,
Puro, para esquentar,
A alma.

Esqueço que o mundo roda o universo viaja e o tempo escorre.
Mato os minutos, silêncio.
Suspiro.

Busco o gosto amargo,
Aroma intenso, encorpado
De um expresso, que expresso, bem tirado.

Finalmente ouço que desce a escada.
O Sr. Fernando chega a pergunta o que quero.

Demoro, até pensar, nesta tensão filosófica
Com a mente confusa, digo sem convicção:
Um café, é só um café, que quero tomar,
Na praça de minha aldeia, amargo para esquentar.
Com gosto sincero, com verdade em cada gole,
Autêntico, amargo, forte, religiosamente,
Com alma.

Luis Pardal

05/09/2008

Foto Ricardo Pereira e Família

Foto: Ricardo Pereira

Artigo Interessante.

"Castelo Branco, é terra de antigas e nobres tradições. Situada a cerca de doze quilómetros da vila, a norte da serra de Lagoaça, por ela passa a estrada que liga Mogadouro a Moncorvo e Freixo de Espada à Cinta. Segundo vários investigadores, Castelo Branco não nasceu aí, mas junto à capela de Nossa Senhora da Vila Velha. Em Castelo Branco há vestígios de um castro (com indícios de ser romanizado), situado no chamado "Cabeço dos Mouros". A este castro andam associadas lendas de "mouras encantadas". Foi Comenda dos Templários, passando em 1311, a Comenda da Ordem de Cristo. Tem uma interessante capela, descrita nas Visitações da Ordem de Cristo (feitas de 1507 a 1510), chamada de igreja de Nossa Senhora da Vila Velha. "A igreja que os visitadores viram está hoje afastada da povoação, num cabeço chamado Vila Velha. Mantém os três portais manuelinos, muito simples e uma inscrição evocativa de uma reforma em 1501. Terá aí nascido Castelo Branco. Junto à capela há ainda restos da antiga habitação dos antigos comendadores e também restos de uma construção castreja. Pertenceu à vila de Bemposta, sendo mencionada no foral desta, de 1512. Em Castelo Branco tem solar a família Morais Pimentel. É um majestoso solar do século XVIII, que está, presentemente, a ser restaurado para aí ser instalado um hotel de luxo. Este solar encontra se junto da estrada. Esta freguesia tem anexas as povoações da Quinta das Quebradas e Estevais (de Mogadouro). "

Artigo extraido do site:http://concelhos.dodouro.com

Autor: António Pimenta de Castro Licenciado em História e Docente do Ensino Secundário na Escola Dr. Ramiro Salgado (Torre de Moncorvo), Mogadouro 2002
In iii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura. Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail:
ecb@mail.pt

04/09/2008

Minha terra

Acabei de chegar. Meus ouvidos estão surdos, e doloridos pelo ronco dos motores da viagem longa, de avião de Florianópolis SC- Brasil a Lisboa e de carro de Lisboa a Castelo Branco.

Parei o carro na porta da casa que era da minha mãe e sai para esticar as pernas. Espreguicei, alonguei os braços e pernas, estiquei o pescoço e deixei o corpo sentir o peso da gravidade sobre a coluna e as pernas novamente. Uma sensação de torpor foi desaparecendo aos poucos, e no lugar dela apareceu a dor e o cansaço de quase 24 horas de viajem.

Na cabeça um zumbido de uma cigarra e uma dor estridentes explodem juntos atordoando meus pensamentos. Imediatamente começa uma briga, nos meus ouvidos, com a falta de barulho. A ventoinha do motor parou e em simultâneo dei conta que a zoeira e o barulho interior se calaram também para escutar o silencio da aldeia. Não se ouve nada, ou antes, quase nada. Assustei-me com minha respiração ofegante, e meu coração disparado.

Quis vir direto e na estrada corri o quanto pude. Estava ansioso para chegar, e chegar rápido, me parecia ser a coisa mais sensata para fazer. Agora que cheguei, sinto que a pressa não era tanta e que na verdade nem tinha um motivo para correr.



