Revisitando Castelo Branco

20/04/2010

Site para conhecer e visitar

Autor: Guilherme Sanches
Este espaço virtual, que me surgiu criar com algum carácter de urgência, em boa verdade para aproveitar o nome (ainda) disponível e ligá-lo à nossa Associação na blogosfera, pretende ser um ponto de encontro onde se fale de cogumelos, em toda a sua abrangência.Estejam portanto à-vontade, participem, participem sem se sentirem constrangidos por manifestar alguma ignorância, pois não vão estar sozinhos, eu também já cá estou. Curiosidade e interesse, são mais do que suficientes para justificar a sua presença.Todos os aspectos de carácter mais científico, espero que outros mico-companheiros de boa vontade aqui venham colaborar e dar um apoio qualitativo a este espaço que é de todos e está desde já à vossa disposição. Guilherme S. ( Clique na Imagem para seguir Link)
Observação: Este artigo foi autorizado pelo autor: Guilherme Sanches e foi publicado integralmente conforme original do blog: http://pantorra.blogspot.com

 


É assim - Parte I

Sexta-feira, 18 de Abril de 2008

Pantorra, saída de Primavera, Mogadouro.
Junto à ribeira de Vale de Porco, pelos lameiros ainda molhados pela chuva da noite, passa-se tudo a pente fino, de erva em erva, à procura de um cogumelo que valha a pena. Há sempre um coordenador que sabe tudo, o nome vulgar, o nome científico, a variedade, a cor, o sabor, o cheiro, etc, etc e ainda mais etc.
É uma delícia ouvi-los.
E se não houver cogumelos, há grilos ou vacas-loiras, orquídeas ou junquilhos, ou outras flores que são verdadeiros colírios para os nossos olhos.
É assim o contacto genuíno com a natureza "de certo", "de-certo" ou simplesmente "decerto", tanto se me dá.
Publicada por Guilherme S. em 4/18/2008 12:34:00 PM

É assim - Parte II

Depois, num espaço que há 50 anos foi uma antiga escola da Barragem de Bemposta, que o Manuel admiravelmente reconstruiu e reconverteu em casa de habitação/turismo, e que generosamente disponibiliza, ali mesmo nas bordas do Planalto Mirandês a mirar Espanha, reúnem-se os cogumelos comestíveis colectados, que são escolhidos, separados, lavados, cortados... (não perca o próximo episódio)
Publicada por Guilherme S. em 4/18/2008 02:52:00 PM

É assim - Parte III


... enquanto os voluntariosos companheiros e companheiras de lides, escolhem e preparam outras especialidades entretanto também apanhadas - Espargos selvagens e Norças (ou serão Norsas?), que muitos estranham que a gente coma, por serem consideradas venenosas (atenção, não tentem imitar este número em vossas casas, isto é feito por profissionais altamente qualificados e treinados!).
O melhor (digo eu) vem depois - o produto acabado. Os ovos mexidos com as ditas norsas, as batatas guisadas com cogumelos, a tarte de cogumelos com base de farinha integral e top de creme gratinado, o pão de urtigas, as alheiras, chouriços, chouriças e os queijos locais diversos, para além de um infindável rol de petiscos previamente preparados e apresentados a desfilar na passarelle gastronómica a caminho dos nossos esfomeados estômagos.
É assim a parte social da Pantorra.
Mogadouro, saída de Primavera, 12 de Abril de 2008.
Publicada por Guilherme S. em 4/18/2008 03:09:00 PM


Sonhos "de" Cogumelos



Não sei os sonhos são um doce conventual ou prisional, mas são seguramente originários de alguém que tinha todo o tempo do mundo.
Para mim, fazer sonhos é um pesadelo. Mas mesmo assim, gosto
Esta receita tem duas variantes, muito próximas mas significativamente diferentes
RECEITA 1
Ingredientes:
Cogumelos Agaricus (vaiedade "supermecadus") frescos
Cogumelos Boletus Edulis fatiados, secos
Açúcar
1 Laranja
Farinha
Ovos
Azeite
1 limão
Vinagre balsâmico
Faz-se assim - de véspera, cortam-se os "champignons" e a laranja em fatias de 3 a 4mm (foto 1). Numa taça (malga, tigela) vão-se colocando arrumada e sequencialmente camadas de - açúcar, laranja, cogumelos, açúcar, cogumelos, laranja, fechando com com laranja coberta de açúcar. Sela-se com plástico aderente de cozinha e guarda-se até ao dia seguinte (foto 2).
No dia seguinte, hidratam-se as fatias dos Boletos, coa-se a água, que é bastante aromática, e usa-se para fazer a massa dos sonhos (se não souberem como se faz a massa dos sonhos, perguntem à Tia Lai, mas é fácil - a tal água, um belo fio de azeite e um pouco de sal, a ferver numa panela, a que se junta de uma vez só a farinha; mexe-se energicamente, retira-se e deixa-se amornar; vão-se juntando um a um os ovos - proporcionalmente, 12 por kilo de farinha - que se misturam com a massa à mão; depois de bem misturados e a massa bem mexida, está pronta a fritar)
Deita-se a massa aproximadamente do tamanho de uma noz numa caçarola com bastante óleo pouco quente, e deixa-se fritar lentamente (é aqui que os sonhos se transformam em pesadelos). até crescer bastante e se transformar em sonhos douradinhos Se a massa estiver bem feita, nem sequer é preciso virá-los, eles encarregam-se disso.
Entretanto, durante a noite o açúcar extraiu os sumos da laranja e dos cogumelos, cujas fatias endureceram e se desidrataram, ficando a taça com um xarope misturado (foto 3). É um xarope naturalmente doce, com sabor a cogumelo realçado pelo aroma e sabor da laranja. Coa-se tudo (foto 4) para retirar pequenas partículas que se separaram, e deita-se o xarope com as fatias dos cogumelos numa sertã a quase caramelizar lentamente.
Como o sabor dos cogumelos com o xarope (apesar da laranja) pode ser ainda um pouco enjoativo, vamos vamos avivá-lo juntando-lhe traço de vinagre balsâmico e quase no fim duas ou três cascas de limão muito finas e mais umas gotas de sumo de limão.
Pode-se juntar também ou "em vez de", uma folha de menta ou de hortelã, mas é um risco pois por serem muito aromáticas podem desvirtuar por completo o gosto dos cogumelos.
A apresentação (imagem grande) é ao gosto de cada um - com o molho já vertido sobre os sonhos, ou numa taça separada.
RECEITA 2
É quase igual à anterior, para o caso de não terem ou não querer usar Boletos.
De véspera faz-se tudo igual, mas escolhem-se os cogumelos mais pequeninos (ainda fechados) que não se fatiam, colocam-se inteiros ou partidos a meio, no açúcar.
Estes cogumelos são separados, escorridos e polvilhados com açúcar para não escorregarem, e os sonhos são feitos com coração de cogumelo - colher, massa, cogumelo, massa, colher (foto 6), ao estilo de pastel ou bolinho de bacalhau - e fritos como os anteriores.
A grande diferença, está no resultado final - como pérolas em ostras, o abrir dos sonhos revela um cogumelo doce no seu interior.
Ambas as receitas são originais e até hoje, têm tido a aprovação unânime de todos, incluindo os que dizem que não gostam de cogumelos (cá para mim eles têm é medo!...)
Experimentem e disfrutem.
Publicada por Guilherme S. em 4/21/2008 12:36:00 PM

Sem comentários:

Enviar um comentário