Autor: Isaias Cordeiro
De um pequeno charco nessa data até a um caudal que impressionava lá se arranjou um lavadouro, mal engendrado é certo mas o quanto baste para de imediato me vir á ideia o que seria engraçado uma reconstituição desta tarefa no seu todo feminina e quão bela que era!
Lancei então um desafio às duas mulheres presentes e como se compreende a resposta foi um não já que água estava muito gelada. Deixaram para mais tarde esse assunto mas prometendo dele fazer parte num futuro muito próximo em tempo mais moderado e de preferência lá mais para o fim da primavera.
Num destes dias junto á igreja numa amena cavaqueira com um amigo e meu irmão fui surpreendido por essa pessoa, trazia na mão um envelope e dizia com alegria “olhe Isaías, tenho aqui uma coisa que vai gostar, é sobre aquilo que queria reconstituir! Era a senhora Carminda Freitas também ela dedicada a esta causa Albicastrense! Ama esta terra, adora falar da sua experiência dos usos e costumes das tradições, etc.
Por ali já a minha mãe lavara desde muitos anos atrás . Da Fontaínha ao Canilhão, entre a Ponte Velha e a Ponte Nova e no local que a fotografia mostra, agora bem diferente. Não tem a lameira nem outro local para corar a roupa nem tão pouco é possível colocar os lavadouros. Já ninguém os coloca nem os marca com sendo seus e não há lugar para colocar os cestos de vimes. Não são precisos é verdade, porque aqui e ali os tanques de cimento ás nossas portas davam sinal que se pensava de uma era moderna mas também depressa ultrapassados pelas novas máquinas de lavar que o homem foi inventando.
Os pidornos e carrasqueiras deixaram-se vencer, não são mais necessários para secar roupa, os lavadouros da ribeira, a lameira da córa as cantorias das lavadeiras desapareceram, os pidornos e os carrascos já há muito foram abatidos.
Lembro bem a ribeira sobretudo entre as pontes, os lavadouros de um lado e do outro espalhados e alguns quase encostados aos suportes da ponte velha e até dos pequenos peixes que de quando em vez e depois da espuma do sabão desaparecer nos visitavam como se de brincadeira se tratasse ou um desafio há nossa tentação.
O olmo enorme quase junto há ponte velha, habitação própria de pardais e outros pássaros que nele criavam e viviam todos coabitando num local fresco e de vida sadia.
Não faltava junto ao tronco um pouco palha de centeio onde descansavam os que por ali passavam. Eu próprio ali estive muitas vezes, anos a fio vendo a minha mãe a lavar roupa de muitas casas abastadas da nossa freguesia. Ali partilhamos o pão e o queijo da merenda que as patroas punham no cesto de vimes e quantas vezes ouvi a minha avó Etelvina chamar pela minha mãe dizendo “Oh Idalina vem buscar esta bola para os garotos”.Fazia-o um pouco á revelia do meu avô porque dele tinha medo .Seguia o seu caminho tocando o burro carregado com uma fornada de pão para venda em Vilar de Rei. A verdade é que também eu tinha medo já que por vezes cheguei a ver a minha avó entregar a bola e o meu avô na ponte nova montado no burro, presenciando esta operação. Nada dizia, seguia tranquilamente a caminho do Baboêdo.
Um abraço Albicastrense
Isaias Cordeiro
Fotos gentilmente cedidas por Carminda Freitas.
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