Olho o relógio e vejo que passa das quatro da tarde. Está calor, muito calor, como sempre faz no mês de agosto. Um vento forte soprou da rua. Sinto o bafo quente do verão, envolver-me o corpo ainda frio, do ar condicionado do carro. Um gosto de terra enche-me a boca e os olhos com a poeira que o vento levantou. A rua estava vazia, não vi ninguém. Pensei, é um deserto, e gelei de novo com esta sensação de vazio.

Fechei a porta do carro que ainda estava aberta e ao vê-la fechar pensei, ainda dá para dar meia volta e sair correndo. Fiz calar estes pensamentos com o barulho do clic do sistema de alarme ao fechar as portas.

Deixei o carro parado na porta da casa e desci a rua indo para a praça. Vou para o café tomar uma sagres e afogar o gosto da viajem para acalmar as idéias. Cambaleei algumas vezes nos paralelos da rua pelas pernas adormecidas, mas deixei-me ir do jeito que elas quiseram sem forçar muito. Também não vi ninguém enquanto passava pelas ruas.

Entrei no café, tinha poucas pessoas naquela hora e estranhei de só encontrar rostos estranhos. Pensava já encontrar alguns dos conhecidos de outros tempos...

Todos olharam pra mim...

Cumprimentei tentando esconder o sotaque brasileiro de imigrante. Que ilusão. Pela cara deles vi que não tinha convencido. Pedi uma sagres e ofereci uma rodada para todos. Alguns aceitaram. O dono do café sorriu e sem perguntar nada, foi servindo nas mesas o que cada um estava a beber. Costume de imigrante, pensei, pagar uma rodada quando chega na terra. Se é que ainda se faz isso por aqui eu sorri ao pensar comigo mesmo.

O café era novo e o dono, apesar de não ser muito jovem, não me era familiar. Possivelmente era ainda criança quando fui para o Brasil e agora não o reconhecia. Comecei a conversa perguntando de quem era filho e fiquei surpreso por também não me reconhecer apesar de dizer que já tinha ouvido os velhos falarem de mim algumas vezes no café. Fiquei confuso, mas curioso com tudo aquilo pensava convencido que ainda lembravam de mim. O tempo não passou em mim e tudo era como fora um dia . Tinha a ilusão de encontrar os mesmos rostos dos meus vinte anos, iguais, sem marcas da idade e da vida.

Falamos da terra e das coisas de lá. Reclamaram da vida e das dificuldades. Do governo que não fazia nada, dos políticos que são uns cabrões, enfim novidades que são iguais por todo o mundo, afinal. Conhecia o disco de onde vinha também.

A conversa desenrolou, sem querer ao perguntar dos conhecidos,foram surgindo as novidades e senti que estavam a narrar para mim o obituário da aldeia dos últimos 10 anos. Narrou dos que morreram e para me ajudar a saber quem eram foi falando rua por rua. Na minha cabeça percorri os lugares, as casas, as portas, as caras e os rostos dos que moravam, os momentos os fatos vividos juntos. Arrepios seguidos me faziam ver que o tempo que não parou e que ele fez fechar uma a uma a maioria das casas da aldeia. E esse tempo impiedoso os levou a todos... Minha mãe e meu pai também. Esvaziou a aldeia e minhas lembranças também. Fui ficando nauseado e triste.

A sagres desceu amarga. Vi que todos no café tinham vindo para perto e estavam á minha volta reforçando os fatos, ajudando nas memórias. A roda foi aumentando aos poucos. Algumas rodadas de sagres depois, perguntaram de mim e há quanto tempo não vinha lá. Há quase dez que não venho disse, com voz desiludida e triste. Comentei da ausência dos que partiram e lamentei ter estado tanto tempo longe, mas que era a vida.

Rimos quando perguntaram das brasileiras, das novelas, do futebol, do carnaval. Contei que lá no Brasil as anedotas dos alentejanos são contadas como sendo dos portugueses. Gritaram, filhos da p.... esses Bazucas e fizeram juras de vingança. Se não fosse o Filipão para salvar a terra desses cabrões, mas fazer o que nessa terra que só faz trazer as novelas...

Senti que estava a ficar alto da cerveja e pedi a conta. Paguei e sai para a praça.
Tinha escurecido.

Voltei em passos lentos para o carro. Subi a rua devagar quase parando. Os meus pensamentos estavam confusos pelas sagres que tomei mas sobretudo pela sensação de perda e de ausência dos sentimentos que vieram junto com as novidades.

Entrei no carro e fui para o tanque das eiras.

Parei o carro e sai. Sentei na parede do tanque e fiquei a olhar as estrelas.
Senti-me mais tranqüilo ao olhar o céu. Eram as mesmas estrelas que eu conhecia desde que nasci. Pelo menos elas ainda estavam todas lá, e fiquei a rir com a ilusão de piscarem para mim. Senti-me em casa, deste lado do mundo elas realmente eram familiares.
Fiquei o resto da noite deitado na erva seca das eiras a olhar o céu estrelado e ouvindo o barulho dos carros que passavam de tempos em tempos na estrada.
Agradeci a Deus, por ter nascido ali e ser quem sou. Pensei em todos os que conheci, que lá viveram e no respeito e admiração que sinto por todos. Afinal nada mudou, em meus pensamentos eles estariam sempre vivos e presentes comigo e Castelo Branco será sempre meu lugar. Meu Deus, como eu amo a minha terra!

23/08/2008

Sede de fragas e montes

O dia cresce inteiro,
No sol, nas fragas no monte.

Alcanço á vista,
O povo inteiro,
Aqui no cimo da solheira.

Meu ser caminha apressado nas ruas em pensamento.
Rodo caminhos, lameiros,
fontes, rios e ribeiros.

Capela da vila velha,
pombinhas, retorta, na veiga,
Campos lavouras e hortas,
procissões e romarias.
Ribeira de cavalos,
fechos, águas,
nascente da pipa.
Mato a sede que fica
me secando na saudade.
Minhas lembranças, olhares
Daquelas gentes lugares,

Um menino sonhador, aventureiro.
Revejo tudo em silencio
Do outro lado do mundo,
De um outro lado de mim.

Pergunto a mim mesmo quem sou?
O que quero?
O que procuro?
Respondo olhando o passado
pensando no presente e rio do futuro.

Vejo meu povo, os dias, horas, minha gente.
Sei que sou o que sou, e em parte, sou assim
Por lá ter vivido um dia.

Mas este sou eu, assim nascido, em crescimento!
Pouco ficou do que fui, lembranças ou teimosia.

Com nove anos parti,
Queria ser missionário,
Salvar,o mundo a rezar...
Quiseram me ensinar, a pregar,
Espalhar a fé sem questionar.

Mudei de vocação!!!!
Fui ser feliz, e viver.
Eu questiono tudo,
Busco a tudo o tempo inteiro.
Leio, releio e repenso, peregrino,
Certezas eu tive e tenho,
De que não sei de coisa alguma.
Sei agora, não sei depois,
Ou talvez até, nem descubra.
Mas o que me importa saber?
A coisa é toda ela inteira,
Uma questão filosófica,
Feita de muita palavra,
Pensamento, cegueira,
Nada é feito e vale para sempre.

Viva, lá muitas vezes,
Quem sabe viver, mudando a cada dia.

Volto a olhar a ribeira a correr, em meu pensamento.
Deixo a água me levar sem rumo, sem leito,
Pelas pombinhas ao rio Sabor, até ao Douro
E de lá, mar a fora , para o mundo satisfeito.

Luis Pardal

05/07/2008

Cá te espero para os figos!

De: aida freitas ferreira [mailto:aida.olimpia@gmail.com]
Enviada em: sexta-feira, 4 de julho de 2008 22:58
Para: José Luis Pardal
Assunto: Cá te espero para os figos!

Amigo aqui vai a minha contribuição para esta coisa fantástica que criaste!

Vou continuar a escrever sempre lembrando a época. Cá te espero para os figos! Lembras-te, e eu sei que te lembras. Até sorrirás! Lembras-te da ida aos figos? E, pequenita como eu sempre fui. eras tu do teu metro e noventa que me chegavas aos figos! Isto porque o meu avó, o grande Zé António, dizia não subas à figueira que ainda cais. Quisera eu engarrar-me pela figueira acima mas o respeito pelo avó era grande. A verdade é que sempre que apanho fruta me lembro desta tarde. E dos figos vamos à fruta da época.

Cerejas! A ida às festas de S. Bernardino trouxe de volta o ritual da apanha das cerejas. Subir pelo cerejal (ou cerejeira, caso o prefiram)acima. Há coisas que não nos saem da alma. Com o nosso Santo elas pintam mas é pelo S.João que elas dão. E assim depois da prova na festa regressei pelo S.João e trouxe estas belas cerejas. São da cerejeira do Elísio, aquela nova que plantou no alto da vinha, a caminho das Olgas (não digo mais porque senão pró ano nem as provarei!!).

Ah! Lembro as idas às Olgas levar a merenda aos cegadores a cavalo na burra.
Mas isso ficará para o tempo da cegada. O sabor das sopas já me toca o estomâgo.

Daquela branca flor germina a fruta que, dos mais belos e variados tons de rosa e carmim nos fazem encher a boca de água.
Entre as vermelhas rosadas, mais ácidas, e as vermelhas escuras, as griottes, mais doces, é ávontade do freguês. (Do seu nome técnico, Rosaceae, nos traz a cor - rosa.
É bem verdade que a vontade do freguês tem sido tanta que no S. Bernardino nem as provei porque algum malvado tirou a prova da boca do dono. Comi que me fartei!
Ai, que grande dor de barriga (a sua maravilhosa propriedade laxativa e diurética). Da Serrinha vieram as rosadas! Foi o pai que as apanhou pela manhazinha (grande pai!). Fiz brincos de cereja a lembrar as brincadeiras de criança.

De regresso ao Porto vim carregada de frutos da terra. Fiz o tradicional doce de cereja. Receita da minha adorada mãe. Está divinal! E com as ginjas do vizinho Armindo fiz uma ginja que há-de estar de trás da orelha. daqui a uns meses a prova o dirá.

E algumas das maravilhosas "morello" congelei, pois ficam como na hora, porque no Verão farei belas tartes de cereja e bombons de cereja.
Não esqueci as mézinhas da tia Aida, a minha avó, e guardei os pinções da cereja para fazer chá. Juntamente com as barbas de milho é bom para os rins (aqui abro um pouco do meu "caderninho das mézinhas da avó") Agora ainda faltam as brancas! A celebre cereja branca, as Amarelles! Prá semana lá irei e da prova te darei.
Bem aventurados os romanos que nos trouxeram tão pequena maravilha.

Amigo, mas cá te espero para os figos! E não fiques triste.

Pois, quem sabe ainda sobre um frasquinho do doce de cereja à moda da Maria Elisa para ti! Entretanto, come umas acerolas, a magnifica cereja tropical. Até um dia destes!

Curiosidades: Cerejeira, sub-género Cerasus incluido no género Prunus (Rosaceae) A cerejeira é originária da Ásia, na cultura japonesa (chamada de Sakura no ki) tem o significado de Sakura= flor de cerejeira.

A cerejeira era associada ao samurai, de quem a vida era tão efémera quanto a da flor da cerejeira.

Aida Freitas Ferreira


Foto: Aida Freitas Ferreira
Foto: Aida Freitas Ferreira
Foto: Aida Freitas Ferreira

04/07/2008

Tanque das Eiras!!!

 
Tem lugares que ficam na memória como marcos. Autênticos pontos de referencia de fases ou momentos decisivos de uma vida. O tanque das eiras, o largo da Casa Grande, e a placa da entrada de Castelo Branco são alguns dos marcos da minha .
Tirei estas fotos quando da minha ida a Portugal, na primeira vez que regressei. O tempo passa, são já alguns anos. Mas o encanto destes lugares continua fazendo o meu coração bater mais rápido.


Fotos: Luis Pardal
1 comentários:
Elisabete Ferreira Freitas, disse...
Como o mundo é tão, ao redor de Castelo Branco!!! O "Tanque das Eiras", adorava que este tanque contasse, nem que fosse apenas uma história de cada um que por ali passou, era certamente a nossa história. Aquela que o "Tempo" se encarrega de esconder da memória, mas que sentimos, o quanto foi bom e tantas saudades que nem sonhava que tinha!!!! A vida por vezes foge com recordações que nos podem ferir, mas quando a Aida me falou desta tua revisita a Castelo Branco!! Não podemos deixar ir por entre anos de distancia, momentos tão... nossos, das gentes da nossa terra, do nosso, vosso grupo e que eu recordo com tanta saudade. Só ia nas férias a C.B. mas prometo esforçar-me para que este teu cantinho cresça. Parabéns está muito bom.
14.8.08

Guilhermina no Forno

29/06/2008

Castelo Branco

Foto: Arlindo Parreira

Mapa dos Jogos Arlindo Parreira

Foto: Arlindo Parreira ( Clique na foto para aumentar)


Vejam que maravilha que chegou do Canadá.

Um mapa completo dos jogos e diversões de Castelo Branco.

Arlindo, que excelente pesquisa!!!

Fotos: Arlindo Parreira

Foto: Arlindo Parreira ( Clique na foto para aumentar)

Foto: Arlindo Parreira ( Clique na foto para aumentar)


Foto: Arlindo Parreira ( Clique na foto para aumentar)

31/05/2008

Procissão São Bernardino

Fotos: Luis Pardal - Tiradas em 1997 e 2000

São Bernardino de Siena

Pregador e promotor do culto do Nome de Jesus, São Bernardino de Siena nasceu a 8 de Setembro de 1380, em Massa Marítima, uma cidade que então pertencia a Siena, na nobre família Albizzeschi, e morreu a 20 de Maio de 1444, em Áquila.

Órfão aos seis anos de idade, foi educado com grandes cuidados por umas tias muito piedosas. Depois de cursar Direito Civil e Canónico, entrou em 1397 para a Confraternidade de Nossa Senhora, agregada ao hospital de Santa Maria della Scala, e quando, passados três anos, a peste invadiu a cidade deixou a sua vida de reclusão e oração para prestar assistência aos doentes juntamente com outros dez companheiros.

A sua saúde ficou para sempre abalada por este período de grande trabalho. Aos 22 anos desfez-se de todo o seu património, dando-o aos pobres, e recebeu o hábito de Frade Menor nos Franciscanos no Convento de S. Francisco de Siena para passado pouco tempo se retirar para o Convento dos Observantes de Columbaio, nos arredores da cidade.

Professou em 1403 e foi ordenado sacerdote em 1404. Em 1406, pregando em Alexandria, no Piemonte, São Vicente de Ferrer previu que o seu manto desceria sobre uma das pessoas que o ouviam e que essa pessoa teria a tarefa de evangelizar o resto da Itália, podendo então São Vicente voltar a França e a Espanha. Esta previsão realizou-se doze anos mais tarde, em 1417, quando Bernardino recebeu a graça da eloquência e começou a sua vida de missionário em Milão, passando depois a muitas outras cidades italianas.

Pregando muitas vezes nos mercados, a sua assistência chegava a ter 30 000 pessoas e a sua influência cresceu nas muitas cidades para onde os devotos o seguiam aos milhares. O futuro Papa Pio II, que era um seu fervoroso ouvinte, dizia que São Bernardino pregava como um segundo São Paulo, enquanto que o biógrafo Vespasiano da Bisticci comentava que os seus sermões limpavam a Itália de todos os pecados. Influenciadas pelos ataques de São Bernardino aos vícios e aos pecados, muitas cidades italianas decretaram leis segundo os seus ensinamentos, as Riformazioni di frate Bernardino .

Sendo a usura uma das práticas mais atacadas pelo santo, este fundou muitas sociedades beneficentes de empréstimos, conhecidas como as Monti di Pietà . Inspirado nos ideais franciscanos, São Bernardino atravessou a pé a Itália várias vezes para levar a paz, sobretudo entre Guelfos e Gibelinos.

Em toda a parte demovia as facções desavindas em guerra e pregava-lhes a devoção pelo Santo Nome de Cristo, muitas vezes usando um quadro com as Suas iniciais escritas, I.H.S, que depois era venerado pelos devotos. Este costume do quadro foi introduzido pela primeira vez em Volterra, em 1424, e fez muito sucesso. São Bernardino aconselhou um carpinteiro de Bolonha que tinha perdido os seus bens ao jogo a construir os quadros e este fez uma pequena fortuna em pouco tempo.

A popularidade de São Bernardino granjeou-lhe, no entanto, inimigos que o perseguiram. Foi acusado de heresia pelo dominicano Manfredo de Vercelli que São Bernardino tinha anteriormente criticado pelos seus falsos sermões sobre o Anticristo. Em causa estavam os quadros com as iniciais de Cristo, considerados profanos e uma nova forma de idolatria. Obrigado a apresentar-se perante o Papa Martinho V, em 1427, este proibiu-o de pregar e de exibir os quadros até que a sua conduta fosse examinada.

São Bernardino entregou todos os seus sermões escritos a uma comissão que instruiu o julgamento que teve lugar em São Pedro de Roma, em 8 de Junho, perante o Papa. O defensor São João Capristano, seu confrade da Observância, não teve muito trabalho em demonstrar a fraqueza das acusações e o Papa não só aprovou os ensinamentos de São Bernardino, como lhe pediu para pregar em Roma e aprovou a sua eleição para Bispo de Siena. Tanto esta nomeação como as das Sés de Ferrara e Urbino foram recusadas por São Bernardino que dizia que toda a Itália era a sua diocese.

Com a nomeação de Eugénio IV, novas acusações lhe foram feitas mas uma Bula de 1432 anulou definitivamente as calúnias. A justiça feita sobre os ensinamentos de São Bernardino foi perpetuada pela concessão aos Frades Menores da festa do Triunfo do Santo Nome, em 1530, que foi posteriormente estendida à Igreja Universal em 1722.

São Bernardino acompanhou o imperador Sigismundo para a sua coroação em Roma, retirando-se depois para Capriola para se dedicar à escrita de Sermões. Teve de deixar os seus trabalhos missionários em 1438 quando foi eleito Vigário-Geral dos Observantes em toda a Itália. Embora não tivesse sido o fundador dos Observantes, São Bernardino foi o principal apoiante deste movimento de reforma da Ordem Franciscana e um dos seus mais fervorosos difusores, sendo responsável pelo grande aumento do número dos seus membros. Fundou ainda, ou reformou, cerca de 300 conventos de frades em Itália e enviou missionários a diferentes pontos do Oriente.

Foi o principal responsável pela presença no Concílio de Florença de muitos embaixadores das diferentes nações divididas pelo Cisma. Retomando a sua vocação missionária, em 1444, desloca-se para evangelizar Nápoles apesar da sua saúde debilitada. Sucumbe à febre e volta moribundo a Áquila, onde morreu na véspera de Ascensão, a 20 de Maio. Não tendo sido permitido que o seu corpo saísse de Siena, foi enterrado na igreja dos Franciscanos Conventuais (oponentes aos Observantes) depois de um funeral com grandes honras.

Os muitos milagres que se seguiram à sua morte contribuíram para a sua canonização, a 24 de Maio de 1450, por Nicolau V. O corpo de São Bernardino foi trasladado para a nova igreja dos Observantes de Áquila, especialmente construída para o efeito, que foi destruída no terramoto de 1703.

A primeira igreja que continha um templo caríssimo oferecido por Luís XI de França foi substituída por um outro edifício onde ainda hoje as relíquias de São Bernardino são veneradas. Em Portugal, a Observância Franciscana beneficiou de uma grande devoção ao santo, também sentida por D. Manuel I e D. João III que, nos retábulos encomendados para os seus conventos, mandavam inserir sempre a figura de S. Bernardo de Siena.


Artigo extraido de: São Bernardino de Siena. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2008. [Consult. 2008-06-02]. Disponível na www: .

19/05/2008

Paisagens

Fotos: Artur Claro


Aos laços...

Já lá chegaram os tordos,
E a azeitona já pintou,
O verão deixou o outono
Nas vinhas que vindimou.


As gentes de minha terra
Com fogo mantas e lençol
Espantam o frio da serra
E as tardes curtas se sol

Fecho da Moagem

Fotos: Abilio Freitas

12/05/2008

Coisas pitorescas...

Fotos: Abilio Freitas
Meus Comentários:
Fiquei surpreso por não ver os olmos a circundar o Chafariz e o próprio tanque. Na minha imagem de memória eles ainda estão por todos os lugares acompanhando as ribeiras, circundando os lameiros os fechos.

É triste ver o que a civilização moderna junto com o acidente de Chernobyl e radiação fizeram com estes personagens de nossa geografia. Sinal dos tempos diriam os antigos, mas quero crer que na verdade são sinais de nosso destino neste mundo globalizado.

Estas imagens no entanto fizeram-me rir pelas coisas pitorescas retratadas, dando sinais de que o tempo e a civilização ainda não acabaram de vez com detalhes tão importantes das pequenas grandes coisas de nossa terra.

Marco da Igreja

Fotos: Abilio Freitas

Em tempos idos o bairrismo de nossa terra era um dos aspectos mais curioso e fabuloso de se ver. Eram os das eiras, da praça, da igreja, da escola, ou os do carrascal, a desafiar uns aos outros sempre.

Cada um de nós tinha, alem do nome e do apelido, a indicação de onde morava. No nosso entendimento, o local fazia uma referencia pessoal e um atributo extra, na personalidade ou na escala de importância que cada um de nós tinha para a malta. Ser das eiras, do vale, da praça ou do carrascal, era questão de honra e de orgulho na hora de desafiar ou de buscar aliados para uma batalha.
Tempos áureos que já se foram. Nosso povo tinha mais gente. As crianças e jovens enchiam a praça ou o largo da Casa Grande a jogar ao fito, ao pião, á bilharda, ao tiroliro ou simplesmente a caçar gambozinos.
Impressionante a vida e a pujança de nossa terra se olharmos a realidade atual.
Não que tudo fossem flores, mas eram vida e renovação. Quantos jogos de bola fizemos, os das eiras contra os do vale, ou os da praça contra os das eiras. Esta rivalidade velada, incendiava e dava um tempero a mais nas rodas de tiro-liro, de bola ou de outras brincadeiras.
Os encontros podiam acontecer onde quer que fosse, no campo da eiras novas, na regada, no lameiro do chafariz ou canilhão mas, independente do lugar onde aconteciam, os desafios originados nesta rivalidade eram o mote para um jogo mais animado e encorajador. Esta foto do marco da Igreja fez-me lembrar de outra rivalidade, porem feminina, que movimentava a vaidade bairrista das moças solteiras.
No São João, faziam em cada marco da aldeia uma cascata. Era um movimento nervoso, alegre e cheio de intenções este das solteiras que moravam perto do marco da praça, do marco do vale ou do marco da Igreja, fazerem a cascata e competirem entre si. Nessa época as de cada marco uniam-se para decorar e enfeitar a cascata que depois á noite ajuntava o povo para a fogueira e as cantigas de roda ou baile.
São João, fogueira de margaças acesa, bastavam alguns saltos para não ter mais dor de cabeça o ano inteiro. Remédio santo... Bons tempos estes em que a farmácia não era tão cara nem tão complicada de prescrever ou diagnosticar as doenças.
Quantos namoros nasceram á volta das fogueiras de São João nos marcos, enfim nas voltas de nossa terra.

Sinos e Torre da Igreja

Fotos: Abilio Freitas
Ao toque dos Sinos.
A aldeia acorda lentamente. Algumas lareiras já estão acesas e os chupões espalham no ar frio da manha, um bafo quente e esbranquiçado que se eleva acima dos telhados.

Aos poucos a vida retoma o curso. A luz pálida da aurora treme no brilho branco metálico, dos telhados com geada. No céu as estrelas começam a desaparecer cansadas da longa e fria noite. O sol a espreguiçar os braços nos cabeços da aldeia, alonga o corpo por todos ribeiros e caminhos e firma o dia. A luz muda a cada segundo.

Uma trilha sonora começa a crescer por todos os cantos da aldeia. Galos cantam ao desafio, e são seguidos pelo cacarejar das galinhas que ficam a reclamar aborrecidas, com tanta vontade de cantar a esta hora do dia dos seus parceiros. Ouvem-se os burros, as vacas, as mulas, os machos, enfim todos os outros animais, a pedir o tratamento antecipado antes que mais um dia de trabalho comece.

Os sons crescem na mesma velocidade do fim da noite. Até os cães que sabem que ainda não é hora de ir para o gado vão bocejando alertados com tanto rebuliço.

O sino toca as Avé Marias. Três toques... pausa... três toques... pausa...três toques! Os que ainda resistiam sentem-se agora convocados para o recomeço da vida.

As mulheres já saíram da cama faz algum tempo. Com a lareira acesa vão pondo a mesa para o pequeno almoço. As labaredas das giestas secas a estalar na lenha de freixo começam a aquecer a casa e empurram o frio lá para fora.

Hora de acordar os filhos, de chamar o marido, de apressar a todos...

Uma grelha aquece no braseiro da lareira enquanto espera as fatias de pão para torrar. Aos poucos os donos da casa vão chegando e, um a um sentam á roda do borralho. Filho vai lavar essa cara diz a mãe para o mais novo, que com medo da água fria, tenta sem sucesso, passar o inverno sem lavar o rosto.

Antecipando a cada um que chega e senta ouve-se o barulho dos passos e o arrastar dos bancos da cozinha. Não conversam entre si, falam por sinais e monólogos, nesta mímica rotineira do dia a dia, sabem de cor a função e não precisam usar palavras.

As torradas a assar espalham no ar um gosto bom que se mistura com o aroma do café e do leite fervido. Na seqüência assam umas alheiras que vão para a mesa a juntar-se ao queijo de ovelha, azeitonas, fatias de presunto e salpicão. O frio e o trabalho pesado exigem, aos que vão ao trabalho no campo, um reforço no estomago, saco vazio não se tem de pé. Com os corpos quentes e mais acordados sentam-se todos na mesa. Comem enquanto espantam o sono de vez.
O corpo, reage ao alimento e finalmente toma as rédeas do sono para recomeçar a vida. Fazem os planos, distribuem tarefas e funções, acertam detalhes. Para arrematar o pai e a mãe reclamam da geada que pode queimar a amêndoa e um a um vão deixando a cozinha com a certeza de que a vida continua e precisa ser vivida.

Tanque do Chafariz

Fotos: Abilio Freitas

Cemitério

Fotos: Abilio Freitas

Capela de Santo António

Fotos: Abilio Freitas

Praça

Fotos: Abilio Freitas

Tanques da Praça e do Vale

Fotos: Abilio Freitas

Escola Primária

Fotos: Abilio Freitas

Fonte do Vale

Tantas vezes a cântara vai à fonte que lá deixa a asa.
Este ditado antigo vai sendo esquecido e perdendo o sentido. A fonte do vale faz muito tempo deixou de servir e de quebrar as asas. As cântaras de barro faz tempo perderam as asas ou foram esquecidas nas adegas e quintais, ou como quero crer, boa parte delas já passou a servir de vaso para flores.

Alegrou-me ver o trabalho de revitalização que fizeram na fonte.
Na minha memória lembro deste local como sendo sujo e insalubre.
Parabéns para o Presidente da junta que tomou esta iniciativa e também para os conterrâneos que começam a valorizar nosso patrimônio histórico.


Fotos: Abilio Freitas

10/05/2008

Fotos Carlos Almeida


O Carlos Almeida enviou estas fotos. São imagens das pessoas e dos lugares do coração dele. Parabens e obrigado Carlos por nos brindares com a tua participação.

15/04/2008

A fogueira do Galo.

Fazer a fogueira do galo. Este costume de nossa terra vem sendo passado de pais para filhos desde há muito tempo e perdura até aos dias de hoje graças á valentia da malta animada de nossa terra. Parabéns a Castelo Branco pela malta animada desta geração que mantém vivas as nossas tradições

No dia 24 de Dezembro os rapazes solteiros e alguns casados juntam-se para irem buscar a lenha para a Fogueira do Galo. Inicialmente iam de casa em casa a pedir lenha em carros de bois ou com juntas de machos e mulas. Quando carregavam os carros levavam a lenha para o largo da Casa Grande e iam ageitando os toros os galhos e giestas para acenderem a fogueira na hora da Missa. Curiosamente, nos últimos 20 anos este trabalho, que sempre foi feito manualmente começou a ser realizado de forma mais mecanizada. Assim e para proporcionar maior eficiencia foram inseridos ao ato de recolher a lenha apetrechos que tornassem o o processo mais rápido e aumentassem a produtividadade da malta. Hoje utilizam, tratores, retro-escavadeira e outras maquinas que contribuem para a realização de fogueiras descomunais.

Mas o costume mantem-se, de meia-noite acendem a fogueira. É tradição ainda de comer e be beber á volta da fogueira e como não podia deixar de ser os ânimos sempre se animam.